O que eu ando a ver #29

sasa babic

No jogo inaugural do grupo D do torneio aconteceu a primeira surpresa da competição com a tetra-campeã europeia em título, a Espanha, a empatar surpreendentemente frente à Croácia.

Com uma selecção praticamente renovada, a selecção espanhola aparece neste europeu com a ambição compatível com o seu estatuto: manter-se invicta na prova, facto que acontece há 8 anos (a última derrota da selecção espanhola nos 40 minutos regulamentares de jogo foi frente à Itália em 2005) e levar para casa o 5º troféu consecutivo. Do outro lado estava a Croácia, selecção ascendente no cenário internacional do futsal, selecção que há 2 anos atrás no Europeu realizado em casa (Dubrovnik) conseguiu atingir de forma surpreendente as meias-finais da prova.

O último confronto realizado entre estas selecções foi em Março de 2013 num amigável disputado em Espanha com vitória da selecção espanhola por 10-0.

A Selecção Espanhola apresentou-se em campo para um jogo onde se previa um goleada frente à jovem selecção croata. Coube portanto aos croatas desde início apresentar um jogo que modificasse ligeiramente as previsões feitas para a partida. A selecção croata entrou muito bem no jogo com 4 remates seguidos nos primeiros 4 minutos do seu maior portento técnico, o ala Dario Marinovic, bota de ouro do último europeu. Aproveitando a falta de soluções manifestada pelos jogadores espanhóis no ataque (durante a primeira parte a equipa espanhol não conseguiu fazer mais do que uma circulação de bola estática e despejar bolas para o seu pivot Fernandão) os croatas defenderam de forma muito organizada, não permitindo que os espanhóis pudessem criar desequilíbrios de maior no seu meio-campo. A organização defensiva permitia aos croatas sair em rápidos contra-ataques e criar perigo na baliza defendida por Rafa. Prova disso foi quando aos 7″, Franko Jelovcic conseguiu interceptar uma bola no seu meio, galgou o campo inteiro com bola e rematou para defesa apertada do guardião espanhol.

Nesta primeira metade da 1ª parte, a Espanha limitava-se a tentar despejar bolas para Fernandão. O brasileiro naturalizado espanhol nunca conseguiu executar o seu forte movimento de rotação com bola de forma a almejar a baliza de Jukic. Quando solicitado, o guarda-redes croata respondia sempre com brilhantes paradas aos remates dos jogadores espanhóis. Prova disso foi quando aos 8″ saiu aos pés de Fernandão numa jogada em que o pivot já se encontrava isolado e pronto para inaugurar o marcador. Jukic fez uma grande exibição, falhando apenas no 3º golo da Espanha.

Quando podia lançar o seu contra-ataque, a Croácia ia colocando perigo à baliza de Rafa. Até que aos 9″ do primeiro tempo, Sasa Babic aproveitou uma bola que caiu na área rechaçada por Rafa (após mais um lance individual em contra-ataque de Jelovcic) para causar a primeira surpresa do dia.

Sem grandes soluções ofensivas, a Espanha só conseguiu responder 6 minutos depois quando numa reposição de bola na quadra, o fixo Aicardo rematou de meia-distância para o golo do empate. A Espanha tratou de estender a sua típica pressão a todo o terreno. Segundos depois do golo do empate, num lance mais ou menos igual ao que tinha dado o golo do empate aos espanhóis, o mesmo Aicardo esteve muito perto de colocar a espanha em vantagem.

Segunda surpresa. Mostrando uma estupenda, segura e confiante circulação de bola perante a pressão alta da selecção espanhola, os Croatas haveriam de surpreender mais uma vez: Sérgio Losano tenta um 1×1 na ala direita, perde a bola para Marinovic, o ala croata monta a transição em contra-ataque e depois roda a bola para o flanco esquerdo onde aparece Franco Jelovcic a rematar para o fundo das redes da baliza espanhola. A poucos segundos do fim, a Croácia poderia conseguido o 3º golo por intermédio de Novak. Numa transição, o jogador croata consegue ultrapassar um jogador na esquerda para depois flectir ao centro do terreno para aplicar um poderoso remate que saiu a milímetros da baliza de Rafa. A Espanha estava a pagar caro a falta de soluções ofensivas. Ao intervalo, a Croácia era uma justa vencedora pela organização defensiva que demonstrou, pela fantástica circulação de bola que apresentou e pelo veneno que conseguiu espalhar sempre que saiu em contra-ataque.

Na 2ª parte, a selecção espanhola entrou com uma dinâmica diferente. Os jogadores espanhóis usaram e abusaram dos passes e corte e da troca de posições entre os 4 homens de campo. No início da 2ª parte, Fernando largou a posição fixa à entrada da área, envolvendo-se mais no esquema de circulação da equipa.

Preciosismo ao não, facto a que não estamos habituados no nosso futsal, a primeira falta da partida só viria à passagem do minuto 22.

A Espanha foi montando o cerco à baliza croata no início desta segunda parte como de resto lhe competia como selecção “mais que favorita” à vitória na mesma. Primeiro foi o capitão Jordi Torras a tentar duas vezes a sua sorte do meio da rua, ou como quem diz, do meio-campo. A Croácia já não conseguia sair com tanta facilidade, e como tal, ia cometendo erros. Aos 3″ o guarda-redes Jukic não foi lesto a recolocar a bola em jogo. Livre à entrada da área. Torras atirou com força ao poste depois do guarda-redes ainda ter tocado na bola. Aos 6″, depois de mais um erro básico da modalidade (o último jogador croata tentou sair com bola através de 1×1) a bola foi parar aos pés de Lin que tratou de capitalizar o erro da selecção balcânica.

Os croatas mal tiveram tempo para assimilar o 2-2: um jogador espanhol remata para defesa incompleta de Jukic (penso que poderia ter feito muito mais neste lance) e no ressalto para o lado esquerdo da sua baliza, Lin aparece e com uma rotação magnífica sobre um defensor vai para o lado fechado e atira de bandeira para dentro da baliza defendida por Jukic. Sem conseguir funcionar como um colectivo, a Espanha estava em vantagem fruto de um bom trabalho individual do ala que representa o Barcelona.

Nos minutos que se seguiram ao 3º golo espanhol, o jogo entrou numa fase mais descaracterizada, pese embora a avidez com que os espanhóis se lançaram em busca do 4º golo. A Croácia já não demonstrava nesta altura a mesma segurança e resiliência demonstrada na primeira parte na posse e circulação de bola. Nesta fase da partida, destaque apenas para dois toques de calcanhar que poderiam ter resultado em golo: em dois lances exactamente iguais (passes a rasgar para a entrada da área) tanto Marinovic como Aicardo tentar dois bonitinhos sobre os guarda-redes rivais. O primeiro acabaria por sair pela linha final enquanto o segundo motivou Jokic a uma fantástica defesa por instinto com o braço.

Quando pouco havia a perder, o seleccionador croata Mato Stankovic decidiu arriscar e colocar em campo o guarda-redes avançados. O 5×4 seria efectivo logo no primeiro lance: uma troca de bolas entre alas permite o remate à baliza de Juanjo e o guarda-redes espanhol faz uma defesa incompleta para a entrada da área, terreno onde, vindo de trás, aparece Matija Capar (guarda-redes avançado) a antecipar-se a dois jogadores espanhóis para fazer o 3-3 final. A 12 segundos do final, Sérgio Lozano ainda enviou com estrondo à barra de Jukic um potentíssimo remate que poderia ter sentenciado a vitória espanhol

Premio justíssimo para o que a selecção croata que em Antuérpia provou que as selecções menos cotadas na prova já mostram uma evolução na modalidade muito satisfatória e que no futsal já não existem vitórias antecipadas.

+ 2 notas de destaque:

1 – A derrota da selecção da casa frente à Roménia por 6-1 numa partida em que os romenos aproveitaram literalmente todas as oportunidades que criaram.

2- As declarações do seleccionador nacional  Jorge Braz ao site da UEFA na antevisão da estreia de Portugal na prova, amanhã frente à Holanda, jogo que terá o seu início às 19:45 (transmissão Eurosport)

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