Análise ao Benfica vs Sporting

Excelente e merecida vitória do Benfica sobre o Sporting por 2-0.

Jorge Jesus soube tirar partido dos dois dias que teve para preparar o jogo de acordo com o conhecimento que já possuia em relação ao onze do Sporting, preparou bem a partida e os jogadores do Benfica desempenharam em campo uma excelente performance. Com um fantástico futebol ofensivo, os Benfiquistas criaram todas as oportunidades de golo da partida e não deixaram a equipa de Leonardo Jardim entrar na partida.

  1. Arranque muito forte do Benfica tal como se previa. Desde logo se identificaram os traços gerais que viriam a marcar o jogo. Jorge Jesus colocou a equipa a pressionar bastante alto e Fejsa em cima de Adrien de forma a não permitir que o organizador de jogo do Sporting pudesse desempenhar o seu papel. Enzo Perez, Gaitán e Markovic deram show de bola perante uma desorientada atitude defensiva do Sporting. Ofensivamente, o Sporting teve um jogo para esquecer.
  2. Eric Dier revelou-se muito curto na posição de William Carvalho. O inglês nunca esteve nos sítios certos, nunca foi eficaz nos blocos de pressão que se exigiam a meio-campo sempre que o cerebral Enzo Perez conseguiu acelerar o jogo e, na primeira parte, deixou Markovic e Gaitán fazerem o que quiseram na zona central do terreno. Tanto que estes conseguiram colocar Lima e Rodrigo por duas vezes na cara de Rui Patrício. Noutro lance na primeira parte, uma arrancada de Rodrigo que haveria de culminar com uma grande defesa de Patrício ao remate resultante do ressalto do corte que Maurício fez contra a canela do avançado encarnado, foi outro dos exemplos da permissividade que a defesa e meio campo do Sporting deram aos jogadores do Benfica. Ofensivamente, o inglês não conseguiu pegar na bola e participar na circulação de bola. Com William Carvalho em campo, os jogadores do Benfica não teriam jogado com tanta facilidade à entrada da área do Sporting, não teriam ganho tantas bolas no meio-campo leonino e, ofensivamente, a circulação de bola do Sporting teria sido bastante melhor.
  3. Com Adrien muito escondido no meio das linhas de meio-campo do Benfica e, muito bem marcado por Fejsa, mais uma vez se provou que quando não organiza o jogo defensivo do Sporting, o mesmo não tem muito nexo. Sem meio-campo, os jogadores do Sporting limitaram-se a fazer um futebol ofensivo cheio de erros, cheio de maus passes, demasiado directo à procura que Slimani pudesse ganhar várias batalhas contra os centrais do Benfica.
  4. Exibição interessante de Héldon na esquerda. Quase sempre apanhou dois homens pela frente. Ambos os laterais do Sporting estiveram escondidos durante quase todo o jogo. Tentou rematar contra a maré. Conseguiu aquele lance delicioso na 2ª parte no qual passou pelo meio de dois jogadores para depois rematar por cima. Pode-se dizer que foi a única oportunidade para o Sporting durante toda a partida.
  5. Enzo Perez. Pautou o jogo como quis e como não quis. Fortíssimo nas transições. Sempre que acelerou o jogo, abriu-se um buraco enorme no meio-campo defensivo do Sporting. Voltou a demonstrar que é ele quem pensa por inteiro o futebol do Benfica e saiu da luz com um fantástico golo no qual fez uma enorme maldade a Eric Dier e deixou Patrício pregado a olhar para a bola.
  6. Os dois golos do Benfica surgem de duas falhas infantis na saída de bola. Na primeira, Adrien sucumbiu perante a pressão de Fejsa. Na segunda, o golo de Enzo Perez surge de mais uma perda de bola de um jogador do Sporting no seu meio-campo. Na primeira parte, um atraso para Rui Patrício poderia ter dado o primeiro da partida. Entre os golos, uma inofensiva troca de bola entre os centrais do Sporting deu uma situação de perigo para o Benfica. Nem uma equipa de iniciados comete tantas falhas deste calíbre.
  7. André Martins – Leonardo Jardim arriscou colocá-lo na direita. A aposta saiu completamente furada. Se Cédric pouco atacou, com Cedric e Martins no mesmo flanco este tornou-se nulo e fácil de anular para Siqueira. Destaca-se apenas uma triangulação feita no início da segunda parte entre Cedric, Martins e Montero que não haveria de resultar em perigo para a baliza de Oblak. O esloveno foi durante quase toda a partida um espectador. Do outro lado, Rui Patrício não teve, na minha opinião, culpa nos 2 golos e evitou males maiores.
  8. Ivan Piris fez uma exibição para esquecer. Bem ajudado por Heldon no flanco, deu imenso espaço ao lateral e ala contrário. O primeiro golo foi prova disso. No lance do primeiro golo, o paraguaio estava completamente desposicionado e nem conseguiu contestar a cavalgada que Maxi Pereira fez.
  9. Exibição satisfatória de Marco Ferreira. Agiu bem em quase todos os lances. Conseguiu segurar muito bem o jogo no início da partida quando por exemplo deu o amarelo a Enzo Perez naquela falta duríssima sobre Adrien. A meu ver, agiu correctamente quando não decidiu assinalar uma bola no braço de Marcos Rojo. Como foi um remate à queima roupa, não me parece ter existido intencionalidade de cortar a bola com o braço por parte do argentino. O lance entre Maurício e Gaitán é bem ajuizado. Mal ajuizada é apenas uma situação na segunda parte numa disputa de bola entre Carlos Mané e Ezequiel Garay. Ambos os jogadores prendem a bola com o braço. Nessa situação deveria ter deixado seguir o lance. O madeirense pecou apenas na primeira parte quando quebrou o ritmo de jogo em lances que deveria ter deixado seguir.

A equipa de Jorge Jesus alcança aqui um enorme triunfo que lhe permite ter à 18ª jornada uma vantagem de 4 pontos sobre o FC Porto e 5 pontos sobre o Sporting. Nada está encaminhado no que ao título diz respeito. Ainda falta muito campeonato pela frente, apesar do Benfica só depender neste momento de si para se tornar campeão nacional. A equipa do Sporting cumpriu aqui mais uma paragem no seu percurso. Leonardo Jardim terá que rever e trabalhar alguns dos fundamentals da equipa. Principalmente no capítulo da circulação de bola. A questão das marcações cerradas a Adrien terá que ser corrigida com a inserção de outras soluções que possam tornear o défice de circulação e construção de jogo ofensivo que a equipa apresenta sempre que o seu organizador é marcado.

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