Superbock! Fresquinha! #46

Esta cerveja enfeitiçou-me!

Das últimas horas do último dia de mercado surgiu uma notícia que me perturbou imenso. A Comissão do Mercados de Valores Mobiliários comunicou que o Benfica alienou os passes de Rodrigo e André Gomes a um fundo de compra de jogadores (Meriton Capital) sediada em Hong Kong e detida pelo multimilionário natural de Singapura Peter Lim, o homem que andou a fazer jogo com o empresário Jorge Mendes em Valência.

Depois de ter tentado adquirir o Middlesbrough e o Liverpool no passado, Peter Lim acabou por não concretizar a compra da SAD do clube da Comunidad Valenciana devido ao enorme passivo acumulado na equipa. A dívida da SAD deste ao Bankia (banco recentemente nacionalizado pelo estado espanhol) resultante de vários empréstimos concedidos pela instituição bancária à SAD Ché para este poder fazer face às despesas de construção do novo Mestalla e às despesas estruturais resultantes das suas operações, cifra-se actualmente entre os 300 e os 400 milhões de euros. Lim não conseguiu chegar a acordo com os vários credores do clube para levar a cabo uma mega operação de reestruturação do passivo (caso comprasse a dita SAD), facto que inviabilizou o investimento.

No entanto, a imprensa portuguesa tratou de descodificar o elo de ligação do multimilionário ao mundo do futebol (Jorge Mendes; a imprensa espanhola apontou o empresário português como o braço direito de Lim no scouting de jogadores para o Valência) e aqui, por exemplo, quando o processo de compra do Valência por parte do magnata ainda se encontrava em aberto, tratou de noticiar o interesse deste na contratação de Garay e Rodrigo do Benfica.

Garay ficou em banho Maria; Lim comprou os passes de Rodrigo e André Gomes; nos últimos dias, a imprensa portuguesa também já tinha escrito que o Benfica tinha uma proposta concreta de 12 milhões de euros para vender o jogador, estando o assunto nas mãos do empresário Jorge Mendes.

Vamos a mais factos:

Rodrigo custou ao fundo detido pelo singapurenho 30 milhões de euros. André Gomes custou 15 milhões de euros. Ambos os jogadores ficam no Benfica até ao final da temporada. Confirmando-se o negócio nestes trâmites, não tenho a menor dúvida em afirmar que ambos são muito bem vendidos. Tenho a certeza que neste momento, nenhum clube no mundo seria capaz de oferecer os valores que o fundo de Lim ofereceu ao Benfica pelos dois jogadores. Contudo, não posso deixar de verificar que Rodrigo é agenciado pelo pai e pela Mondial Sport Management & Consulting Sarl enquanto André Gomes é agenciado precisamente por… Jorge Mendes!

Valores de mercado:

O site Transfer Market.co.uk por norma nunca se engana nos valores de mercado actuais dos jogadores bem como nos valores pagos pelos clubes nas transferências que executam. A título de curiosidade pessoal fui ao referido site espreitar o que é que os ingleses achavam sobre o assunto. No caso de Rodrigo, o site britânico afirma que o actual valor de mercado actual do sub-21 espanhol é de 10 milhões de euros.
No que diz respeito ao valor actual do sub-21 português, o mesmo site
cota o internacional sub-21 com um valor actual de mercadode 3,5 milhões de euros.

Confesso que antes de verificar os valores atribuídos pelo staff do site em questão atribuí eu mesmo (a grosso) um valor de 12 milhões para o avançado e 1,5 milhões para André Gomes. Pouco mais seria capaz de pagar por um jogador que ainda não se assumiu como indiscutível no onze de Jorge Jesus. Pouco mais seria capaz de pagar por um jovem técnicamente talentoso mas muito lento ao nível de processos e, cuja utilização durante esta época resume-se a meia dúzia de minutos como suplente utilizado. O que tenho como certo é que o passe de Rodrigo é vendido ao fundo de Lim por valores dignos de uma grande vedeta do futebol mundial e o passe de André Gomes custa valores dignos de um jogador com estatuto consolidado no futebol europeu. Nem o primeiro conseguiu até hoje obter esse estatuto de vedeta nem o segundo conseguiu obter sequer o estatuto de convocado com regularidade no plantel do Sport Lisboa e Benfica.

Tudo isto me faz hipotetizar vários cenários:

Ou

1 – Peter Lim percebe pouco de futebol ou é mal aconselhado. Em virtude dos valores pagos pelos jogadores, a rentabilização futura dos jogadores terá que cumprir a um estricto risco de evolução dos mesmos.

2 – A acção executada não foi mais do que uma acção de refinanciamento do Benfica, hipótese na qual não acredito minimamente pois a possível recompra dos passes dos jogadores em questão poderá custar um valor bem mais alto do que os 45 milhões auferidos pelo Benfica no dia de ontem.

Ou

3 – À semelhança de outros casos relativos a transferências de jogadores que tem estado em voga nos dias que correm, estamos perante uma operação financeira de índole muito duvidosa. Ainda para mais quando o elo de ligação de um dos atletas ao proprietário do fundo que o adquiriu é o próprio empresário do jogador. Toda a gente sabe como funcionam estes empresários quando lhes cheira a dinheiro. Tenho portanto a clara sensação que estes valores mascaram mais qualquer coisa do que o real valor (económico) actual dos jogadores.

Facto assente parece-me também que Peter Lim e Jorge Mendes continuarão bastante atentos ao cenário europeu de forma a arranjar o melhor clube para o primeiro poder entrar como accionista.

Tudo ao Molho! –

paulo fonseca

O que a uns pode ser depreendido como um possível complexo de inferioridade, a outros passa bem claro como uma provocação típica da estratégia de comunicação do FC Porto. Paulo Fonseca chegou atrasado à conferência de imprensa em relação à hora prevista. Falou do mercado, falou da saída de Lucho e das possíveis saídas de Fernando e Mangala. Deu a volta à questão que inquiria o facto do trinco não ter sido convocado para o jogo frente ao Marítimo. Tocou-se na ferida e perguntou-se por Izmailov. O treinador do FC Porto foi directo: “Finalmente posso dizer alguma coisa sobre Izmailov. Vai ser emprestado e acaba aqui a novela. Espero que seja muito feliz nestes meses no Azerbeijão” – que não podia falar sobre o assunto já todos tinhamos conhecimento. O que acho ridículo é o treinador do FC Porto catalogar de “novela” o acontecimento cuja imprensa desportiva portuguesa não dedicou, nestes últimos 5 meses, mais do que meia dúzia de linhas, aqui e ali, espaçadas pelo tempo, acobardadas pelo medo, sem ousar colocar o dedo na ferida, tratamento diferenciado daquele que a imprensa empregou à novela protagonizada pelo russo no Sporting no ano de 2010.

 

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