Lá são estrelas, aqui eram miúdos!

Durante esta época desportiva tem sido evidente o despontar de jovem talentos que passaram por Portugal e nunca se afirmaram pelas equipas que representavam, porque não tiveram oportunidades ou porque simplesmente saíram das camadas jovens dos clubes que representavam para clubes de ligas superiores. Muito se tem ouvido falar de Ronny Lopes (Man. City), Bruno Fernandes (Udinese) e agora João Carlos (Liverpool), mas aquele que neste momento é mais regular e constantemente peça fundamental da sua equipa é Bruno Fernandes, o que pode levar a que seja uma aposta válida para o Mundial do Brasil, dadas as curtas opções que há para o meio campo luso.

Ronny Lopes

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Este é um jovem de dupla nacionalidade (nasceu no Brasil), mas está em Portugal desde muito pequeno, o que o levou a começar a sua formação no Poiares aos 11 anos. É médio ofensivo (pode actuar também como avançado), esquerdino, tem presença assídua nas selecções jovens e assume-se como um dos jogadores com mais potencial das camadas jovens lusas, pelo que não será de estranhar se muito em breve o virmos a ser chamado à selecção principal. Actualmente joga no Manchester City, onde conseguiu o seu maior destaque recentemente num jogo para a Capital One League Cup contra o West Ham. Não é demais relembrar que a sua estreia no plantel principal até ocorreu um ano antes, num jogo para a Taça de Inglaterra contra o Watford onde entrou já perto do fim e marcou um golo.

O seu percurso começou cedo no Poiares, aos 11 anos, começou desde logo a dar nas vistas e saltou imediatamente para o Benfica, onde começou a formação júnior. Manteve-se durante cinco épocas nos escalões jovens do Benfica e quando completou o primeiro ano de Júnior B (equivalente a 17 anos) foi recrutado para o City, onde completou a sua formação e chegou agora ao plantel principal e ao topo do futebol numa das ligas mais competitivas do mundo.

Bruno Fernandes

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Actualmente na Udinese, tem 19 anos e assume-se como uma aposta no meio campo da equipa, quer jogue a médio centro ou mais chegado a número 10, demonstra sempre uma enorme técnica e tem surpreendido bastante quem acompanha o campeonato italiano. Foi formado nas escolas do Boavista e saiu também antes de completar a formação júnior, acabando por chegar à Novara (clube que recentemente tem investido nos jovens portugueses), onde efectuou uma excelente temporada no campeonato Primavera (campeonato de juniores italiano) o que levou a equipa de Udine a investir na sua contratação.

João Carlos

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O mais recente dos portugueses a despontar no estrangeiro foi João Carlos, miúdo que passou pelas escolas do Sporting e de onde saiu no fim de completar toda a formação júnior. Neste caso, deu nas vistas no torneio NextGen series e destacou-se em vários jogos, mas especialmente em dois, num disputado em Anfield Road e noutro em Alvalade contra a equipa que o levaria. Também é médio centro e tem uma qualidade técnica individual e inteligência enormes, o que faz dele um valor de futuro a ter em conta no futebol europeu e de selecções.

Nestes três casos observamos situações em que o único denominador comum é a idade dos atletas e o seu percurso, porque cada situação individual é um caso diferente, no entanto não deixa de ser preocupante ver esta fuga de talentos e ver a incapacidade das equipas nacionais com mais poder económico e com maior dimensão em termos de títulos não conseguirem observar e resgatar estes talentos promovendo aquilo que de melhor conseguimos produzir em terreno luso.

No caso de Ronny Lopes admito que o City se precaveu de forma a incluir o jogador nos seus quadros com uma idade ainda jovem (17 anos), para conseguir retirar partido da inscrição posterior do jogador como formado no clube (basta que dos 17 aos 21 anos cumpra 3 anos no clube), aproveitando assim toda a sua qualidade e tornando-o numa aposta válida de futuro, já no caso de Bruno Fernandes a leitura que faço é praticamente a mesma, apenas com a nuance que neste caso, qualquer um dos grandes nacionais poderia ter estado mais atento e ter garantido o concurso deste miúdo, afinal de contas a Novara não é de todo um clube de topo, apesar de ter outra capacidade financeira e ser um aliciante para a entrada num dos campeonatos mais cotados do mundo. Por fim, o caso de João Carlos parece-me um caso em que numa casa onde se aproveita a formação que há, houve um excedente e aproveitou-se a situação para tentar capitalizar (na altura que João Carlos sai estavam a chegar as equipas B) e o facto de a transferência ainda ter rendido 1,2 milhões de euros deve ter pesado e muito, numa altura em que o dinheiro não abundava em Alvalade.

Espera-se que estes casos demonstrem aos clubes nacionais que o que se produz por cá tem qualidade para ter lugar nas melhores equipas do mundo e nas ligas mais competitivas e que isso seja o mote para se apostar cada vez mais no bom produto nacional que se forma por esses campos de futebol fora.

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