Ciclismo 2014 #4

le tour

Ficou-se a saber hoje as 4 felizardas que conseguiram os wildcards disponibilizados pela organização do Tour para a prova de 2014. Entre as várias equipas da UCI Pro Continental que pediram wildcard para a maior prova do ciclismo mundial e para as provas organizadas pela ASO, entidade que organiza o Tour, Paris – Nice e Criterium Dauphiné, a  Suiça IAM, as francesas Cofidis e Bretagne e a Alemã Net-App dos portugueses Tiago Machado e José Mendes foram as equipas que tiveram a sorte de poder obter esse mesmo wild card. Os corredores Portugueses irão marcar presença na prova francesa visto que ambos estavam escalados para a provar caso a sua equipa obtivesse o direito a participar.

A escolha destas equipas tem a sua razão lógica: as francesas Cofidis e Bretagne foram escolhidas por critério de localidade (são as duas francesas do escalão minimamente competitivas para a prova em questão) enquanto as outras duas foram escolhidas pelo facto de serem as mais competitivas da divisão e, as equipas teoricamente candidatas a pedir licença de World Tour no próximo ano. A escolha destas 4 equipas irá permitir o acesso ao Tour a bons ciclistas que se encontram fora do “radar” World Tour como Heinrich Haussler, Gustav Larsson, Thomas Lokvist, Marcel Wyss, Sebastien Hinault, Sylvain Chavanel (IAM) David De La Cruz, Leopold Konig, José Mendes, Tiago Machado (Net-App) Brice e Romain Feillu (Bretagne) e Jerome Coppel, Christophe Le Mevel, Cyril Lemoine, Daniel Navarro, Rein Taaramae e Julien Simon por parte da Cofidis.

Convém também referir que a subida da Europcar para a World Tour permitiu a atribuição de 4 licenças em vez de 3. De fora ficaram a MTN-Qubeka e a Caja Rural, equipa agora liderada por Luis León Sanchez.

No que diz respeito às licenças para o Paris-Nice e Critério Du Dauphiné, a Net-App ficou de fora para a primeira prova, ficando de fora da licença a Bretagne para a segunda.

Apresentação:

Canondale:

Cannondale

2014 irá marcar o 2º ano de actividade da equipa formada pela marca de bicicletas depois da desistência da Liquigás enquanto patrocinador.

Localização: Sesto – Piemonte – Itália

Site: www.cannondaleprocycling.com

Director Desportivo: Biagio Conte

Chefes-de-fila: Ivan Basso, Peter Sagan,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Maciej Bodnar, Moreno Mozer,

Contra-relógio: Cameron Wurf

Sprinters: Peter Sagan, Elia Viviani, Juraj Sagan (irmão de Peter Sagan)

Clássicas: Oscar Gatto,

Gregários: George Bennett, Guillaume Boivin, Damiano Caruso, Alessandro Di Marchi, Edward King, Kristian Koren, Paolo Longo Borghini, Alan Marangoni, Cristiano Salerno, José Sarmiento, Alberto Bettiol, Davide Formolo, Michel Koch, Mattias Krizek, Matej Mohoric, David Villela, Fabio Sabatini, Marco Marcato

ivan basso

Principais vitórias\conquistas em 2013:

  • 2 etapas no Tour de Oman (Peter Sagan)
  • Grande Prémio de Cittá di Camaiore (Peter Sagan)
  • Vitória na Strade Bianchi (Moreno Mozer)
  • 2 etapas na Tirreno-Adriático (Peter Sagan)
  • Clássica Gent-Welwegen (Peter Sagan)
  • 1 etapa no Tour de Panne (Peter Sagan)
  • Clássica Brabaantse Pijl (Peter Sagan)
  • 2 etapas na Volta à Califórnia (Peter Sagan)
  • 2 etapas no Critério Du Dauphiné (Elia Viviani e Alessandro Di Marchi)
  • 2 etapas na Volta à Suiça (Peter Sagan)
  • Campeonato Nacional da Polónia de Contra-relógio (Maciej Bodnar)
  • Campeonato Nacional da Dinamarca (Brian Vanborg – transferido)
  • Campeonato Nacional da Eslováquia (Peter Sagan)
  • Vitória em etapa no Tour (Peter Sagan)
  • Camisola dos Pontos no Tour (Peter Sagan)
  • Vitória na Geral no Tour de Elk Grove (Elia Viviani) com 2 etapas ganhas pelo ciclista.
  • 4 etapas no US Pro Cycling Challenge (Peter Sagan)
  • 3 etapas no Tour de Alberta (Peter Sagan, uma delas no prólogo)
  • 1 etapa na Volta à Espanha (Daniele Ratto)
  • 1 etapa na Volta à Grã-Bretanha (Elia Viviani)
  • Vitória no GP de Montreal (Peter Sagan)
  • Classificação por pontos na Volta à Suiça (Peter Sagan)
  • 2º lugar no Tour da Flandres (Peter Sagan)
  • 6º lugar nos campeonatos do Mundo (Peter Sagan)

Peter Sagan

Os objectivos da Cannondale para 2014 são muito fáceis de descrever: levar Basso à vitória no Giro, apesar da idade avançada do trepador e levar Peter Sagan a nova vitória na camisola dos pontos do Tour, a maior número de vitórias possíveis na prova francesa e ao maior número de provas (em particular de clássicas pontuáveis para o ranking world tour) em que o fantástico sprinter eslovaco participe.

Depois de um ano 2013 para esquecer com muitos problemas físicos, sem pedalada para a nova geração de chefes-de-fila que apareceram nos últimos 2 anos nas equipas de World, Ivan Basso vai regressar em 2014 aos fundamentals: o Giro de Itália. Nas estradas italianas, sem atacar, Basso é por estatuto adquirido um candidato à vitória. Para o ajudar, Basso irá alocar os seus gregários de luxo Moreno Mozer e Maciej Bodnar, com o primeiro a deter um estatuto de segunda opção para a geral da prova. Mozer também terá como objectivo para esta época vencer a geral da Volta à Polónia (finais de Julho), prova que lhe escapou por um fio em 2012.

O australiano de 31 anos Cameron Wurf é o contra-relogista da equipa. Wurf também consegue andar bem em média montanha.

O resto são sprints. Equipa totalmente preparada para Sagan. A missão de todos os gregários que correrem com o eslovaco durante a época será preparar os sprints do eslovaco. O ciclista eslovaco também estará de olho nos campeonatos do mundo, uma das únicas grandes provas do calendário ciclístico que ainda não conseguiu vencer na sua carreira. Como 2º sprinter continuará Elia Viviani, ciclista que saiu da pista para a estrada em 2010 e que de resto, aos 24 anos já tem algumas vitórias (na Volta à Grã-Bretanha e no Dauphiné) que lhe granjeam algum respeito dentro do pelotão e que lhe auspiciam a possibilidade de se tornar o sprinter de serviço da selecção italiana para os próximos anos.

Um dos pontos negativos da equipa é para mim a ausência de gregários que possam ajudar Basso a re-conquistar o ceptro de rei do ciclismo italiano. Um dos pontos positivos da equipa é a quantidade de soluções que esta tem para as provas por etapas de poucos dias bem como para as clássicas do calendário internacional.

 

Française des Jeux:

fdj

O projecto de ciclismo patrocinado pelo Ministério do Desporto Francês e pela entidade que empreende os jogos de lotaria em território francês. Apesar desta equipa possuir 3 corredores estrangeiros, é um projecto historicamente constituído no aproveitamento dos melhores talentos formados em França.

Localização: Moussy – França

Site: www.equipecyclistefdj.fr

Director Desportivo: Thierry Bricaud

Chefes-de-fila: Pierrick Fedrigo, Thibault Pinot,

Gregários de luxo\corredores de estatuto protegido: Arnold Jeanesson, Arthur Vichot , Anthony Roux,

Contra-relógio:

Sprinters: Nacer Bouhanni, Arnaud Demare, Murilo Fischer,

Clássicas: Sebastien Chavanel, Anthony Geslin, Jeremy Roy, Cedric Pineau

Gregários: David Boucher, David Courteille, Mickael Delage, Kenny Elissonde, Alexandre Geniez, Mathieu Ladagnous, Johan LeBon, Laurent Mangel, Francis Mourey, Yohan Offredo, Laurent Pichon, Jussi Veikkanen, Geoffrey Soupe, Benoit Vangrenard, Pierre-Henri Lecuisinier,

Principais vitórias\conquistas no ano 2013:

  • 1 etapa na Etoile de Bessèges (Anthony Roux)
  • 1 etapa no Tour de Oman (Nacer Bouhanni)
  • Vitória na Geral do Tour Haut Var (Arthur Vichot)
  • 1 etapa no Paris-Nice (Nacer Bouhanni)
  • Campeonato Nacional da Finlândia (Jussi Veikkanen)
  • 1 etapa no Circuit de La Sarthe (Nacer Bouhanni)
  • Clássica Paris-Camembert (Pierrick Fèdrigo)
  • GP de Demais (Arnaud Demare)
  • Vitória na Geral dos 4 dias de Dunkerque e 3 etapas (Arnaud Demare)
  • 1 etapa na Volta à Suiça (Arnaud Demare)
  • Campeonato Nacional Francês (Arthur Vichot)
  • London Classic (Arnaud Demare)
  • 1 etapa na Volta a Burgos (Anthony Roux)
  • 1 etapa na ENECO Tour (Arnaud Demare)
  • 1 etapa na Tour de Limousin (Mathieu Ladagnous)
  • 2 etapas na Vuelta (Alexandre Geniez e Kenny Elissonde)
  • 2 etapas na Volta a Pequim (Nacer Bouhanni)
  • 7º lugar na Volta à Espanha (Thibault Pinot)

pinot

Juventude, talento, versatilidade, maturidade e experiência. Eis as 5 chaves do sucesso desta interessante equipa francesa.

A comandar as tropas o veterano Pierrick Fèdrigo homem que já venceu duas etapas no Tour (na altura ao serviço da Boygues Telecom) e a jovem promessa do ciclismo francês Thibault Pinot. Aos 23 anos, o ágil trepador já conseguiu vencer uma etapa no Tour (aos 21 anos) e dois lugares dentro do top-10 tanto na prova francesa (10º em 2012) como na Vuelta. Pinot será o chefe-de-equipa desta equipa no Tour, prova onde tentará novamente ser top-1o, o melhor dos franceses e quiçá, o vencedor do prémio de montanha ou da juventude na prova de forma a envergar a camisola às bolinhas vermelhas ou a camisola branca que simboliza a vitória na competição particular entre os ciclistas menores de 25 anos, nos Champs-Elysées em Paris. Thibault já provou por várias ocasiões ser capaz de acompanhar os melhores na montanha. É o herdeiro natural da esperança francesa numa vitória na prova, facto que já não acontece desde a vitória de Bernard Hinault no longínquo ano de 1986.

A equipa francesa não se esgota nestes dois corredores. Com estatuto protegido dentro da equipa, ou seja, com carta branca para não trabalhar para os líderes e seguir a sua própria estratégia de corrida temos Anthony Roux e Arnold Jeannesson. O primeiro dispensa apresentações pelas vitórias que alcançou durante a carreira. O segundo tarda em afirmar as credenciais que prometeu no passado quando foi contratado à semi-desconhecida Auber Big Mat pela Caisse D´Epargne (actualmente) ou envergou a camisola da juventude no Tour durante algumas etapas. Jeanesson poderá assumir a liderança da equipa no Giro de Itália no próximo mês de Maio.

Com objectivos próprios também irá correr o actual campeão francês Arthur Vichot, fruto das vitórias que conquistou no ano 2013.

Bouhanni e Demare:

Nacer Bouhanni

Nacer Bouhanni.

Demare

Nacer Bouhanni (23 anos) e Arnaud Demare (22 anos) são os homens em quem a França depositará a esperança de vencer os campeonatos do mundo de estrada dos próximos anos bem como a prova de estrada dos Jogos Olímpicos de 2016. Duas forças da natureza alternam na mesma equipa. Há muito que o panorama ciclista francês não tinha dois talentos tão grandes na variante de sprint. Na Taça de França não deram hipóteses a ninguém. Paulatinamente foram aparecendo com vitórias nas provas por etapas. 2014 será o ano da sua consolidação absoluta na elite dos grandes sprinters internacionais.

Para ajudar toda esta gente, a Française des Jeux tem um leque de gregários competentes. Jussi Veikkanen (o crónico campeão finlandês) Alexandre Geniez, Kenny Elissonde, Sebastien Chavanel, Jeremy Roy – tudo gente com capacidade para lançar sprints, auxiliar e proteger Pinot e Fèdrigo e ainda mostrar uma apetência grande para fugas de longa distância que valem vitórias em etapas. Não tenho dúvidas que Thierry Bricaud tem aqui um grande (e barato) colectivo, tendo em conta as necessidades que comporta competir no World Tour e os megalómanos objectivos para curto plantel que certas equipas apresentam.

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