Ciclismo 2014 #21

paris nice 2

Paris-Nice

4ª etapa – ontem

Tom Jelte Slagter

Na primeira aproximação à montanha e às etapas que realmente fazem as diferenças na geral da prova, o holandês de 24 anos Tom Jelte Slagter atacou na última contagem do dia (uma 2ª categoria posicionada a cerca de 20 km da meta), recebeu a ajuda vinda de trás de Geraint Thomas (Sky) e venceu a etapa que terminou em Belleville. O holandês conseguiu a sua primeira vitória da temporada. Em 2013, conseguiu alguns resultados de destaque como a vitória na geral individual do Tour Down Under (Austrália; a primeira prova World Tour da temporada), a vitória numa etapa na mesma prova e a vitória no prémio da montanha do Tour de Alberta. Com o 2º lugar na etapa, Thomas ascendeu à liderança da geral da prova.

A etapa de ontem era tida como crucial para aqueles que tem aspirações à geral (Carlos Alberto Bettancur, Rui Costa, Bauke Mollema, Vincenzo Nibali, Geraint Thomas). Com 3 contagens de 3ª categoria praticamente seguidas e uma de 2ª a finalizar, era expectável que um ou vários destes ciclistas pudessem executar o seu ataque na subida final. Para o camisola amarela à partida, o alemão John Degenkolb, seria bastante difícil sair da etapa como líder, apesar do facto do alemão conseguir suportar bastante bem a média montanha. A etapa veio provar isso mesmo: Degenkolb chegou incluído no 2º grupo a apenas 18 segundos do vencedor da etapa.

A etapa começou com as habituais fugas. O primeiro a tentar foi o combativo Thomas Voeckler (Europcar) logo nos primeiros quilómetros. Voeckler foi rápidamente alcançado pelo pelotão, sapiente do perigo a que se arriscava caso deixasse sair o antigo campeão nacional francês. Apesar da tentativa, Voeckler mostrou que ainda não está em forma. Poucos quilómetros depois, a Europcar não desistiu do objectivo de constituir um grupo de fugitivos. Perrig Quemeneur, homem que já tinha encetado uma fuga precisamente na 3ª etapa saiu do pelotão e com ele foram Valerio Agnoli (Astana), Laurent Didier (Trek) e Jesus Herrada da Movistar. Tendo em conta a perigosidade da fuga pela presença de Agnoli, o pelotão deixou ir o quarteto à vontade até ao quilómetro 111, altura em que começaram as inclinações do dia. Nesse preciso quilómetro, o quarteto tinha cerca de 6 minutos e meio de vantagem sobre o pelotão.

Os fugitivos tiveram tempo de passar pelas 3 montanhas de 3ª categoria. Nos Cote de la Clayette (km 137.5), Col de Champ de Juin (Km 156.5) and Col de Crie (Km 164) Agnoli passou na frente e colheu os 4 pontos em disputa para a classificação da montanha, pontos que se revelaram suficientes para retirar a correspondente camisola de líder da classificação a Christophe Laborie da Bretagne. Na contagem de 2ª categoria, o homem da Bretagne foi um dos primeiros a descolar do pelotão.

À entrada da última montanha do dia, o Mount Bruilly, o pelotão tratou de anular a fuga de forma ao espectáculo poder começar.

A Sky chegou-se à frente do pelotão e começou a endurecer o ritmo para fazer a primeira selecção dentro do numeroso grupo. A 15,5 km do fim, o primeiro a abrir as hostilidades foi um dos principais favoritos à vitória na geral da prova, o colombiano Carlos Alberto Bettancur da AG25. Bettancur atacou precisamente numa fase da subida em que num espaço de 500 metros esta apresentava uma pendente média de 20%. Sem efeito, poucos metros mais à frente seria alcançado, crendo eu que o colombiano apenas quis testar o poder de resposta da Sky e da concorrência. Tanto Vincenzo Nibali como Rui Costa iam bem posicionados dentro do grupo e bastante atento às possíveis investidas dos adversários. Aos 14,4 km, Bettancur tentou novamente fugir. E o pelotão rompeu de vez num grupo de 40 a 50 unidades.

Com o ataque de Bettencur, abriu-se o precedente para mais ataques. Mal o colombiano foi alcançado novamente, Tom Jelte Slagter fez o ataque decisivo. Saíndo que nem uma bala do pelotão, rapidamente ganhou 7\8 segundos de vantagem para o mesmo. Ninguém respondeu no pelotão. 600 metros após, foi Geraint Thomas da Sky a sair do pelotão para alcançar o ciclista holandês da Garmin. Rui Costa chegou-se à frente do pelotão para encetar a perseguição mas não teve grande colaboração. O grupo principal haveria de deixar os dois ciclistas vencer a etapa precisamente porque nunca se conseguiu organizar para os perseguir. Até ao final da subida, também iria sair o jovem holandês Wilco Kelderman da Belkin, jovem em quem a equipa holandesa deposita grandes esperanças para o futuro, posicionando-se num ponto intermédio entre os dois da frente e o grupo principal. Num grupo secundário, bem próximo do grupo principal já estava John Degenkolb. O ciclista da Giant-Shimano era o homem que mais ia trabalhando na frente do grupo para conseguir a recolagem.

Iniciou-se a longa descida que iria levar os ciclistas à recta da meta com Thomas e Slagter na frente e Kelderman entre o grupo principal e os homens da frente. A 8 km da meta, tentaram sair do grupo 2 homens bastante perigosos: o dinamarquês Jakob Fuglsang da Astana e Romain Bardet da AG2R. Conseguiram alcançar alguns metros de vantagem mas nunca se constituíram como perigo tanto para os homens da frente como para os ciclistas do grupo principal. Thomas e Slagter iam trabalhando muito bem na frente para terem hipóteses de disputar a vitória na etapa. Para Geraint Thomas, mesmo que não conseguisse vencer a etapa, estava em condições de assumir a amarela da prova.

Apesar de Wilco Kelderman se ter aproximado muito rapidamente aos dois da frente, o sprint final pela vitória iria pertencer aos dois homens da frente com o holandês a deter uma ponta final mais forte que Thomas. O grupo dos favoritos acabou por alcançar Kelderman, terminando o holandês na 3ª posição e todo o grupo a 5 segundos dos vencedores. No grupo principal chegaram Arthur Vichot (Française des Jeux), Rui Costa (11º), Jon Insausti (Movistar), Carlos Alberto Bettancur, Frank Schleck (Trek), Jakob Fugsland e Vincenzo Nibali, e John Gadret (Movistar). A 18 segundos chegou o líder Degenkolb num grupo que incluía André Cardoso (Garmin), Maxime Monfort e Tony Gallopin (Lotto-Belisol).

Com atraso significativo de 57 segundos chegou Chavanel (IAM). O francês foi uma das baixas logo no início da segunda categoria por causa de um furo. Jerome Pineau, outro dos chefes-de-fila da suiça IAM, apanhou quase 4 minutos. O português Nelson Oliveira chegou incluído no grupo de Andy Schleck a mais de 7 minutos. Mais uma vez o luxemburguês voltou a desiludir. Apesar de ter considerado que se encontra motivado e a preparar forma para voltar em grande às competições por etapas de 3 semanas, o que é certo é que (um dos chefes-de-fila da Trek) não está a conseguir re-encontrar o ritmo que possuía noutros tempos depois da grave lesão que o deixou de fora durante vários meses.

Na geral, Geraint Thomas assumiu a amarela, detendo uma vantagem de 3 segundos sobre John Degenkolb e de 4 sobre Tom Jelte Slagter. Rui Costa posicionou-se na 14ª posição da geral a 19 segundos da liderança. Na geral da montanha, Agnoli assumiu a liderança com 12 pontos, mais 3 que Christophe Laborie.

5ª etapa – hoje

bettancur

Na etapa que ligou Crêches-Sur-Saône a Rive-de-Gier, na distância de 153 km, os ciclistas tiveram pela frente uma etapa muito semelhante à do dia anterior com 3 contagens de 3ª categoria (2 no início da etapa, outra a meio) e uma contagem de 2ª muito próxima da meta. Carlos Alberto Bettancur conseguiu a vitória que tanto procurava na prova ao atacar na descida final a 9 km da meta.

Thomas Voeckler voltou a fugir nos quilómetros iniciais da prova. Com ele levou Florian Guillou da Bretagne. Mais uma vez, a Bretagne escolheu os primeiros quilómetros da etapa para ser vista. A fuga não durou muito. Ao quilómetro 11, um quinteto de luxo tentou a sua sorte: quase afastado da geral da prova e com uma etapa propícia às suas características, Sylvain Chavanel tentou a sorte em conjunto com Jan Bakelants da Omega, Matthew Busche da Trek, Gorka Izaguirre da Movistar e Brice Feillu da Bretagne. O melhor classificado na geral era precisamente Bakelants, a 19 segundos de Geraint Thomas.

A fuga mostrou algum entrosamento. Chavanel venceu os pontos em disputa nas 2 3ªas categorias dispostas enquanto Bakelants venceu os sprints intermédios posicionados ao quilómetro 87.5 e 126.5.

Pelo meio, Nacer Bouhanni, o vencedor da 1ª etapa da prova, anunciava o seu abandono.

Sylvain Chavanel decidiu investir sozinho. No entanto, lá atrás no pelotão, a Team Sky não ia dando hipóteses. Rapidamente engoliram o quarteto que ficou para trás e prosseguiram rumo a Chavanel. Entretanto, na apróximação ao cote de St Catherine, a AG2R tinha 3 contratempos quase seguidos: Romain Bardet e Samuel Dumoulin tiveram problemas mecânicos e Maxime Bouet caiu no meio do pelotão. No topo da contagem, Vincenzo Nibali decidiu atacar e levou consigo Bettancur, Geraint Thomas, Tom Jelte Slagter (provou hoje que também procura qualquer coisa na geral) e Jakob Fuglsang. Apenas Bettencourt e Fuglsang vingaram a sua investida, sendo acompanhados por outro ciclista que saltou do pelotão, o luxemburguês Bob Jungels da Trek. Rui Costa não conseguiu responder a estas movimentações. Mais uma vez, a equipa Lampre mostrou incapacidade para tomar a cabeça do pelotão e ajudar o seu líder.

Na descida final, o trio haveria de chegar junto, com Bettencur a vencer o sprint final. Ganhou 2 segundos a todo o pelotão mais bonificações. Com a vitória, o colombiano subiu ao 4º lugar da geral a 5 segundos de Degenkolb. Rui Costa chegou na 12ª posição e na geral ascendeu também à 12ª posição da geral a 19 segundos da liderança.

O português expressou o seu feedback sobre a etapa no seu diário: ““Foi uma etapa idêntica à de ontem com a agravante de ter chegado Betancour na frente e ter bonificado dez segundos. Ele, Geraint Thomas e Nibali são os mais perigosos neste momento para a classificação geral, mas pode haver surpresas. As minhas pernas não se portaram mal mas espero que amanhã estejam melhores.”

O líder Geraint Thomas mostrou-se feliz com a liderança da prova na véspera da etapa que muitos consideram decisiva para a classificação final da prova: “I’m glad to still be in the yellow jersey. The guys did a great job again but we wouldn’t cover everybody. I saw there were Giant Shimano and Omega Quick Step guys with us and I banked on them to chase for a mass sprint and we nearly got it. In my mind, riders like Nibali or Betancur still remain the favorites, they have more GC experience than I do. Tomorrow will be a hard day with a 220 something stage and a steep hill finale. I hope to be there or thereabout.”

Na classificação da montanha, Sylvain Chavanel assumiu a liderança com os mesmos pontos de Valerio Agnoli.

Amanhã, o Paris-Nice tem a sua etapa mais importante. A etapa que liga San Saturnin-lès-Avignon a Fayance vai fazer diferenças. Uma contagem de 3ª categoria logo no início da tirada e 4 contagens seguidas a terminar (1 de 3ª, 2 de 2ª e 1 de 1ª categoria) serão o suficiente para um dos favoritos arrumar com a geral já amanhã.

Tirreno-Adriático

tirreno-adriatico

Começou na quarta em Itália, a prova que irá ligar a prova que irá rasgar a Itália a meio, fazendo a ligação entre a parte que é banhada pelo Mar Tirreno e a parte que é banhada pelo Adriático.

Na “carteira de clientes”, a prova italiana conta com a participação de ciclistas como Alejandro Valverde (Movistar), Alberto Contador (Tinkoff), Purito Rodriguez (Katusha), Mark Cavendish (Omega), Michal Kwiatkowski (Omega), Roman Kreuziger (Tinkoff), Peter Sagan e Ivan Basso (Cannondale), Richie Porte e Braddley Wiggins (Sky) ou Chris Horner (Lampre).

1ª etapa – quarta-feira

A organização da prova preparou um contra-relógio por equipas a abrir. No total de 18,5 km disputados entre Donorático e San Vincenzo, a Omega-Pharma de Mark Cavendish e Michal Kwiatkowski voltou a vencer este ano (ainda não passaram nenhuma prova que disputaram este ano em branco), tornando-se o britânico o primeiro líder da geral da prova e o polaco o segundo. A equipa belga foi a mais rápida no crono, deixando a Orica a 11 segundos e a Movistar de Alejandro Valverde a 18.

2ª etapa – hoje

pelucchi

Na 2ª etapa da prova, uma fuga a meio da etapa protagonizada por Daniel Teklehaymanot (MTN-Qhubeka), Marco Canola (Bardiani-CSF), Alex Dowsett (Movistar), David de la Cruz (NetApp-Endura) e Davide Malacarne (Europcar) obrigou a Omega-Pharma-Quickstep a trabalhar no duro para manter a ordem. A 60 km da meta, o quinteto da frente chegou a ter 4 minutos e meio de vantagem. Ajudados pela Tinkoff (a trabalhar para Bennatti), as duas equipas conseguiriam alcançar o grupo de fugitivos.

Seguiram-se os habituais comboios. A Lotto chegou-se à frente e fez a papa para André Greipel, bem marcado de perto por Arnaud Demare (FDJ). Mark Cavendish não se conseguiu posicionar bem para o sprint final. Contudo, foi outro dos que vinha literalmente na roda do alemão, o jovem Matteo Pelluchi da IAM Cycling que conseguiu triunfar nos metros finais.

Na classificação geral, tudo na mesma.

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