Superbock! Fresquinha! #48

Esta cerveja enfeitiçou-me! –

Fim de semana negro para as 4 primeiras classificadas da Liga. Benfica, Estoril e Sporting empataram as respectivas partidas que realizaram frente a Gil Vicente, Arouca e Académica. O FC Porto perdeu no Estádio dos Barreiros com o Marítimo por 1-0 e viu os seus rivais de Lisboa ganhar 1 ponto. Com o empate frente à Académica o Sporting perdeu a oportunidade de ser líder durante esta semana e a possibilidade de entrar na luz com outra confiança e com outra serenidade.

A noite em Alvalade trouxe-nos uma exibição de duas caras por parte dos jogadores do emblema leonino perante uma Académica que soube executar na perfeição tudo aquilo que trabalhou durante a semana.

Em primeiro lugar, o treinador e os jogadores da Académica tiveram muito mérito na conquista do ponto com que saíram de Alvalade. Num campeonato onde se tende a relativizar exibições defensivas por parte de equipas pequenas no reduto das equipas grandes, fico com a percepção que a Académica chegou a Alvalade com a lição bem estudada quanto à forma de jogar da equipa de Leonardo Jardim e conseguiu colocar no terreno de jogo todos os itens trabalhados durante a semana por Sérgio Conceição. Ter uma abordagem defensiva a uma partida não chega quando os artistas não conseguem articular bem as linhas defensivas, vascular essas mesmas linhas no terreno para as zonas onde o adversário quer jogar, quando os centrais falham marcações aos avançados ou quando, por exemplo, os blocos de pressão são inexistentes e deixam os jogadores chave contrários praticar o seu futebol. Defender também é uma arte dentro da arte que é o futebol. Foi isso que Sérgio Conceição tentou incutir durante a semana aos seus jogadores e trabalhou de forma a tudo resultar na prática no relvado de Alvalade. Conseguindo discernir os pontos fracos do jogo ofensivo do Sporting (cortar o máximo de jogo a Adrien de forma a importunar a organização de jogo do Sporting; apostar na fixação dos seus laterais junto dos alas do sporting em detrimento de algum pendor ofensivo para evitar a criação de desequilíbrios pelos flancos; tapar o caminho pelo miolo, canal em que o Sporting tem muitas dificuldades em criar situações de finalização e obrigar os laterais do Sporting a algum trabalho defensivo de forma a cortar as poderosas combinações 2×1 que os flanqueadores do Sporting conseguem criar com facilidade) pode-se dizer que Sérgio Conceição obrigou o Sporting a flanquear em demasia o jogo, a despejar muitos cruzamentos para a área à procura da sua referência de ataque (principalmente na 2ª parte) e a jogar bastante mal na 1ª parte com muitos erros no passe e com muito pouca objectividade ofensiva.

Quando Adrien não tem bola e não organiza o jogo do Sporting como deve ser, o Sporting não consegue realizar uma jogada com nexo.

Sempre que podia sair em contra-ataque, a Académica tentava causar algum perigo junto da baliza do Sporting. Aproveitando a velocidade de alguns dos seus homens da frente como Marinho ou Magique, pode-se dizer que uma Académica mais ambiciosa na 2ª parte poderia até ter saído de Alvalade com a vitória. Ou então quando Marcelo Goiano subiu pelo flanco direito numa jogada em que Jefferson foi demasiado permissivo e atirou ao poste da baliza defendida por Rui Patrício. Se tal bola entrasse e se a Académica manifestasse a ganhar por 1-0 a organização defensiva que demostrou no resto do jogo, não tenho quaisquer dúvidas em afirmar que ganhava os 3 pontos em disputa no José de Alvalade.

Para além de todos estes factos, há que dar mérito à excelente leitura de jogo feita por Sérgio Conceição. Quando Leonardo Jardim trocou André Martins por Islam Slimani, Halliche e João Real viram-se da cor da abelha para conseguir estancar o jogo que os dois avançados conseguiram absorver na área da Académica mas conseguiram ser eficazes e manter invioladas as redes de Ricardo. Quando os dois prontos socorros no eixo da defesa da Académica falharam valeu a exibição de Ricardo ou o mar de pernas com que a Académica povoou a sua área. Antevendo o perigo, Sérgio Conceição colocou Aníbal Capela em campo e o pontinho desejado amealhou-se em Alvalade.

Quanto à equipa do Sporting:

– Existem alguns pontos comuns que se podem delinear entre este empate e os outros 2 empates concedidos em casa durante esta época. À semelhança do que tinha acontecido nos jogos contra Rio Ave e Nacional, o Sporting deu 45 minutos de avanço à equipa adversária. A equipa entrou com pouca objectividade no último terço, com pouca intensidade de jogo, com um meio-campo escondido no meio da linhas da Académica (tanto William como Adrien) e com um futebol pouco esclarecido onde por várias vezes a bola foi despejada sem critério para a frente por Marcos Rojo ou entregue aos laterais de forma a estes iniciarem as jogadas.

– Na 2ª parte Adrien pegou mais na bola e William soltou-se bastante mais no meio-campo. No primeiro tempo o meio-campo da Académica ganhava todas as bolas divididas. Creio que William sentiu bem a limitação que sobre si pendia: a impossibilidade de ver um cartão amarelo para não ser castigado pela acumulação de 5 amarelos na liga, facto que o irá excluir do jogo do derby do próximo fim-de-semana frente ao Benfica. No segundo tempo conseguiu soltar-se, jogou o jogo pelo jogo, ganhou muitas bolas no meio-campo, esteve novamente fantástico no desarme em zonas mais recuadas do terreno, satisfatoriamente assertivo no passe e ainda tentou por várias vezes progredir com a bola no terreno e tentar empurrar a equipa do Sporting para o último terço do terreno ao recuperar bolas à entrada da área\meio-campo e\ou encontrar através do passe\cruzamento colegas soltos nas laterais e na área. Num jogo em que:

ricardo

Ricardo fez uma exibição fantástica negando duas vezes o golo a Montero, outra a Dier de livre, outra a Slimani de cabeça e outra a Maurício no último lance da partida. Mais uma exibição fantástica do guarda-redes nascido há 31 anos na Póvoa do Varzim. Para mim foi o homem do jogo em conjunto com o seu colega Halliche. Nas redes sociais, os adeptos da Briosa tem insistido ultimamente na convocação do atleta para a selecção nacional. Se por um lado considero que o guarda-redes há ano e meio que justifica, do ponto de vista exibicional, a chamada por parte de Paulo Bento ao lote de convocados da selecção, por outro lado considero que a entrada do guarda-redes da Académica nesta fase seria extremamente injusta para os guarda-redes (Eduardo e Beto) que foram convocados durante a fase de qualificação para a prova que se irá realizar no Brasil em virtude do tempo pessoal que abdicaram para vir ao nosso país participar nos estágios quando sabiam que não iam ser utilizados pelo seleccionador português e pelo trabalho realizado com a equipa nesses mesmos estágios. Eduardo e Beto deverão receber (na minha opinião) um justo prémio pelo tempo pessoal e familiar que abdicaram e que podiam ter exercido nas janelas internacionais caso não viessem, repito, à selecção para não serem utilizados.

Do lado do Sporting destaco a exibição de Carlos Mané (foi um dos únicos que evidenciou intensidade, raça e querer na amorfa primeira parte do Sporting) de Fredy Montero (voltou a não marcar mas batalhou muito para que isso acontecesse) Cedric (lutou muito) e William Carvalho no segundo tempo.

A arbitragem

Paulo Baptista

Pela primeira vez constato que pude assistir a uma boa arbitragem num jogo do Sporting em casa. Paulo Baptista apenas pecou no capítulo técnico quando cortou muitas vezes o jogo em lances que tal não se justificava. As pequeninas faltas que o juiz ia assinalando aqui e ali e que bem poderia ter deixado o jogo continuar não permitiram maior fluidez ao jogo disputado pelas duas equipas em alguns momentos da partida. Teve três lances complicados: 1 na área do Sporting quando Adrien e Fernando Alexandre se pegaram numa bola parada a favor da Académica, acabando por ajuizar bem o lance visto que ambos os jogadores se estavam a puxar. Na área da Académica também decidiu bem quando os jogadores do Sporting reclamavam uma grande penalidade por corte com o braço de João Real a remate de Wilson Eduardo (salvo erro) quando de facto o jogador da Académica cortou a bola com a cabeça. Duvidosa fica apenas a intercepção com o braço feita por Halliche na 2ª parte a um remate de um jogador leonino na área. Ainda não vi repetição do lance portanto prefiro não me pronunciar.

O amarelo a William Carvalho foi absolutamente merecido pelo facto do trinco ter parado Djavan quando este se lançava (em contra-ataque) pelo flanco esquerdo. William Carvalho foi demasiado ingénuo na abordagem ao lance e como tal falha o jogo do Estádio da Luz. Em dúvida ficará Jefferson em virtude da lesão que contraiu durante a 2ª parte do jogo.

Nota de destaque também para a excelente casa que Alvalade apresentou (36 mil pessoas) prova de que os adeptos ficaram sensibilizados com o apelo feito pelo presidente do clube há cerca de um mês atrás.

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