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O adeus dos “Lobos” ao Mundial 2015. Derrota por 34-18 em Sochi na Rússia. Ao intervalo, após uma primeira parte de sonho num terreno muito difícil, a selecção portuguesa perdia apenas por 4 pontos (13-17).

Como é habitual na selecção portuguesa, os primeiros 10 minutos da 2ª parte foram um pesadelo e os russos construiram a vantagem final.

Gorada a hipótese de chegar ao evento de 2015, urge começar a preparar os próximos Torneios Europeus das Nações (15\16, 17\18; esta última é simultaneamente a fase de qualificação para o mundial de 2019). Para esse efeito, muito tem que ser mudado e trabalhado no rugby português:

  • As condições de utilização de jogadores não tem sido iguais para todas as Federações\Selecções. Apesar de ser uma prova de qualificação para o mundial, a organização está a cargo da Federação Europeia, a FIRA\AER. Como alguns dos maiores campeonatos do rugby europeu não param durante esta fase (mesmo apesar de estar a decorrer o Torneio das 6 Nações) algumas equipas onde alinham jogadores convocáveis para a selecção portuguesa não são obrigadas a libertar esses jogadores. O que por norma acontece é que os jogadores portugueses acordam com os seus clubes datas para serem libertados de forma a poder jogar pela selecção, datas essas que não incluem todos os compromissos da selecção. O mesmo acontece com as selecções Romena e Georgiana. Contudo, com outro tipo de apoio financeiro que a Federação Portuguesa de Rugby não dispõe, essas selecções acabam literalmente por pagar aos clubes o salário correspondente aos dias de utilização dos jogadores em questão, coisa que a FPR não faz porque não tem poderio financeiro. A Federação Portuguesa de Rugby deverá solicitar à FIRA\AER a permissão para obrigar os clubes a libertarem os atletas. Não é justo que a Roménia faça alinhar os 14 ou 15 jogadores que jogam em França semana após semana e que Portugal apenas possa utilizar os jogadores que alinham lá fora 2 ou 3 vezes a cada 5 jogos. É pura e simplesmente desigual e dificulta ainda mais as escolhas do seleccionador e o desenvolvimento da equipa que se pretende formar.
  • Muito se tem falado da democratização do jogo em Portugal. O rugby português está, quase na sua totalidade, implantado na região de Lisboa. Nos 12 clubes de 1ª divisão, apenas 3 (CRAV, Académica, CDUP) são do Norte. Desses 3 clubes, apenas 1 jogador tem sido convocado para a selecção (Pedro Bettencourt Ávila), jogador que de resto foi aquele que teve melhor prestação neste torneio. A Selecção Portuguesa de Rugby tem sido tratada quase como uma coutada familiar. Noutros casos, tem sido tratada como um balão experimental. Ou seja: há uma tendência clara para convocar jogadores de Lisboa em detrimento de outros talentos que vem surgindo nos clubes de província. Quando os jogadores de Lisboa não satisfazem, a Federação Portuguesa trata de ir às 3ªas e 4ªas divisões francesas buscar luso-descendentes que em nada são melhores que alguns miúdos da Académica ou do CDUP. Se a Académica e o CDUP tivessem maus planteis, coisa que não tem, ou escolas de formação piores que as equipas de Lisboa, facto que também não tem, compreendia perfeitamente a não convocação de atletas desses clubes. Como ao nível da formação, tanto a Académica como o CDUP são equipas consagradas constantemente com a obtenção de títulos nacionais e Taças de Portugal e tem sempre dezenas de atletas nos estágios das selecções, não consigo perceber porque é que chegam à selecção sénior e são descartados ora por jogadores de equipas Lisboetas que não tem qualquer caminho percorrido nas selecções jovens, ora por luso-descendentes cuja qualidade deixa a desejar.
  • Outro dos argumentos que tem sido utilizado para justificar a estagnação do rugby português nos últimos anos é o défice que a modalidade tem em cativar os jovens à sua prática. Primeiro, nos grandes centros urbanos onde é praticada a modalidade, esta é tida como elitista. É um facto. Segundo, os clubes não fazem divulgação alguma das suas actividades. Tem sobrevivido quase às custas da captação de filhos de antigos jogadores. O próprio site da Federação Portuguesa de Rugby é obsoleto, desactualizado. Não basta realizar semestral ou anualmente meia dúzia de actividades com jovens para tornar a modalidade mais apetecível. É preciso levar a modalidade aos jovens e o melhor veículo que existe para tal efeito é inserir a modalidade no desporto escolar. Só a partir do desporto escolar é que o interesse dos jovens pela prática federada da modalidade pode ser incutido assim como a criação de clubes em regiões do país onde o rugby é neste momento uma modalidade tida como demasiado complexa e até mesmo longínqua (coisa de lisboetas ricos).
  • A questão dos seleccionadores nacionais. O maior erro cometido na Selecção Nacional de Rugby foi a saída de Tomaz Morais após o Mundial de 2007. Compreendo perfeitamente as razões de Tomaz Morais. Em 2007, o seu ciclo tinha terminado, os objectivos a que se propôs tinham sido cumpridos e era altura de abraçar outros desafios profissionais. A estrutura existente na FPR também não ajudou em nada à manutenção do técnico. A modalidade permaneceu amadora, as condições de treino existentes no Jamor são péssimas e no caso concreto dos jogadores, para alguns representarem a selecção, tem que abdicar bastante da sua vida profissional e pessoal. No entanto, a FPR teve culpas no cartório: deixaram Daniel Hourcade (adjunto de Tomaz Morais) ir embora para a Argentina quando no fundo, o argentino poderia ser uma excelente continuação do trabalho realizado até então. Errol Brain mal aqueceu o lugar. Não sei quais foram as razões que levaram à sua demissão mas boa coisa não deverá ter sido. O nosso staff técnico comparado com o de outras selecções (basta referir que a Geórgia tem um batalhão de treinadores para todos os departamentos de jogo; treinadores de avançados, de 3\4, um especialista no treino de touches e melées; um treinador de pontapeadores) é incipiente e muito mal formado. Constituído essencialmente por antigos jogadores. Tenho muito respeito tanto pelo Frederico Sousa como pelo João Uva, foram 2 dos melhores jogadores de sempre do rugby português, conquistaram 2 feitos únicos para o rugby português (a vitória no Torneio Europeu das Nações em 2005 e a qualificação para o mundial de 2007) mas neste momento não são as melhores opções para comandar os destinos da selecção nacional. É preciso evoluir. E para evoluir só vislumbro uma de duas soluções: ou o regresso de Tomaz Morais ou a contratação de um técnico estrangeiro devidamente credenciado no desenvolvimento de selecções menores no panorama internacional.
  • As apostas tem que ser equilibradas. Eu sei que é muito bonito para o principal patrocinador da FPR (a Unicer; no passado mês de Fevereiro voltaram a renovar o patrocínio com a federação por mais 3 anos) ter uma equipa de sevens nas World Series (pese embora o facto de neste momento termos um estatuto consolidado na variante) mas tem-se denotado nos últimos anos uma aposta quase total na variante de 7 em detrimento da aposta na variante de 15.

 

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