Superbock! Fresquinha! #81

Na antecamara do clássico.

Não consigo compreender tamanha indignação pelo facto do Sporting ter encaminhado queixas sobre a arbitragem para a UEFA e FIFA e ter processado alguns dos agentes pelos danos cometidos pela má-fé dos senhores dos apitos.

Em Portugal, infelizmente, as mentes perversas de alguns adeptos do Benfica e do Porto estão anasarcadas, irrigadas, inchadas com tanta hipocrisia. Porque é o Sporting Clube de Portugal. Qual é então o problema? É porque somos pequenos? Ou será motivado pelo facto de praticarmos uma enorme grandeza de espírito e de um enorme senso de fair-play?

Os primeiros porque lideram a liga e porque utilizam como argumento (único) os benefícios obtidos pelo sporting (não omitidos pelo presidente do clube na conferência de imprensa dada na segunda-feira) nos golos (e passes; e passes para golo; e passes para assistências para golo de Fredy Montero; veja-se lá ao cúmulo a que isto chegou) de Freddy Montero. Os adeptos do Benfica falam, gozam, porque a lideram a liga. Se o prejuízo tivesse sido cometido contra si e estivesse hoje o Benfica a 7 pontos do Sporting, aqui d´el rey que seria um roubo profundo, grotesco e incomensuravelmente digno de revolução. Não vi até hoje, nenhum dos adeptos benfiquistas que conheço a falar sobre o jogo de Belém, sobre o jogo de Barcelos, sobre o jogo da Grécia contra o PAOK, sobre o penalty de Sulejmani frente ao Arouca, sobre o fora-de-jogo de Cardozo no jogo da Taça contra o Sporting, sobre os dois penaltys, sobre a atitude branda que os árbitros tem perante o caceteiro de nome Maxi Pereira ou, se queremos mesmo discutir até ao osso sobre a falta inexistente que motivou o golo do Benfica no jogo de Alvalade, sobre o castigo de 30 dias aplicado a Jorge Jesus por ter batido num agente da autoridade em Guimarães ou sobre o facto de Jesus ter ido ao balneário aquando castigado em Vila do Conde. Vamos mesmo falar sobre isso?

Os segundos porque lhes interessa. O clube mais beneficiado pela arbitragem nos últimos 20 anos. Há salários em atraso e a Champions é a única solução que tem para se salvarem de um futuro muito mas mesmo muito negro não é, caros amigos portistas? Pois é.

Recordo aquilo que fui lendo quando o Porto foi escandalosamente gamado na Amoreira frente ao Estoril. A memória é mesmo curta ou existe por aí alguma memória selectiva na cabeça de milhares de adeptos? Se existir memória selectiva, estamos perante um case study interessante para a sub-disciplina da neurologia.

Vamos finalmente ao que interessa: há uma estranha mania do português criticar quando o acontecimento atinge terceiros. Se roubou a nosso favor, assobiamos para o lado e “no pasa nada” – se nos roubou, é um grande filho da… certo! Se se deixou assaltar é manso, se assaltou quem não gostamos, foi muito bem feito!Eu cresci numa educação que me impele a considerar o que é justo e o que é injusto. O que é bom para mim e o que é nocivo. Cada vez me afasto mais das redes sociais porque estão cheias de imbecis altamente tendenciosos, cheios de argumentos furados e muito muito cinismo (on-line). Eu cá sou Sportinguista, nunca o escondi. Sócio. Doente. Fanático. Fervoroso. Esta rubrica é composta por crónicas, nas quais, não tenho qualquer pejo em dar a minha opinião em defesa da instituição Sporting Clube de Portugal. Custe a quem custar. Basta só reparar no seu título “Superbock” – S de Sporting. Superbock – um dos patrocinadores do Sporting Clube de Portugal. Só não o percebe quem é tapadinho de todo. No entanto, sou capaz de dar mérito a quem o tem. Essa é uma falhas graves do país, a inexistência de uma ordem hierarquizada por factores meritocráticos. Aos bons, o melhor. Aos reles, a porcaria. Infelizmente, este país é composto maioritariamente por gente reles, de pensamento curto e acção diminuta. Cheio de cunhas, de más vontades e de atitudes mesquinhas e pequeninas. Rasteiras.
Eu cá também fui educado numa ordem (civil) que me garante o direito à justiça quando os interesses são prejudicados por dolo ou má-fé. Se as pessoas singulares ou colectivas não tivessem essa garantia, não haveria Direito e viveríamos todos numa anarquia, no caos, no excessivo individualismo permissivo a todo o tipo de atrocidades. No futebol, são as regras do jogo que ditam essa mesma ordem. Quando não são cumpridas e resvalam para o campo da viciação absoluta de resultados, será natural que os prejudicados se sintam motivados a corrigir as injustiças de que são vítimas. Até porque os resultados financeiros dos clubes dependem em muito dos seus resultados e milhares de famílias neste país dependem (profissionalmente) destas últimas duas variáveis. Não estão portanto a vilpendiar a Instituição Sporting Clube de Portugal per se. Estão a vilpendiar todos os seus trabalhadores, todos os seus atletas, todas as pessoas que abdicam do seu suor para a manter governada, governável e cheia de exitos. E isso meus caros, é para mim, enquanto sócio do Sporting Clube de Portugal, inadmissível.

P.S

Outra vergonha deste nosso futebol trigueiro, mesquinho, é aquilo que passou na Liga de Clubes. O orçamento do organismo para esta temporada foi rejeitado pelo Movimento Stop-Figueiredo, ou como quem diz, pelos capachos do Futebol Clube do Porto. Mário Figueiredo será mesmo destituído antes do seu mandato terminar em Junho. No final da reunião, aparece um tal de Tiago Ribeiro, cidadão brasileiro, presidente do Estoril, mercador de jogadores, de escravos do futebol, talhante de tráfico humano (Traffic, topam?) a afirmar que “a Liga tem que voltar a ter o poder e o brilho” que tinha no antigamente… Menos Tiago, menos é só o que me ocorre dizer. Quem és tu para falar o quer que seja da Liga de Clubes, essa instituição no que no passado a que te referes tinha um presidente que decidia ao telemóvel os árbitros enviados para os jogos de 2 clubes em particular, o do amigo Jorge Nuno e aquele que tinha sido presidente e cujo filho era na altura presidente? Qual é o conhecimento histórico que o Tiago tem do futebol português para afirmar o que afirmou?

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3 thoughts on “Superbock! Fresquinha! #81

  1. Num texto sob o título “na antecâmara do clássico” (jogo contra o FCP), podemos ler Benfica, Cardozo, Jorge Jesus, Maxi Pereira, casos de Guimarães e Vila do Conde (envolvendo… Jorge Jesus, claro!). Sobre o adversário de hoje (FCP), uma referência: “Porto gamado na Amoreira”. Faz lembrar os tempos do acordo Roquete/Pinto da Costa, que João Rocha (grande presidente) chegou a denunciar.
    Que culpa tem o Benfica de um dia o José Roquete ter acertado um acordo de presidentes em que se juntavam para bloquear o Benfica. Quantas vezes foi o Sporting segundo, imediatamente atrás do FCP durante anos seguidos, mercê desse acordo? Até tiveram direito a ganhar um campeonatozito! Onde andava o Sporting quando o “Apito Dourado” saltou para a ribalta? O que fizeram os seus dirigentes e adeptos paladinos da justiça e da verdade desportiva (para além de deixarem o Dias da Cunha sozinho)? Os sportinguistas podem muito “chorar” os pontos perdidos à custa dos árbitros, os jogos em que foram prejudicados e eventual terceiro lugar nesta época. Não podem é vir com a conversa de que a culpa é do Benfica. À moda de qualquer saloio, só me apetece dizer: “Joguem mas é à bola”!

    • O primeiro comentário é um churrilho de inverdades. Quanto ao segundo, penso que já escrevi várias vezes que “erros nao se compensam com erros” – para além de mais, o caso do jogo é, ironicamente, um passe para quem vai assistir para o golo. Se não fosse golo, seria um lance de arbitragem grosseiro?

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