Desportos de Inverno #7

martin fourcade

Biatlo – Perseguição 12,5 km – 5 voltas ao circuito olímpico de 2,5 km cada uma, com uma passagem pela carreira de tipo (3 blocos na posição deitada e 2 blocos na posição em pé).

O Biatlo é uma modalidade muito peculiar quando analisada  pelo prisma do comportamento cardio-pneumonológico dos atletas no acto competitivo. É uma das únicas modalidades no mundo, senão a única, em que os atletas correm vários quilómetros na neve sobre esquis com frequências cardíacas na ordem dos 180 batimentos por minuto, necessitando posteriormente de realizar apneia para poderem atirar 5 balas aos alvos colocados nas carreiras de tiro.

No sábado, já tinha escrito aqui que o veteraníssimo esquiador de 40 anos Olé Einar Bjorndalen tinha iniciado o seu percurso nos Jogos de Sochi com mais uma medalha de ouro, a 12ª da sua carreira. A vitória na prova de sprint individual (10 km) permitiu ao esquiador noruguês igualar o número de medalhas olímpicas ganhas pelo seu compatriota do cross-country Bjorn Daehli bem como partir na pole position para a prova de perseguição de 12,5 km, prova onde os esquiadores que participaram na prova individual partem com o handicap cronométrico acumulado para o vencedor na prova de sprint individual.

Apontado como o favorito a todas as medalhas em disputa na categoria, o francês Martin Fourcade, atleta que domina a Taça do Mundo nas últimas duas épocas, soldado do exercito francês de profissão, viu todas as voltas trocadas na primeira prova do evento. Com um modesto 6º lugar que o arredou do medalheiro, Fourcade teria que reagir obrigatoriamente nesta prova mesmo apesar dos 19 segundos de diferença para Ole Einar Bjorndalen na hora da partida. No Biatlo, as vantagens travam-se essencialmente na carreira de tiro visto que cada tiro falhado dos 25 que a prova contempla dão lugar a uma volta de penalização numa pista que se encontra perto da meta na distância de 150 metros, volta essa que demora entre 20 a 25 segundos a ser cumprida pelos esquiadores.

Se na prova de sprint individual, Martin Fourcade registou os mesmos tempos de esqui de Bjorndalen durante as 4 voltas, falhando imenso na carreira de tiro (facto que explicou o seu 6º lugar), na prova de perseguição, o francês deixou bem claro que não estava em Sochi para ver o ouro passar novamente diante dos seus olhos. Aproveitando uma queda de um atleta canadiano que ia na liderança à 2ª volta e 2 tiros falhados na carreira de tiro por Olé Einar Bjorndalen (passaria apenas na 5ª posição no final dos 5 km) Martin Fourcade assumiu a liderança e não mais a largou até final. Sem falhar um único tiro até ao final da prova, não deu qualquer hipótese ao austríaco Langertingen que, até à 4ª volta, não tinha falhado qualquer tiro e até se encontrava a realizar melhores tempos nos sectores de esqui que o francês. Na 4ª volta, o austríaco cometeu 2 erros nos 2 primeiros tiros e desperdiçou a oportunidade de chegar às medalhas.

Lá atrás, Olé Einar Bjorndalen ia fazendo pela vida para conseguir chegar à medalha de bronze. Com parciais de esqui fenomenais, saltou da 6ª para a 4ª posição (aproveitou também os dois tiros falhados por Langertingen que seria 6º na prova) e ainda tentou retirar o francês Jean Guillaume Beatrix do bronze para assim fazer história no olimpismo como o atleta mais medalhado de sempre. Acabaria por perder a oportunidade no sprint final. A medalha de prata foi para o checo Ondraj Moravec.

Speed Skating ou como quem diz Patinagem de Velocidade

Mais uma limpeza para a delegação Holandesa. Michel Mulder e Jan Smeekens realizaram uma final 100% holandesa, ficando o primeiro com o ouro e o segundo com a prata. O irmão gémeo de Michel, Ronald, conquistou o bronze frente ao Coreano Tae Bo.

Ontem – Saltos de Esqui

stoch

A prova olímpica nos saltos costuma trazer algumas surpresas. Há 12 anos atrás, nunca mais me esqueço do dia em que quase chorei com a derrota (e afastamento das medalhas) do alemão Sven Hannawald, o meu grande ídolo de então na prova de trampolim normal. Hannawald na altura rivalizava com o polaco Adam Malysz. Fazendo um salto espantoso na prova de Salt Lake City, o alemão saltou mais 11 metros que o seu rival na altura mas não conseguiu aterrar em condições e bateu com a bacia no chão. Os juris presentes atribuíram-lhe péssimas notas de estilo e o alemão foi 4º na prova. Foi a última vez que vimos o melhor Sven Hannawald.

Na prova de trampolim normal de Sochi torci por Noriaka Kasai, o japonês de 41 anos que evidenciei num dos últimos posts desta série. Kasai é o actual 3º classificado desta taça do mundo. Como anteriormente escrevi, dado o carácter imprevisível da prova, com um bocadinho de sorte Kasai até poderia sonhar com uma medalha. O desfecho da prova acabou ser tudo menos imprevisível. O polaco Kamil Stoch, líder da Taça do Mundo confirmou a excelente forma em que se encontra ao realizar os dois melhores saltos da competição (105.5m no primeiro salto e 103.5m no 2º), o esloveno Primoz Prezec (2º na Taça do Mundo) ganhou a prata e Anders Bardal, duplo medalhado em Vancouver, o noruguês que só gosta de aparecer nas olimpíadas (7º do ranking da Taça do Mundo 2013\2014) arrecadou o Bronze. A dormir na palhota ficaram novamente os saltadores da armada austríaca (Thomas Diethart foi 4º, Michael Hayboeck foi 5º, Gregor Schlienzauer foi apenas 11º e Thomas Morgenstern 14º) da alemã (Andreas Wellinger foi 6º enquanto Andreas Wank foi 10º).

Janne Ahonen

Após um intensivo treino de 10 meses nos trampolins finlandeses, o regresso à variante de Janne Ahonen não foi o melhor. O saltador foi 29º (penúltimo lugar). Ahonen regressou pela 3ª vez à modalidade a pedido da Federação Finlandesa. A passar por tempos difíceis na formação de atletas, a federação finlandesa apresentou-se em Sochi com a comitiva mais fraca da sua história no que a saltos de esqui diz respeito. Para poder inscrever uma equipa na prova colectiva, teve que ir buscar o seu medalhado veterano. A ver vamos se este consegue fazer melhor na prova colectiva e no sky flying.

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