Superbock! Fresquinha! #57

Esta cerveja enfeitiçou-me!

Assim se explicam algumas das manobras que são feitas nos bastidores do nosso futebol. Escreve Daniel Oliveira na edição de hoje do Record:

«[…] nestes últimos meses ficou clara para mim uma coisa: pelo menos no campo, o campeonato será decidido no confronto entre o Benfica e o Sporting. Quanto ao Porto, que nos tem presenteado com exibições abaixo de deprimentes, lá terá, se ainda souber, de voltar a tentar ganhar no campeonato da secretaria.
E, regresso ao tema, as coisas vão bem encaminhadas numa competição menor: a Taça da Liga. Herculano Lima é juiz jubilado e conhecido amigo do Futebol Clube do Porto. Em pleno processo de investigações do Apito Dourado disse, em declarações públicas, que a montanha iria parir um rato. O experiente obstetra deste mundo pouco salubre da bola viu o seu desejo confirmado. Herculano também é presidente do Conselho de Disciplina da FPF e dissipou todas dívidas logo na primeira audição sobre o caso do atraso do Porto no jogo com o Marítimo. Segundo o Record, o que o juiz queria saber de Fernando, o jogador que só se lembra das dores uma semana depois de as sentir, era se o Porto também teria vencido o jogo caso tivesse entrado em campo na hora marcada. Como a resposta é impossível de dar e a pergunta era para um jogador do FCP, fica a parecer que o objetivo destas inquirições é o convívio. Onde também participou o vogal Ricardo Pereira, que, seguramente imparcial nestas guerras, foi advogado de Lourenço Pinto contra Carolina Salgado.
Não há, portanto, qualquer ansiedade para o Sporting. Ao contrário do dérbi, o resultado é mais do que certo e parece-me que não será “limpinho”. E, no entanto, não há qualquer dúvida que o Porto quis atrasar o jogo para daí obter vantagem. E que os regulamentos punem esse comportamento com derrota. Ficam a saber os árbitros: quando marcarem uma grande penalidade ao Porto, por causa de uma rasteira na grande área, terão de perguntar ao faltoso se aquela jogada mudaria o desfecho do jogo. Porque é assim que se faz justiça no futebol nacional.»

O futebol português mete-me nojo! –

Vila do Conde em polvorosa. O Rio Ave chega pela segunda vez à final de uma competição do futebol português. A Antena 1 deslocou meios para a cidade situada no distrito do Porto e promoveu, no seu programa da manhã, reportagens da cidade vilacondense. Oba oba, Carnaval antecipado! A vitória dentro de campo foi completamente gamada. Nada disto interessa aos vilacondenses. Fazendo jus ao pensamento do comum português no que às exibições dos  apitos concerne, ganhar roubado até é mais saboroso. Perdõem-me a linguagem: o caralho é quando se perde por causa do apito.

Na conferência de imprensa do Estádio dos Arcos, o professor pardal mostrou-se indignado. Com toda a razão. Pela lógica do castigo aplicado na terça-feira a Sérgio Conceição, Jesualdo Ferreira deverá ser castigado pelas declarações que proferiu. Para a Liga castigar treinadores por declarações sobre as árbitragens, basta apenas criticar um erro de arbitragem “Foi uma meia-final de uma das três competições do calendário nacional, que o Rio Ave, a jogar em casa com um relvado mau e com vento muito mau, dos quais não tem culpa, acabou por ganhar sem que nos possam culpar de alguma coisa. A meia-final não teve uma equipa de arbitragem à altura. O Sp. Braga foi prejudicado e todas as análises que possa fazer vão sempre recair na mesma personagem e naquilo que acaba por manchar o trabalho do Rio Ave, a quem felicito por estar na final. Fomos penalizados de uma forma pouco clara e pouco nítida. Tiraram-nos uma final”

Não querendo ser o advogado do diabo, enalteço a frontalidade demonstrada pelo presidente do Sporting de Braga no final da partida quando afirmou: “Tiraram-nos uma final, mas não nos movem do sentimento de busca e luta pela verdade desportiva, pelo que vamos fazer uma exposição para o CA sobre tudo o que se passou neste jogo de má memória para o futebol português, enquanto aguardamos pela nota com que este senhor do apito será brindado. Esta Liga tem de parar de prejudicar o futebol português! Os discursos são muito bonitos e falam muito da indústria futebol, mas que serviço estão estes senhores da Liga – pagos e bem pagos, refira-se – a prestar ao nosso futebol quando autorizam que uma meia-final se realize num campo que nem de ‘batatal’ merece ser chamado? Isto é promover o espetáculo? Isto é proteger os jogadores? Não, isto é próprio de um organismo que não faz cumprir as leis e que acha que vive num mundo à parte e com regras próprias” – tais declarações só me fazem concluir que as propostas apresentadas pelo presidente do Sporting fazem todo o sentido.

rui silva

Já o adjunto do Rio Ave Rui Silva deu uma de puritano ao afirmar: O nosso líder merece esta vitória porque trabalhou muito por ela. É uma vitória do grupo e ele merece isto. Desde início do campeonato que não falamos em lances da arbitragem. Há lances difíceis de analisar e também os houve na área contrária”. – não comentar as arbitragens realizadas em jogos em que se é beneficiado pela mesma parece ser a postura politicamente correcta da actualidade do futebol português. Desculpe? Quais são os lances em que teve dificuldade de analisar? O lance em que o seu atleta caiu sozinho na área e ainda teve o displante de pedir grande penalidade? O lance em que o seu jogador corta uma bola com a mão na área? Vai-me perdoar Rui Silva, mas declarações como as suas não podem ter lugar no futebol português. Seria portanto uma atitude para com o futebol português e para com o adversário admitir aquilo que toda a gente viu.

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