Pré Portugal X Camarões

Foi hoje divulgada a convocatória para o jogo de dia 5 de Março contra a congénere dos Camarões, nessa convocatória Paulo Bento surpreendeu a generalidade dos seguidores atentos do futebol português, uma vez que optou por fazer deste jogo de preparação uma oportunidade para observar alguns elementos que se podem estrear pela selecção principal e por deixar de fora outros elementos que costumam ser os habituais convocados. No entanto continuam a não deixar de ser estranhas algumas escolhas e se me agrada o facto de abrir as portas a novos elementos, desagrada-me que as portas continuem abertas a unidades que não merecem constar desta lista.

Logo na posição de guarda-redes pode-se dizer que Eduardo não merece tanto aquele lugar como poderia merecer Ricardo da Académica (também pré convocado por mais que uma vez, mas nunca tendo a real hipótese de jogar), o Braga tem estado mal e muitas vezes Eduardo tem tido créditos nisso. Depois Anthony Lopes, por muito que lhe reconheça talento, acho que a política dos meio portugueses ou naturalizados deveria ser totalmente banida das selecções, pois só vem descaracterizar aquilo que deve ser a selecção e acaba por fechar portas a outros elementos com tanto ou mais valor, mas menos visibilidade, no entanto este caso ainda é dos menores a ter em conta.

No eixo defensivo quase nada se altera, apenas realço que Paulo Bento podia ter sido mais ambicioso e ter deixado Coentrão de fora para testar outra alternativa à esquerda e podia muito bem deixar Ricardo Costa em Valência procurando também uma solução mais válida e capaz para ocupar a sua posição como por exemplo Paulo Oliveira (Vit. Guimarães). Depois não compreendo como é que Cedric não consta desta convocatória e se alguém me quiser tentar explicar por a+b fico agradecido.

A espinha dorsal também pouco é alterada, entram para a convocatória Rafa e Ruben Amorim onde o primeiro merece claramente o lugar dadas as boas exibições e a qualidade que já mostrou. Apesar do mau momento geral do Braga, este tem sido dos poucos que rema contra a maré e é claramente uma mais valia, quer nos minhotos, quer para a selecção. Precisamos de um desequilibrador criativo no meio, com bastante qualidade e o lugar assenta que nem uma luva neste miúdo, veremos se é para ficar. Já Ruben Amorim aparece aqui a fazer valer o lugar de tapa buracos, podendo jogar em quase todo o lado do meio campo e ainda a defesa direito, no entanto mais uma vez não se percebe como Adrien Silva fica de fora!

Por fim, na linha da frente considero a inclusão de Ivan Cavaleiro e Edinho ridículas. O primeiro claramente vai porque querem fazer dele o novo Eusébio, o segundo vai porque é um tosco e o outro tosco lesionou-se podendo vir a falhar o mundial. Considero a segunda opção mais grave que a primeira e acho que se o critério aplicado a Cavaleiro fosse o mesmo a aplicar para decidir quem  poderia ocupar o lugar de Postiga, então Mané teria de ser o escolhido, compreendo que são posições diferentes e ter apenas Hugo Almeida como referência do ataque seria impossível, mas porquê Edinho e porque não Luís Leal (ex Estoril)?

De destacar a não convocatória de Quaresma e Fernando é compreensível, mas se tivermos em conta que Josué está incluído no lote é um crime o Português não ser chamado, já o brasileiro se quer ir ao Mundial deveria esforçar-se por impressionar Scolari e se vier a ser chamado por Portugal estamos perante mais uma situação do ridículo e mesquinho do nosso futebol! Sobre Fernando o seleccionador disse mesmo que “Não está nem podia estar pré-convocado ou convocado. É um problema que está à margem da questão desportiva. Tal como disse em relação ao Quaresma, o mesmo se passa com o Fernando ou com outro jogador. Não significa que não possa vir a estar na convocatória para o Mundial” o que me leva a crer que é mais um que já está inserido na lista definitiva.

Custa-me também não ver Sílvio (pode fazer a direita e a esquerda apesar dos problemas físicos), Tiago Gomes (o Estorilista era uma boa opção para a esquerda), Luís Gustavo e Pedro Santos (Rio Ave) e Diogo Viana (Gil Vicente) ou Miguel Rosa (Belenenses). Isto permitiria ver jogadores com algum nível, das competições internas e motivaria certamente ao esclarecimento de algumas dúvidas. Já de jogadores a jogar fora, gostaria de ter visto uma oportunidade dada a Ruben Vezo ou a Bruno Fernandes, ambos merecedores de uma chamada mesmo que para o banco da selecção.

Em conclusão acho que esta convocatória não passa de um rebuçado e que a convocatória do Mundial já está escrita e assinada por Jorge Mendes e Paulo Bento, sendo possível que haja uma ou duas surpresas, não vejo espaço a tantas modificações como as que se vêm para este particular.

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4 thoughts on “Pré Portugal X Camarões

  1. Simões, discordando da algumas das tuas opiniões, aqui deixo as minhas:

    1. O Eduardo merece estar na convocatória porque é injusto sair neste momento. Participou em toda a ronda de qualificação, abdicou de tempo pessoal onde poderia estar com a família e\ou evoluir no clube para ser suplente. Penso que isso é abonatório do gosto em que o atleta tem em representar a selecção mesmo que não seja utilizado. O Ricardo é um excelente guarda-redes e quem sabe até poderá ser convocado depois do Mundial. Dou-te um exemplo claro: na ronda de qualificação para o Mundial de 2002 quem fez praticamente todos os jogos foi o Ricardo. Penso que só num ou noutro é que o Quim jogou. No entanto, na altura, o António Oliveira deu a titularidade no torneio ao Baía que não tinha sido convocado para nenhum jogo. O Oliveira foi extremamente injusto para com o Ricardo, indiferentemente do facto do Baía ter realizado uma boa temporada em 2001\2002. Se não fosse ele, nesse ano o Porto não seria 3º, seria 7º.

    2. O Anthony Lopes não é naturalizado. As pessoas que nascem no estrangeiro são registadas (na maior parte dos casos) no mesmo dia na nacionalidade do país onde nasceram e na nacionalidade do país dos pais. O Anthony Lopes é filho de portugueses, sente-se português, identifica-se com a cultura portuguesa, fala português, sente o desejo de representar a selecção Portuguesa. Outra coisa diferente é quem não nasceu cá e só quer ser internacional português para não ser extra-comunitário numa grande liga europeia. Caso dos brasileiros (em parte) ou de malta que nunca soube o que era Portugal até poder ser convocável, casos do Amaury Bischoff, do Aladje. Jogadores que mal falavam (falam) a língua portuguesa.
    Acresce que, pelo que tenho visto, o Anthony Lopes é um excelente guarda-redes. Tem muito potencial e neste momento está a exibir-se uns furos acima do Beto, por exemplo. Foi convocado durante a qualificatória e como tal penso que é justo ser convocado.
    Se as selecções seguissem o teu raciocínio, selecções como a suiça, austrália, sérvia, montenegro, croácia, albânia, irlanda do norte não teriam metade dos actuais seleccionáveis visto que grande parte desses elencos é composto por jogadores que vieram da imigração (mas foram educados de acordo com os padrões dos dois países) ou que nasceram fora do país mas são filhos de nacionais desse mesmo país.

    3. Rafa e Ruben Amorim – concordo – estão em boa forma. O ruben amorim está a ser competente no benfica e faz bem aquilo que o jorge jesus lhe pede (uma formiguinha sempre a pressionar a equipa contrária). Para além disso tem a versatilidade que a equipa necessita apesar de termos excelentes laterais direitos, alguns deles, como disseste no caso do Cedric que não tem espaço nas escolhas do seleccionador. Num Mundial dá sempre jeito as selecções terem 1 ou 2 jogadores capazes de fazerem várias posições. O Rafa ocupa uma vaga na qual a selecção tem alguma carência. Na verdade, nós temos jogado com 2 médios de funções semelhantes no meio-campo (Meireles e Moutinho). Quando quisermos meter um jogador nas costas do ponta-de-lança não temos. Quando quisermos meter em campo um jogador que sirva de vagabundo no último terço, não temos. A convocação do Rafa é benéfica apesar de não defender que os jogadores deverão queimar etapas no seu crescimento.

    4. Paulo Oliveira, Luis Gustavo, Tiago Gomes – falta-lhe estaleca de alto nível. Ainda não ganharam nada na vida, ainda não tiveram oportunidade de sentir a pressão inerente ao facto de jogarem num grande. Ainda não disputaram qualquer torneio de selecções nas camadas jovens. O primeiro poderá ser uma interessante escolha para a posição se continuar a crescer como tem crescido. Até porque os nossos centrais estão todos a dar as últimas no que à selecção diz respeito. O último não será jogador de selecção. Provavelmente nunca chegará a um grande sequer.

    Não é a 6 meses de um mundial que vais inserir essa malta toda na selecção. Isso faz-se nos amigáveis depois das grandes competições (renovações) de forma a inserir esses jogadores no lote de seleccionáveis.

    5. Ivan Cavaleiro – ridículo. simplesmente ridículo.

    6. Edinho – na falta de melhor…

    7. Quaresma – Como já tive oportunidade de escrever neste blog, penso que ele ainda não tem condições para regressar à selecção. Voltou à competição há um mês atrás, tem feito algumas exibições interessantes mas ainda não tem o ritmo necessário para entrar nos convocáveis, facto que poderá ocorrer no primeiro estágio da selecção caso consiga aumentar ligeiramente o rendimento. Está no bom caminho até porque não se sabe se o Bruma irá recuperar a tempo do Mundial.

    8. Ruben Vezo e Bruno Fernandes – nem pensar. demasiado verdinhos para a selecção. Ainda tem que queimar as suas etapas nos sub-21.

    • Respondendo então ao que me contrapões eu não posso concordar com isto:

      “1. O Eduardo merece estar na convocatória porque é injusto sair neste momento. Participou em toda a ronda de qualificação, abdicou de tempo pessoal onde poderia estar com a família e\ou evoluir no clube para ser suplente.” – então se temos alguém que se está a exibir melhor é apenas pelo facto de o outro ter investido mais tempo que vamos cortar logo essa opção da lista? Acho que não podemos ver as coisas assim. Claro que temos de dar estabilidade a uma das posições mais fulcrais do futebol, mas Rui Patrício será o titular indiscutível e o Beto é uma boa segunda opção, não vejo porquê de não apostar no Ricardo para terceira opção em detrimento do Eduardo que está bastante a baixo do nível exibicional que já mostrou conseguir (desde o Génova nunca mais vimos um Eduardo sólido como foi em Setúbal ou na primeira passagem do Braga). Claro que se me alegares que a terceira escolha deve ser um jovem de valor e que representa o futuro da baliza das quinas, aí concordo, basta vermos como o RP cresceu até se tornar o monstro que é.

      2- O caso específico da Sérvia, Bósnia, Macedónia, vá os países de leste é complicado de aplicar aquilo que defendo, uma vez que a maior parte deles se desagregou da URSS e se veio a unificar e reestruturar ao longo do tempo, basta ver a Sérvia e Montenegro que foram dos últimos a tornarem-se independentes e aí aplicou-se a decisão dos jogadores escolherem por quem querem jogar. O que eu defendo neste caso é claro no sentido dos luso brasileiros, ainda assim, o caso do Anthony Lopes deixa-me com algum fastio, por exemplo o Cedric e o Adrien também nasceram fora, mas voltaram para cá, acho que sentem muito mais o país e a bandeira do que o Lopes, mas posso estar enganado, no entanto a minha guerra é mesmo com as naturalizações e luso descendências encapotadas. Por exemplo eu preferia que Nani jogasse por Cabo Verde e que o William jogasse por Angola porque tornava o futebol muito mais interessante, sei que as ligações dos países (ex colónias) contam muito, mas acho que estas regras deviam ser mudadas a bem da competição do futebol global.

      4- O facto de defender que devem ser chamados não quer dizer que sejam chamados para o Mundial, mas quer dizer que lhes dá experiência de selecção. O caso do Tiago Gomes é diferente, ele cresceu no Benfica, depois como quase todos não teve lugar nos seniores e foi à sua vida, neste momento é capaz de ser dos melhores laterais portugueses (esquerdos) que joga com regularidade e no mesmo sentido que defendo o Ricardo, defendo este rapaz, se for para segunda opção porque não testá-lo para ver se dá ou não? Ganhas mais do que perdes, tal como ganhas mais em levar o Paulo Oliveira no lugar do Ricardo Costa ao amigável, um já sabes como joga, o outro tens de o ver a actuar para ver se corresponde ou não à pressão que é vestir a camisola das quinas.

      7- Queira-se ou não foi o único a par de Varela que deu alguma coisa ao FCP nestes últimos meses… Claro que não tem os indíces físicos adequados, nem tem as relações com PB sanadas, ainda assim e dada a falta de extremos acho que era aproveitar o último Mundial que ele pode fazer.

      8- Na mesma teoria do Paulo Oliveira, era chamar a prever o futuro, mas se um deles pudesse entrar na Lista para o brasil para ganhar bagagem futura porque não?

  2. Simões:

    No que diz respeito aos guarda-redes mantenho a minha opinião. Deve-se premiar o esforço a dedicação mantida pelos atletas durante a fase-de-qualificação. Senão, o próprio seleccionador estará a ser incoerente com as suas próprias escolhas. É certo que tanto o Eduardo e o Beto não tem estado melhor que o Anthony Lopes e que o Ricardo da Académica. Mas também é certo que a meritocracia premeia o desempenho dos atletas num longo espaço de tempo. E quer queiramos quer não, tanto o Eduardo como o Beto tem um desempenho aceitável, já não estão na selecção há meia dúzia de dias e dão todas as garantias que o seleccionador precisa para desempenharem bem o seu papel caso o Rui Patrício se lesione. Além disso tu não podes levar o Ricardo ao Mundial pela simples razão que uma coisa é jogar sem pressão na Académica, outra coisa bastante diferente é jogar os quartos-de-final de um campeonato do Mundo. O Ricardo nunca jogou a esse nível, nunca foi testado na selecção a esse nível e muito provavelmente nunca será. Não podes levar às escuras um jogador sem saber o que ele realmente é capaz de fazer em jogos a doer.

    O mesmo critério se aplica aos miúdos que enunciaste. Poderão ter a sua hipótese já no próximo ciclo e aí veremos se se constituem ou não como soluções para o próximo mundial. Eu sinceramente não desgosto do Ricardo Costa e penso que o pintam mais do que aquilo que ele realmente é: ele já deu mostras de ser um jogador bastante competente em fases finais de europeus e mundiais, portanto não vejo razão para o tirar desta.

    Não leves a questão para a desagregação de antigas federações porque como sabes muito bem os ucranianos nunca se consideraram soviéticos (exceptuando a região da crimeia) bem como os croatas e bósnios sempre formaram blocos de resistência nacional ao poder sérvio. É claro que pelo meio existem bósnios-croatas, bósnios-sérvios, sérvio-croatas, esloveno-croatas. É difícil naquela zona não ter uma preferência política ou até uma filiação de vários países. Olha o caso do Januzaj… Eu não defendo a naturalização de jogadores. Desconfio sempre que eles tentam utilizar a cidadania portuguesa e o trampolim que é a selecção nacional para procurar algo mais para as suas carreiras. Não te esqueças que um brasileiro tem muitas dificuldades para entrar na liga inglesa, por exemplo.Outra coisa é quando um jogador nasce lá fora, é filho de portugueses, tem nacionalidade portuguesa desde o dia em que nasceu, assimilou todos os axiomas culturais e tradicionais portugueses, sente-se português, fala português, sente a portugalidade e quer representar a selecção portuguesa. O Anthony Lopes por exemplo até poderia ter algumas hipóteses de representar a selecção francesa. Afinal de contas é titular de um dos clubes de topo do campeonato francês. Também considero que outros, casos do Nani e do William, como também se sentem portugueses, vivem cá desde miúdos, fizeram formação cá, estudaram cá, tem cá família, são tão portugueses como nós. Não duvido que pesou imenso o facto da nossa selecção ter mais visibilidade internacional do que as selecções dos seus países de origem. Certo, pesou. Mas o que é certo é que ambos nem sequer ponderaram actuar por essas selecções e nas camadas jovens, mesmo sem saber se um dia teriam a possibilidade de actuar pela selecção A, preferiram jogar por Portugal. E tu, sabes tão bem melhor que eu a burocracia que depois dá mudar de selecção nos seniores. O que também não defendo são aqueles que fazem o percurso todo numa selecção até aos sub-21 e depois, como vêem que não irá conseguir alcançar a selecção A, mudam de selecção. Ou o caso do Diego Costa, que já alinhou pela selecção brasileira mas neste momento dá-lhe mais jeito alinhar pela espanhola.

    “Bagagem futura” – a bagagem futura não se ganha em mundiais Simões. Ganha-se em amigáveis e em jogos teoricamente mais fáceis das rondas de qualificação. No desporto, todos os atletas tem que passar por determinadas etapas. Não é uma questão de hierarquia, é uma questão de evolução saudável do jogador.

  3. Pingback: Adenda ao Pré Portugal x Camarões | Tudo Ao Molho!

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