mentiras que passam por verdades

Permitam-me o reparo.

Há uns meses atrás, quando ainda enfrentava o processo de recuperação financeira do clube e da SAD, o presidente do Sporting Bruno de Carvalho afirmou que as secções responsáveis pelas modalidades do clube teriam que ajustar-se à realidade financeira do novo Sporting e diminuir os seus orçamentos. Na altura, o presidente do Sporting anunciou uma diminuição geral de custos com as modalidades entre 30 a 50% daqueles que eram executados.

Os arautos da desgraça da nossa praça jornalística e da blogosfera (algum deles sócios do Sporting Clube de Portugal) trataram de advogar a morte de um dos capítulos mais importantes da história do Sporting: o seu ecletismo. Basta ler o que vários escreveram aqui, aqui, aqui.

Vamos aos números:

1. apesar dos cortes anunciados e postos em execução pelas respectivas secções, tanto as equipas de futsal como as andebol renovaram ou mantiveram os contratos de quase todos os jogadores dos seus planteis. As únicas excepções foram, salvo erro, Leitão (Futsal) e Hugo Figueira (Andebol). O primeiro por opção do técnico e da direcção da secção de futsal. O segundo por opção pessoal.

2. a qualidade na secção futsal diminuiu muito pouco. a equipa já falhou dois objectivos programados para esta temporada: a fase final da UEFA Futsal Cup (acontece aos melhores) e a final da Taça de Portugal (eliminados pelo Rio Ave). Contudo…

futsal

lideram a fase regular do campeonato e no próximo sábado podem até cavar o fosso classificativo para um dos mais directos perseguidores (o Sporting de Braga) caso consigam vencer a equipa Bracarense.

3. a qualidade da secção de andebol aumentou. O Sporting já não vence um título nacional há mais de 10 anos, isto é, se não contarmos os títulos de 1ª divisão obtidos em 2004 e 2005 quando a modalidade estava dividida em dois campeonatos de 1ª divisão (Liga e Federação; o Sporting jogou o da FPA enquanto as restantes potências da modalidade jogaram o da Liga). No entanto…

sporting 3

na presente temporada terminou a fase regular na primeira posição e transitou para a fase final em vantagem sobre o FCP, equipa que defronta no próximo sábado no arranque da round robin de 10 jornadas entre as 6 primeiras equipas da primeira fase. Em caso de vitória sobre os tetracampeões nacionais em título, o sporting poderá amealhar uma diferença de 4 pontos muito valiosa para a fase final pois dita-me a experiência (sem querer menosprezar o ABC e o Aguas Santas que são equipas capazes de se bater taco a taco com qualquer um dos 3 grandes) que é nos jogos entre os grandes que a coisa se resolve.

Como se esse facto não fosse por si só relevante, o Sporting está na fase 16 da EHF e já encaminhou praticamente o apuramento para os quartos-de-final da prova. A EHF Cup é a 2ª taça mais importante da nomenklatura de competições da Federação Europeia. Nunca antes uma equipa portuguesa conseguiu estar na fase 16 da prova e, na verdade, só o Sporting conseguiu vencer uma grande competição de clubes com a chancela da EHF: a Challenge Cup, em 2010. Escrevo que “encaminhou praticamente” porque apesar das 2 vitórias obtidas em 3 jornadas ainda faltam disputar 4 jornadas. Contudo, duvido que o Sporting perca na Macedónia com o Zomimak-M visto que a primeira mão foi esclarecedora no que toca ao potencial das duas equipas (39-22 para o Sporting). A equipa orientada por Frederico Santos é até a 2ª melhor marcadora na fase em disputa com 89 golos marcados, logo atrás da equipa que lidera o seu grupo: o poderoso Montepellier de Thierry Omeyer. Na primeira jornada, relembro que o Sporting venceu o vice-campeão dinamarquês, o Skjern, equipa onde alinham dois jogadores titulares da selecção dinamarquesa vice campeã mundial e europeia (Henrik Mollgard e Kasper Soondergaard) no seu reduto por 32-25.

Dito isto, só posso dizer: venham mais cortes nas modalidades. Com resultados assim, como Sportinguista quero um Sporting a gastar menos e a ganhar mais.

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2 thoughts on “mentiras que passam por verdades

    • Foram sim. Todo o universo Sporting sofreu cortes. A questão é que os cortes não foram feitos ao nível da folha salarial dos planteis mas sim no enorme staff técnico que algumas modalidades possuiam bem como no aluguer de pavilhões e nas luxuosas despesas que algumas secções apresentavam.

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