Ciclismo 2014 #12

Volta ao Algarve

Ontem – 2ª etapa – Lagos-Monchique 190 km

Kwiatowski 2

A opção que Rui Costa tomou no dia anterior (oferecer a vitória ao seu sprinter Sasha Modolo em cima da recta da meta) poderá não ter sido a mais a acertada. Na 2ª etapa da Volta ao Algarve, o português voltou a fazer novamente no 2º em Monchique, atrás do vencedor da etapa, o talentoso all-rounder Michal Kwiatkowski da Omega-Pharma-Lotto. O Belga já tinha triunfado numa etapa um tanto quanto semelhante no Challenge de Maiorca na semana passada. No Algarve, está a confirmar o excelente momento de forma que atravessa neste início de temporada. A Omega-Pharma-Quickstep está para já a confirmar-se como a grande dominadora deste início de temporada. Para além das vitórias individuais do ciclista polaco de 23 anos, a equipa já venceu no Dubai, no Qatar (geral inclusive) e em Oman, completando o pleno nas provas de World Tour até agora disputadas.

Depois de uma interessante primeira etapa, esperava-se que Rui Costa fosse capaz de vencer na serra de Monchique. Não se esperava que Alberto Contador quisesse entrar na luta pela vitória visto que é a primeira prova que está a realizar na presente temporada.

A etapa iniciou com uma fuga composta por ciclistas franceses. O sprinter Arnaud Demare (FDJ) Alexandre Pichot (Europcar) e Florian Senechal (Cofidis) decidiram atacar em conjunto com o primeiro de olho nas metas volantes posicionadas a meio da tirada. A Radio Popular-Boavista, líder da classificação das metas volantes através de Cesar Fonte não quis deixar escapar a oportunidade de salvaguardar a camisola no corpo do seu atleta até porque enquanto este a mantiver dá um mediatismo superior ao nome e à imagem do patrocinador da sua equipa. Fonte haveria de testar uma fuga com mais 4 ciclistas poucos quilómetros depois do trio da frente ter sido apanhado mas a Saxo-Tinkoff foi rápida a anular por completo a investida.

A presença da equipa dinamarquesa na frente indiciava que Alberto Contador tinha planos em mente para a subida final, nem que fosse apenas “esticar as pernas” para medir as respostas do corpo nestes primeiros dias de competição e o nível de preparação feita no estágio de pré-temporada. A subida esfumou-se sem existir um ataque. Na descida de 5 km até Monchique, o grupo dos favoritos entrou numa espiral de desconfiança mútua, Kwiatkowski decidiu avançar e cortou a meta em Monchique com 6 segundos de avanço para Rui Costa que bateu ao sprint os espanhóis Albert Contador e Eduard Prades da OFM-Quinta da Lixa. Mais atrás, a 17 segundos do polaco chegaria um grupo onde estavam Alexandre Geniez (FDJ) Chris Horner (Lampre-Merida) Jonathan Castroviejo (Movistar) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Antarte).

Na geral, o polaco ficou com a liderança da prova, com Rui Costa a 4s e Alberto Contador a 12s.

3ª etapa – hoje

Contra-relógio de 13,6 quilómetros entre Vila do Bispo e Sagres. Previa-se uma interessante batalha pela geral entre Michal Kwiatkoswski e Rui Costa visto que, apesar do polaco ser um especialista nesse departamento do ciclismo, o português também tem um rendimento muito interessante no contra-relógio curto. Relembro que o português é o campeão nacional em título. No ano passado, na prova disputada em Pataias (Alcobaça), Rui não deu qualquer hipótese à concorrência interna (os principais especialistas no contra-relógio curto como Tiago Machado ou Nelson Oliveira ficaram a mais de 1 minuto do campeão do mundo em 26 km de prova). Como principal candidato para vencer a ventosa luta contra o cronómetro no Sudoeste Algarvio estava o actual bicampeão do mundo da especialidade, o alemão Tony Martin da Omega-Pharma (outra vez arroz!), curiosamente o vencedor da geral da Volta ao Algarve em 2009 e 2013. Nas duas edições, o alemão cravou a sua diferença para os demais no Contra-relógio e, no caso de particular da edição de 2009, no Alto do Malhão, principal inclinação da prova. O Malhão será a atracção da etapa de amanhã.

Desta vez o campeão do mundo não conseguiu fazer a diferença. Kwiatkowski voltou a vencer de forma categorica, deixando a 11 segundos Adriano Malori da Movistar (outro dos candidatos à vitória na etapa, o espanhol Jonathan Castroviejo não conseguiu entrar sequer no top-10) e a 13 Tony Martin. Alberto Contador perdeu 20 segundos (4º) e Rui Costa foi 11º a 34 segundos.

Com a vitória na etapa, o ciclista da Omega-Pharma-Quickstep aumentou a sua vantagem para os mais directos perseguidores. Alberto Contador ascendeu à 2ª posição da prova com uma diferença de 32 segundos para o líder enquanto o português caiu para a 3ª posição a 38 segundos.

Amanhã corre-se a etapa decisiva da prova com a chegada em alto ao Malhão (1ª categoria).

Tour de Oman

3ª etapa – na quinta

Andre Greipel

(toda a gente sabe que essas pulseiras do equilíbrio não funcionam ó Greipel)

Quando toda a gente previa que os homens mais vocacionados para a média montanha pudessem atacar nas contagens de montanha destacadas nos últimos quilómetros da etapa que ligou Bank Muscat a Al Bustan (146 km), tudo acabou por ser discutido no sprint final com o alemão André Greipel a resolver novamente para a Lotto-Belisol.

Depois de uma fuga de 5 ciclistas pouco cotados que durou quase 100 km, a segunda ascenção da etapa separou o trigo do joio. Dario Cataldo comandou o pelotão e trabalhou para Chris Froome (Sky). Na roda de Froome seguiram Peter Sagan (Cannondale) Fabian Cancellara (Trek-Leopard) e do checo Zdenek Stybar (Omega-Pharma-Quickstep). Estes quatro haveriam de atacar, sendo apanhados a cerca de 1km para a meta pelo grupo principal. Para o efeito, valeu o trabalho conjunto de BMC, FDJ e Lotto. No Sprint final André Greipel voltou a superiorizar-se a Peter Sagan e ao jovem sprinter francês Nacer Bouhanni (FDJ) e segurou a liderança da prova.

4ª etapa – Ontem

Peter Sagan 2

A etapa que ligou Wadi Al Abiyad ao Ministério da Habitação na capital Muscat, na distância de 173 km, poderia ser decisiva no que diz respeito às contas da geral. Com 4 inclinações, 1 delas com algum grau de dificuldade, quem chegasse isolado à Avenida onde se situa o Ministério da Habitação daquele estado do médio oriente poderia não só ganhar a etapa como amealhar o tempo suficiente para vencer a geral da prova, apesar de, ainda existir um contra-relógio pela frente até domingo.

A prova começou com uma fuga muito precoce nos primeiros quilómetros. Valerio Agnoli e Liewe Westra (é o homem mais combativo da época até ao momento; ambos da Astana) tentaram a sua sorte ao quilómetro 9 com o brasileiro Murilo Fischer da FDJ. A fuga durou 6 km. 2 quilómetros depois, o sprinter belga Greg Van Avermaet (BMC) Yaroslav Popovych (Trek) e Huffman (Astana) tentaram a sua sorte se bem que penso que aqui a estratégia dos directores desportivos, em particular o da Astana, era o de pura e simplesmente obrigar a Lotto-Belisol e as demais interessadas (Sky, Cannondale, Omega-Pharma) a desgastarem-se na frente do pelotão. Não sendo um trepador de excelência, a presença de Popovych na frente da corrida poderia causar alguma ameaça às pretensões destas equipas.

A fuga teve algum sucesso. O trio conseguiu amealhar 5 minutos e meio de vantagem no momento em que abordaram a primeira montanha do dia. Lá atrás no pelotão, a vantagem amealhada levou a que a Lotto-Belisol, Omega e Saxo-Tinkoff assumissem as despesas da perseguição com a BMC a colocar 2 ou 3 elementos na frente para atrapalhar a organização desta.

Na terceira incursão pela montanha do dia, Popovych foi alcançado, ficando Van Avermaet sozinho na frente com 32 segundos de vantagem para o pelotão. Entretanto, na cauda do pelotão André Greipel começou a ficar para trás e nunca mais regressou ao convívio dos grandes. No final desta colina, o colombiano Sergio Henao disferiu o seu ataque, tendo passado no alto com 18 segundos de vantagem para o pelotão e 16 de desvantagem para Van Avermaet. O último só seria alcançado a 14 km da meta por um grupo de 60 unidades.

Na última ascenção do dia, a Sky foi para a frente e deixou Chris Froome sozinho. Na perseguição ao vencedor do Tour em 2013 estavam Rigoberto Uran (agora na Omega), Roman Kreuziger (Saxo-Tinkoff), Peter Sagan e Vincenzo Nibali (Astana). Froome passou a contagem de montanha na primeira posição mas rapidamente foi alcançado na descida por Uran, Sagan e Nibali que trabalharam em conjunto para anular a diferença para o britânico. Com 18 segundos para os perseguidores, o quarteto chegou ao fim da etapa e Peter Sagan foi como seria de esperar o mais rápido no sprint final.

O eslovaco assumiu a geral da prova com 10 segundos de vantagem sobre Rigoberto Uran e 14 sobre Vincenzo Nibali. André Greipel cruzou a meta a 21 minutos do vencedor!

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