a tal inteligência que apregoava no post anterior

alen halilovic

o rapaz tem cara de menino, um corpo franzino cuja envergadura é inferior a maior parte dos jogadores que compõem os planteis de iniciados dos grandes portugueses mas tem um enorme talento nos pés. Alen Halilovic, grande promessa do futebol croata, confirmou hoje (em conjunto com o clube catalão) a sua transferência para o Barcelona na próxima época a troco de 10 milhões de euros.

apesar de, considerar imoral que um menor de idade custe tamanha saca de notas. a ver vamos, se a transferência do jovem croata não vê, a semelhança de Neymar, o seu valor inchado daqui a uns meses.

da escola croata nada me surpreende. a cada geração, o viveiro croata é capaz de bombear 3 ou 4 grandes tecnicistas que se tornam estrelas do futebol mundial. relembro os gloriosos tempos em que os croatas tinham como figuras de proa Robert Prosinecki (aquele que colocava a bola onde queria, aquele que tinha literalmente nos pés uma régua e esquadro para fazer dos esférico pura geometria; aquele que tinha o dom de resolver jogos só quando lhe apetecia) Zvonimir Boban (qual relógio certinho ainda me lembro daquele sinistro, termo bem italiano, meio-campo do Milan composto por Albertini, Donadoni, Boban e Savicevic; é certo que esta já era a fase milanesa pos-trauma, ou seja, pós Gullit e Rijkaard; os intocáveis) Alen Boksic, Slaven Bilic, Zvonomir Soldo ou a loucura incorrígivel de Mario Stanic.

ah, a inteligência. vi Alen Halilovic jogar meia dúzia de vezes. algumas pelo dinamo de zagreb, outras pelas selecções croatas. a última vez que o vi jogar foi no mundial de sub-17. percebo perfeitamente porque é que o Barcelona se antecipou à concorrência. apesar de poder alinhar nos flancos, o jovem croata é uma mistura de Messi com Xavi e Iniesta crendo eu que este vai aprender a dirigir a orquestra com os últimos dois. 3 num só. nunca erra um passe, tem uma visão de jogo fora de normal, um fantástico drible, uma fantástica capacidade de acelerar o jogo e fazer uma equipa jogar, uma fantástica contemporização de jogo (nada usual para um jovem de 17 anos) e uma maturidade incrível. acima de tudo, uma maturidade incrível. dentro e fora dos relvados. reza a imprensa croata, a título de exemplo, que quando acaba o treino do zagreb, o jovem fica no campo a ensaiar jogadas sozinho ou simplesmente a dar toques na bola. reza a imprensa croata que este ganhou dentro do plantel do dinamo de zagreb que este, estreante em 2012 na equipa principal do clube, já assumiu por completo o estatuto de líder do plantel.

porquê o barcelona? – quem é que não gosta de aprender com quem sabe? quem é que não gostaria de ter como tutores Xavi e Iniesta?

porquê o barcelona se, pelo que os dirigentes dos blaugrana afirmam, o jogador irá competir na equipa b e aparecer esporadicamente nos treinos da equipa A? – em Barcelona, a filosofia herdada dos holandeses não dá azo a brincadeiras. Nestes últimos anos, a filosofia de jogo do clube é aplicada desde o mais tenro escalão de formação até à equipa sénior. Todas as contratações feitas pelos catalães obedecem a um critério base, a uma motriz essencial: o jogador tem que ter qualidades (futebolísticas e mentais) para encaixar na filosofia de jogo do clube. Ponto final. Puxando pela cabeça, desde que esta filosofia foi adoptada em definitivo em Barcelona (2001 ou 2002) poucos foram os contratados (de luxo) que não encaixaram por completo nesta filosofia – Zlatan, Afellay, Touré, Quaresma – se bem que, no caso do holandês, o clube blaugrana deu um tratamento especial – sendo holandês, estando habitual ao futebol de carrossel (nao fosse o tiki-taka uma versão aprimorada do futebol total de Michels) lembro-me perfeitamente que Guardiola optou por congelar a utilização do jogador nos primeiros 6 meses no clube para que este pudesse inserir-se dentro dessa mesma filosofia. É neste contexto que Halilovic vai inserir-se na cidade condal: irá para a equipa b aprender a filosofia do clube, podendo esporadicamente aparecer nos treinos da equipa A para aprender in loco com quem, decerto, irá substituir no futuro, e, lentamente, ser inserido na rotação da equipa. É portanto, à semelhança de muitos, como Messi, um daqueles que será “trabalhado com pinças” na cidade condal de forma a não queimar etapas, logo, a não fracassar. Noutros clubes de topo sabemos que isso não acontece. Em qualquer dos grandes italianos, Halilovic seria inserido às três pancadas no onze titular, repleto de pressão para mostrar serviço logo nos primeiros jogos.

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