F1 – GP da Austrália

O primeiro grande prémio da época da F1 era já ansiado pelos amantes da modalidade à alguns meses, especialmente pelas alterações que a classe mais prestigiada do desporto motorizado sofreu para esta época, esta era uma data que estava nas agendas de todos os mais assíduos acompanhantes e torcedores. O facto de este ano a atenção e tempos de antena dados aos preparativos para a nova época ter sido bastante mais alargada, muito em facto das mudanças técnicas e com o soar do alarme para algumas equipas da frente (especialmente as de motor Renault), tornaram ainda mais ansiosa a espera de cada um para este fim de semana caótico, onde muitos têm de fazer o esforço de seguir por horas impróprias aquilo que se vai passando no outro lado do globo, devido ao fuso horário. Posto isto e porque antes já foi aqui escrutinado a fundo quer as alterações técnicas, quer a pré época, passemos directamente à análise daquilo que foi o fim de semana desde os treinos até ao final da corrida, o que nos deixa já bastante sobre o que debruçar.

GP Austrália

Sobre a pista, muito pouco a assinalar. Uma pista rápida, com uma configuração que permitia alguns excessos em determinados pontos, sendo os casos mais críticos na entrada para a recta da meta, com um gancho mais complicado e depois da armadilha de velocidade, com uma pequena chicane que não permitia velocidades elevadas, de resto sempre com possibilidades de proporcionar bons momentos, duelos intensos e alguma velocidade.

Como habitualmente os primeiros três dias foram destinados a treinos livres, para adequação à pista, ao teste dos pneus e afinações pontuais. Como já se previa daquilo que tinha sido retirado antes, a Mercedes apareceu bastante forte e sempre a cronometrar tempos bastante agradáveis, a par da Williams, Ferrari e McLaren. Depois numa segunda linha apareceram sempre Force India, Toro Rosso (a surpresa agradável) e a Red Bull que se mostrou bastante mais confortável e ligeiramente mais preparada do que nos testes anteriores. Por fim e sem surpresa, Marrussia, Lotus e Caterham, que são as equipas mais fracas deste ano (sendo que a Lotus tem esse estatuto devido à má construção do carro e adaptação do carro ao motor que dispõe). Individualmente assistiu-se a várias surpresas agradáveis também, nomeadamente Magnussen e Kvyatt, dois dos estreantes deste ano que prometem bastante, que não têm medo de arriscar e que vêm acrescentar algo mais à F1, no caso do segundo ainda não estou totalmente rendido e continuo a achar que deve e tem de mostrar mais (a pista também não é das mais complicadas nem técnicas), mas que impressionaram, disso não há dúvida (prova disso a brilhante qualificação que ambos fizeram). Também Ricciardo, talvez motivado por estar a correr em casa e pelo constante e incansável apoio das bancadas, se mostrou sempre a um nível superior, muitos furos acima do colega de equipa e tetracampeão (curioso que o Australiano conseguiu o apuramento para a Q3, precisamente na volta em que Vettel ficou sem hipótese de lá chegar, o que motivou dupla alegria ao público presente).

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Por outro lado, o mais negativo, Raikkonen evidencia alguma inconsistência e nota-se que o seu carro não está a render o que pode render, Vettel continua com variados problemas e não consegue ainda obter resultados consistentes e Button não conseguiu melhor que juntar-se a estes dois no lote dos que acabaram por ser as surpresas mais desagradáveis dos primeiros dias (sobretudo na qualificação, pois tinha conseguido dados interessantes nos treinos).

Por fim e em dados gerais, Hamilton conseguiu ser o melhor na qualificação e angariar mais uma pole-position para o seu currículo, sendo a primeira da época, mas prevendo que o faça por mais umas quantas vezes, pelo menos uma mão cheia, acho que tem boas possibilidades de ser o vencedor do novo troféu referente a esta categoria específica. Também uma qualificação surpreendente teve Kevin Magnussen, sendo ele rookie, não se esperava tanto à vontade, o que é certo é que mostrou que está no circuito por mérito e com vontade de mostrar trabalho (à margem deste GP e sobre este assunto particular, Mark Webber referiu inclusivé que aplaudia a coragem da McLaren em “dotar o seu carro de talento e não de dinheiro, como outros andavam a fazer”. Também Jean Eric Vergne em Toro Rosso mostrou que pode vir a obter resultados interessantes depois da brilhante qualificação que conseguiu. No entanto referir que a qualificação viu-se afectada no final da Q1 pela chuva que acabou por fazer com que os pilotos fossem mais prudentes e calculistas e permitiu a outros (especialmente estes mais novos e com vontade de mostrar serviço) que se mostrassem agressivos e a querer lutar por mais que meros lugares do meio da grelha de partida.

Sobre a corrida, há que começar com os detalhes mais técnicos. Esta era uma corrida com duas paragens programadas para troca de pneus, eventualmente alguma equipa mais ambiciosa poderia apostar apenas numa, no entanto a ameaça iminente de chuva não deixava outro desfecho que não o do primeiro cenário. Os pneus permitidos restringiram-se a macios, normais, médios e super macios, sendo que a maioria apostou em macios (face às temperaturas amenas e ameaça de chuva), sendo que Vettel e Gutierréz apostaram em pneus médios, para tentar evitar a paragem aquando os restantes, beneficiando assim de subida de posições intermédias (Vettel partiu de 13º). Sobre os detalhes individuais as únicas notas de registo foram a penalização de Bottas em 5 lugares na grelha de partido (partiu em 15º), de Gutierrez (partiu de 20º) e de Grosjean que seria forçado a partir das boxes (e acrescia ainda uma volta pelas boxes na seguinte volta), todos penalizados devido a alterações nos monolugares não justificadas ou desrespeito de sinalização durante as qualificações.

Caricato foi o início da corrida, que depois da habitual volta de aquecimento e de formação ordenada da grelha de partida, viu ser oferecida uma volta adicional em virtude do Marrussia de Jules Bianchi ter ficado imobilizado no meio da grelha de partida, sendo forçado a partir também das boxes tal como o seu colega de equipa, Max Chilton, que nem sequer havia conseguido a primeira volta de aquecimento.

Dado o sinal de partida, foi uma largada bastante disputada, saiu melhor Rosberg que desde logo saltou de terceiro para primeiro, descobrindo uma boa abertura entre Ricciardo e Hamilton, o que fez com que os Mercedes ocupassem desde logo as duas primeiras posições (no entanto apenas por duas voltas, pois Hamilton seria forçado a desistir por problemas na componente electrónica do carro). Desta disputa sobrou também para Massa um abandono prematuro da corrida devido a acidente causado por Kobayashi, que abalroou completamente o Brasileiro (ver vídeo), destruindo o primeiro o eixo de direcção do Caterham e forçando o segundo a abandono devido a imobilização do Williams (continua portanto com bastante azar Filipe Massa, no que a acidentes diz respeito e a abandonos),  fazendo ver o que fez Bottas durante a corrida e mesmo na partida para a corrida (ganhou 4 posições), diria que estaria ali um foco de mais algum espectáculo, a confirmar nos próximos GP’s.

Massa acidente

Massa revelou-se bastante triste e sobretudo injustiçado com o que lhe aconteceu, pedindo de imediato uma penalização para Kobayashi (não se viria a verificar pois aparentemente o problema foi ao nível dos travões e não foi propositado) e revelou que com o carro que tem poderia estar nesta corrida a lutar por um pódio, o que sinceramente me parece justo da parte do Brasileiro.

Já no decorrer da corrida, Hamilton recebe ordem via rádio à entrada para a 2ª volta de que deveria sair da corrida devido a problemas técnicos no seu Mercedes, no entanto ainda concede mais uma volta, para tentar recompor e não forçar o abandono, no entanto os esforços revelaram-se infrutíferos e à 4ª volta foi mesmo obrigado a sair, ao que parece devido a um problema electrónico na caixa de velocidades. O próprio disse que não tinha sentido que tivesse uma grande partida e que o carro não estava a responder à potência pedida, parecia que apenas tinha 5 dos 6 cilindros a carburar e não poderia abusar demasiado do motor.

Já o homem em quem recaiem mais holofotes, Vettel, partira em 13º e ainda perdeu 3 lugares na partida, aguentou-se a rodar durante 5 voltas, mas no fim foi forçado a retirar-se também devido a problemas no seu carro, provando que apesar de parecer melhor e mais ajustado à entrada para este GP, os problemas continuam a acontecer.

A partir daqui a corrida estabilizou e os carros foram rodando, dos poucos que lutaram e nunca se mostraram conformados podemos dizer que foram Valteri Bottas e Nico Hulkenberg. O segundo andou durante algum tempo em luta árdua com o Ferrari de Alonso e o primeiro passou a corrida toda do princípio ao fim a dar luta a quem lhe aparecesse pela frente, começou com o seu compatriota Raikkonen, até que uma saída de uma curva mal calculada lhe valeu um pneu contra a parede e uma ida às boxes, forçando o Safety Car a entrar em pista logo na volta 11, o que acabou por se alongar durante 5 voltas (tempo de limpar os detritos deixados em pista), acabaram por aproveitar os pilotos da frente para fazer logo aqui a primeira paragem, aproveitando o facto de não perderem lugares para os opositores, no entanto os pilotos da cauda do pelotão optaram por não usufruir desta benesse.

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Quando chegou a altura de começar a segunda ronda de paragens, Button foi o primeiro a usufruir desta, passou de pneus macios para médios, o que lhe garantia conseguir chegar ao fim sem parar mais nenhuma vez, no entanto teve um pequeno percalço, pois quando parou na box a má colocação do elevador do carro na parte da frente acabou por danificar a ponteira do nariz do seu McLaren, o que o forçou a correr até ao fim com um défice aerodinâmico, ainda assim não demasiado severo ao ponto de o prejudicar em termos de tempos e lugares. Depois de Button também Hulkenberg , que vinha a protagonizar algum espectáculo devido ao seu duelo com Alonso, se deslocou às boxes para mudar o seu conjunto de pneus para médios, o Espanhol ganhou vantagem, mas logo na volta seguinte foi por uma unha negra que conseguiu ficar à frente do Alemão, visto que se inverteram os papéis e à saída do pit lane, Alonso teve de dar tudo para não se ver ultrapassado pelo Force India.

À volta 35, novamente um duelo de Filandeses vinha a animar bastante o espectáculo, mas uma travagem ligeira mal calculada do mais experiente Raikkonen fez com que este perdesse o controlo do carro durante alguns metros e ofereceu assim de bandeja o 5º lugar a Bottas, no entanto este desfecho já era previsível, dado o andamento que Bottas vinha a impregnar à sua corrida. Mas esta disputa não se ficou por aqui e na volta 37 ambos fizeram a segunda paragem nas boxes ao mesmo tempo, no entanto a maior eficácia da Williams e a destreza de Bottas a sair rápido permitiram-lhe manter-se na frente com uma vantagem suficiente para conseguir estar seguro.

Enquanto tudo isto se passou, Rosberg foi aproveitando para alargar vantagem e abrir uma margem suficiente do primeiro para o segundo lugar, de forma a conseguir fazer o seu último pit stop sem problemas de maior e sair ainda em primeiro e basicamente foi o que conseguiu fazer sem qualquer problema, pois nem Ricciardo nem Magnussen estavam a apertar o suficiente para incomodar o alemão. No entanto Kevin Magnussen depois de receber várias ordens via rádio para se manter controlado devido ao fluxo de combustível, a 15 voltas do fim começou a fazer pressão sobre Ricciardo, no entanto o australiano conseguiu sempre defender-se a bem, mantendo o segundo posto até ao fim. Ainda assim Magnussen continuou a receber alguns avisos, desta vez devido ao desgaste dos pneus traseiros, o que fazia com que muitos carros nas saídas das curvas começassem a fugir da sua rota ideal, foi basicamente o que aconteceu com Vergne que perdeu assim o seu lugar para Bottas na curva antes da recta da meta, fugindo-lhe o carro, obrigando a abrandar e dando passagem ao finlandês da williams.

Até ao final da corrida, pouco mais de diferente se viu, apenas mais alguns despiques entre Bottas e Hulkenberg (já atrás de Alonso à algum tempo), o que acabou por dar frutos à volta 52, confirmando assim o Finlandês com o 6º lugar. Também nesta volta já a RedBull festejava e congratulava Ricciardo pelo excelente trabalho, sobretudo devido à excelente poupança de combustível feito, o que não deixa de ser irónico segundo o que se passou no pós corrida (falaremos à frente).

Por fim, Raikkonen confirmou o 8º lugar (um pouco abaixo das expectativas do icemen e da Ferrari), atrás de Hulkenberg (boa corrida do Alemão), Valteri Bottas (o homem que mereceria o prémio de melhor em pista se o houvesse), Alonso, Button (recuperou bastante bem do desnível inicial), Magnussen (o rookie que promete e que é o primeiro Dinamarquês a fazer um pódio na F1), Ricciardo (deslumbrou em casa, no entanto o lugar viria a ser-lhe retirado devido ao não cumprimento da limitação de fluxo de combustível por hora, pois consumiu acima dos 100 Kg/h) e do grande vencedor Nico Rosberg, com a vitória 100 para a Mercedes e a primeira da época, o que pode dar muito alento a este talentoso piloto.

pódio

Notas finais

1º – Não deixa de ser irónico que Ricciardo, a correr em casa, com todo o apoio de fora, tenha tido o azar de ser desclassificado no pós corrida. Depois de toda uma superação no que à RedBull da pré época diz respeito, depois de uma corrida com tudo do Australiano, depois mesmo de a equipa ter via rádio confirmado que Ricciardo teria feito um bom trabalho e conseguido equilibrar os níveis de combustivel gasto, não deixa de ser irónico que seja desclassificado por essas razões. Algo de muito mau para sobre esta equipa, no entanto beneficiou a McLaren que assim colocou dois corredores no pódio, partindo para já na frente do Mundial de Construtores.

Ricciardo em casa

 

2º – Não deixa de escapar aos mais atentos a evolução no que diz respeito à tecnologia dos carros, consegui durante a transmissão tirar esta belíssima foto do volante da Mercedes e é soberbo ver a quantidade de controlo e informação que apenas um componente do carro pode ter. (Reparem no pormenor do SC – safety car em pista)

promenor volante

 

3º – A beleza nas boxes. Desde que se viveu o fenómeno do ano Hamilton e da sua bela esposa Nicole, é recorrente ver as namoradas e conjuges dos pilotos a passear pelo paddock durante os dias anteriores à corrida, ou mesmo durante a corrida nas boxes, dá-se tempo de antena também a estas belezas femininas que acompanham os grandes homens por trás das máquinas.

Grosjean e namorada

 

Rosberg e namorada

 

4º – A beleza da transmissão da SkySportsF1, não desgostando eu da transmissão nacional da sportTv, mas achando que no que toca a conhecimento sobre tudo na F1 fico a ganhar se seguir a transmissão da Sky, consegue-se retirar vários momentos de relaxe e engraçados desta transmissão, seja por exemplo por frases como “I’m coming to catch you…”, cantando num tom meio obscuro, quando Bottas recebe a ordem via rádio para atacar Hulkenberg, ou por exemplo o facto de se discutir o sotaque italiano que o boss da ferrari transmite a Alonso quando fala sobre “Ricciardo, Riccardooo ou Riciardo”, vale a pena e depois de acumular bastante informação torna-se agradável estes pequenos retirar de pressão.

5º – E por fim mais um momento de riso, quando Rosberg eufórico com a vitória entra pela garagem de estacionamento dos 3 primeiros em corrida e estaciona no lugar do 2º classificado, nem dando por isso, deve ser do hábito do passado que se espera seja diferente por agora.

Daqui a 9 dias voltamos a ter o circo da F1, desta vez na Malásia. Até lá estejam atentos!

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