O que eu ando a ver #32

Fernando Cardinal

Europeu de Futsal – Antwerp, Bélgica – Quartos-de-final – Portugal 2-1 Ucrânia.

Dois dias decorridos do fantástico empate a 4 bolas obtido pela nossa selecção frente aos russos numa partida onde fiquei com a sensação (pelo pouco que vi) que a selecção portuguesa podia ter obtido mais qualquer coisita, como se previa, Portugal ’teve algumas dificuldades para eliminar a selecção ucraniana (selecção vencedora do grupo A) nos quartos-de-final da prova.

Com um score de 1-0 nos 2 jogos realizados (vitória frente à Roménia por 1-0 e empate a 0 bolas contra a Bélgica) a selecção ucraniana era à partida para esta eliminatória, uma selecção a ter em conta pela eficácia defensiva que tinha demonstrado nos jogos contra os belgas e romenos. Para esta partida, Jorge Braz não pode contar com o pivot do Benfica Joel Queiroz. O jogador está em dúvida para o jogo das meias-finais, jogo que se irá realizar na próxima quinta-feira contra o vencedor do jogo que irá opor amanhã Itália e Croácia. É de referir que os italianos abriram o torneio com uma derrota frente à Eslovénia por 3-2 e conseguiram apurar-se na primeira posição do grupo graças a uma vitória frente ao Azerbeijão por 7-0, mesmo apesar da vitória por 7-6 da selecção azeri sobre a selecção eslovena. A eslovénia irá fechar os quartos-de-final da prova contra a Espanha que ontem cilindrou os checos por 8-1.

Dois golos de Fernando Cardinal ajudaram a selecção portuguesa a rumar às meias num jogo em que a Ucrânia entrou melhor na partida quando logo no primeiro minuto, um remate de meia distância de um jogador ucraniano foi desviado de calcanhar na área por Denys Ovsyannikov, obrigando João Benedito a uma defesa por instinto. No minuto seguinte, Benedito foi obrigado a sair da área e a cortar uma bola de cabeça quando estava pressionado por um adversário. A bola rolou para os pés de um Ucraniano que tentou em vão o chapéu sobre o guarda-redes português. Poucos segundos depois iria surgir o primeiro golo da selecção Portuguesa: Arnaldo progride com bola no meio-campo ucraniano e faz chegar a bola a Cardinal que num movimento específico da posição pivot roda e remata para o fundo das redes da baliza defendida por Lytvynenko. O golo do pivot logo no 2 minuto poderia desbloquear cedo um jogo que poderia ser bastante complicado para a nossa selecção.

Portugal tentou meter o seu cunho na partida: pressionar alto para obrigar os ucranianos a cometerem erros nas transições e aplicar uma circulação de bola rápida com movimentações bastante interessante para ganhar espaços para rematar ou criar situações de vantagem junto à área ucraniana.

Até aos 10″, a Ucrânia conseguiu encaixar no jogo português, equilibrar a partida e obrigar João Benedito a 3 intervenções. A partir dos 10″, o ritmo de jogo diminuiu e a Ucrânia retirou vantagem da falta de intensidade aplicada pela defesa portuguesa. Aos 11″ a selecção portuguesa até poderia ter feito o 2-0 quando Ricardinho fez um lançamento longo de campo-a-campo à procura de Fernando Cardinal e o pivot na cara de Lytvynenko atirou por cima da baliza. Como quem não marca, sofre, no minuto seguinte, dois erros de Portugal na saída de bola na mesma jogada (Gonçalo Alves e depois Ricardinho) ditaram o golo ucraniano obtido numa fogachada incrível de Valenko entre os apoios de João Benedito. Erros destes pagam-se bastante caro neste tipo de competições.

Após o golo Ucraniano, a selecção Portuguesa perdeu intensidade, agressividade e objectividade no seu golo. A Ucrânia conseguiu ter mais bola no meio-campo português e obrigou Jorge Braz a pedir timeout. No desconto de tempo, o seleccionador português pediu mais atenção aos seus atletas quanto às movimentações que os alas ucranianos estavam a realizar até aquele momento e pediu aos seus atletas mais pressão na saída de bola ucraniana. O timeout resultou e a equipa portuguesa voltou a reentrar em jogo com dois remates de Bruno Fernandes aos 16″, outro de Ricardinho para defesa do guarda-redes ucraniano aos 17″ depois de um fantástico trabalho individual na ala direita e outro de Gonçalo Alves a 30 segundos do fim numa reposição de bola para defesa a dois tempos de Lytvynenko. Ao intervalo, o empate aceitava-se.

Ao intervalo, como já é habitual, Jorge Braz colocou o guarda-redes André Sousa em campo.

Na 2ª parte Ricardinho decidiu abrir o seu livro. O antigo jogador do Benfica, agora no Inter Movistar da Liga Espanhola, decidiu brindar-nos com o melhor do seu virtuosismo técnico. Nos primeiros 3 minutos do segundo tempo, o ala tentou de meia distância e segundos depois repôs da direita para o centro onde apareceu Fernando Cardinal a rematar em cheio para o 2º golo da selecção portuguesa. Ricardinho não parou por aqui: aos 25″ rematou para defesa apertada de Lytvynenko e aos 28″ minutos voltou a usar do remate de meia distância para por em apuros o guarda-redes da selecção ucraniana.

No minuto 29″ aconteceu um dos casos do jogo: uma boa jogada colectiva do ataque ucraniano cria uma oportunidade para Rogachov na esquerda. O jogador recebe com o campo aberto para atirar à baliza de André Sousa, não é lesto a rematar sendo posteriormente ceifado por uma entrada fora de tempo de Arnaldo Pereira. O primeiro árbitro da partida, o húngaro Balasz Farkas não assinala a infracção cometida pelo jogador português. Neste lance fico com a sensação que o cartão amarelo seria uma sanção demasiado simpática para a falta cometida pelo jogador português. Rogachov saiu lesionado do lance e não voltou a entrar na partida.
No minuto seguinte, Ricardinho voltou a fazer uma maldade ao conseguir fintar um jogador ucraniano junto à linha com um toque subtil por cima das pernas do ucraniano e assistiu Arnaldo Pereira no centro para mais uma situação de finalização falhada pelos jogadores portugueses. Na resposta, 30 segundos depois, Shoturma rematou à entrada da área para defesa segura de André Sousa.

Ricardinho ia desiquilibrando jogada sim jogada não. Em duas jogadas brindou o público com duas arrancadas (uma pela direita e outra pela esquerda) seguidas de assistência para Pedro Cary (remate às malhas laterais) numa das jogadas. Pelo meio, Portugal podia ter feito o 3-1 em mais dois lances: no primeiro André Sousa solicitou Leitão na esquerda e o jogador brasileiro naturalizado português amorteceu a bola para o centro onde João Matos apareceu a tentar dar o toque final na bola. Infelizmente, o jogador do Sporting foi bem estorvado por Lytvynenko e por Kiselyov. No segundo, Ricardinho e João Matos combinaram bem, endossando a bola para a área onde Ricardo Fernandes (com o guarda-redes fora da jogada) atirou contra um defensor ucraniano. Animavam-se as bancadas onde os portugueses presentes pediam o golo da confirmação.

A 3 minutos do fim, o seleccionador ucraniano pediu um timeout. Do timeout resultou a colocação de um guarda-redes avançado, curiosamente inserido no meio do quadrado defensivo montado por Jorge Braz para a situação de jogo de forma a abrir a defesa portuguesa, aproveitar qualquer ressalto resultante de um remate dos seus companheiros e travar de forma rápida qualquer iniciativa de remate dos portugueses para a deserta baliza ucraniana. A 2 minutos numa perda de bola dos ucranianos, a selecção portuguesa conseguiu arrancar a 5ª falta. Na situaçao de guarda-redes avançado a Ucrânia mostrou não ter trabalhado bem a situação de superioridade númerica e não fez qualquer remate perigoso à baliza portuguesa.

Portugal segue para as meias-finais onde decerto irá encontrar a motivada selecção italiana, selecção que fez cair Portugal nos quartos-de-final do europeu da Croácia em 2012.

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