Bidone D´oro #10

A 3ª partida dos quartos-de-final da Taça de Itália trouxe-nos na passada quinta-feira um derby regional (da toscânia) entre Fiorentina e Siena. Em campo, duas equipas de cidades(estado) vizinhas, rivais, curiosamente com o mesmo nome no seu estádio em homenagem ao antigo presidente da Federação Italiana de Futebol e da UEFA Artémio Franchi, dirigente nascido em Firenze em 1922, dirigente da Fiorentina nos anos 50 e 60, dado morto em 1983 em Siena num acidente de automóvel. Em campo, muito mais que isso. Duas cidades que se odeiam profundamente, mas, que, culturalmente partilham dos mesmos ritos, costumes e tradições (Palio, Calcio Stuorico). Desportivamente, quem saísse vencedora do Artémio Franchi de Firenze teria a oportunidade de jogar a duas mãos as meias-finais da prova. Apesar de estarem a cumprir caminhos muito diferentes nestas passagens da sua história (a Fiorentina é 4ª na Serie A e como tal luta por um lugar na champions enquanto o Siena é 14º na 2ª Liga Italiana e luta para não descer à 3ª divisão do futebol transalpino) dada a rivalidade em jogo seria de esperar um jogo disputado até ao último minuto.

A responsabilidade de dirigir o derby foi dada pela Federação Italiana ao experiente Piero Giacomelli.

Vincenzo Montella realizou algumas poupanças para esta partida. Os novos reforços da equipa (Matri e Anderson) ficaram na bancada. Matri surpreendeu meia Itália ao estrear-se com toda a pompa e circunstância com as cores Viola em Catania, apontando 2 dos 3 golos da equipa na vitória no terreno dos Sicilianos. Com Mário Gomez e Giuseppe Rossi lesionados, Montella decidiu colocar o esloveno Josip Ilicic (ex-Palermo) como o jogador mais adiantado no terreno (não foi uma referência de ataque mas sim um avançado com bastante mobilidade) enquanto na defesa apostou na entrada para o onze do alemão Marvin Compper e na linha de meio-campo Joaquin e Matias Fernandez foram titulares.

A equipa do Siena, orientada por Mario Beretta, chegou a Firenze com muito apoio do seu público na Curva Sul e com um histórico bastante interessante na competição. Para chegar aos quartos-de-final, a equipa que conta no seu plantel com Alessandro Rosina e Luca Paolucci, eliminou 2 equipas da Série A enquanto visitante, mais propriamente Livorno (0-1) e Catania por 4-1 na estreia de Fito Rinaudo com a camisola do clube mais argentino da Série A! Denominador comum aos dois jogos, pelo que pude investigar, foi a capacidade de superação que a equipa teve em suportar as primeiras partes do adversário e conseguir matar as eliminatórias no contra-ataque no 2º tempo. Facto de que resto viria a sortir efeito mais uma vez em Firenze, se bem que o resultado foi outro.

No primeiro tempo, a Fiorentina entrou a todo o gás, ávida de resolver a eliminatória cedo. Logo no primeiro minuto, Alberto Aquilani e Josip Ilicic tabelaram à entrada da área e o sérvio já dentro da área não conseguiu rematar à baliza. Entalado por dois opositores abdicou do remate para se atirar para o chão e assim tentar ludibriar Giacomelli. O árbitro da partida mandou o esloveno levantar-se e assim se perdeu a primeira oportunidade de golo da partida. Desde cedo se percebeu que o Siena veio a Firenze defender de forma organizada e sair em contra-ataque com poucas unidades de forma a não conceder espaços lá atrás, principalmente para a fantástica circulação de bola que é feita pelo móvel meio-campo da equipa orientada por Montella. Exemplo disso no primeiro tempo foi a forte marcação individual feita por Valiani e pelo uruguaio Giacomazzi a Borja Valero, impedindo o espanhol de assumir e organizar as despesas da ataque da equipa da casa.

Com a equipa de Siena a fechar muito na zona central, a Fiorentina tentou enganar as marcações. Juan Cuadrado passou para o centro do terreno e aos 5″ podia ter marcado num remate de meia-distância. Valeu a grande defesa do guarda-redes do Siena. Adivinhava-se o primeiro golo da partida. Aos 18″, o guarda-redes do Siena bate um pontapé-de-baliza. A bola é rechaçada para a entrada da área do Siena através de um cabeceamento de Aquilani. À entrada da área aparece Ilicic, que, perante a oposição dos dois centrais da equipa bianconera consegue entrar na área e fuzilar Simone Farelli. Estava aberto o marcador no Artémio Franchi para a equipa da casa.

A Fiorentina relaxou até ao final da primeira parte. Cresceu o Siena. Com jogadas de envolvimento bastante interessantes pelo flanco direito entre o centrocampista Valiani e os dois homens daquele sector (o lateral brasileiro Angelo e o extremo Rosina) o Siena foi causando algum perigo à baliza de Norberto Neto, imbatível desde 8 de Dezembro. Prova disso foi quando aos 21″ o lateral brasileiro Angelo cruzou da direita e o capitão Michelle Paolucci libertou-se da marcação de Compper para cabecear forte para a defesa da noite de Norberto Neto. Embalados pelos cânticos dos seus adeptos, os jogadores visitantes tentaram circular mais bola dentro do meio-campo da Fiorentina. Nas bancadas do Artémio Franchi, todos aqueles que se furtavam de recordar que no último jogo disputado naquele reduto entre as duas equipas (há cerca de um ano) os homens de roxo cilindraram na meia-hora inicial os seus vizinhos Sienese por espantosos 4-1, resultado final desta partida, puxavam a plenos pulmões pela sua equipa.Pode-se dizer que na batalha entre claques, os adeptos da equipa de Siena foram muito mais audíveis que o público afecto à Fiorentina.  Contudo, o final da 1ª parte provou uma equipa visitante mais atrevida e bem perto do apito final da 2ª parte, o extremo-esquerdo Gianetti, jogador de 22 anos que esteve nos sub-20 da Juventus há 3 épocas atrás, ganhou uma bola no meio-campo a Mati Fernandez, rodopiou sobre o Chileno e atirou forte com a bola a rasar a trave de Norberto Neto. O brasileiro limitou-se a seguir a bola com os olhos. Alerta para os Viola. Na jogada seguinte, Ilicic ganhou uma bola ao central DellaFiore na direita, deu para a meia-lua e no seu spot de remate mais efectivo, Joaquin rematou ao poste direito da baliza defendida por Farelli.

Ao intervalo, aceitava-se a vantagem dos locais por 1-0.

Sol de pouca dura. Com vontade de se instalar dentro do meio-campo Viola, os jogadores do Siena tentaram ter mais posse de bola na 2ª parte. As primeiras ocasiões de perigo neste 2º tempo viriam por Joaquin num remate aos 48″ em que o espanhol recebeu no flanco esquerdo, flectiu e atirou rasteiro para defesa fácil do guarda-redes do Siena e aos 52″ quando Mati Fernandez recebeu um passe de Cuadrado na área, tirou um adversário com um toque subtil e foi derrubado pelo mesmo. Piero Giacomelli deveria ter assinalado grande penalidade. No minuto seguinte, Josip Ilicic tentou cavar uma grande penalidade mas acabou por receber um amarelo das mãos do árbitro.

A necessidade aguçou o engenho. Montella queria mais visto que estava a jogar contra uma equipa que já tinha eliminado duas equipas do primeiro escalão nos segundos tempos das partidas disputadas. Como tal tirou Borja Valero (desapareceu do jogo a partir do golo da Fiorentina) e colocou em campo o Chileno David Pizarro. Numa altura em que chovia a potes na cidade Fiorentina, com a possibilidade do terreno ficar pesado, o Chileno teria outros skills para praticar um futebol mais directo. Mario Beretta respondeu à alteração do treinador da Fiorentina com uma troca de avançados. Valerio Rossetti por Paolucci.

Seria já com Rossetti em campo que o Siena chegaria ao golo do empate por intermédio do internacional uruguaio Giacomazzi aos 58″ com uma cabeçada dentro da área em resposta a um livre cobrado na direita por Rosina. Gáudio total nas hostes do Siena, desalento no rosto de Andrea Della Valle. Apreensão no de Vincenzo Montella.

Efeito contrário. O golo do Siena fez-me acreditar num final de jogo mais disputado. Aos 70″ Montella teve que mexer novamente. Colocou Juan Vargas em campo para a saída do capitão Pasqual, entregando o flanco esquerdo por inteiro ao peruano. Juan Cuadrado voltou ao flanco direito e Joaquin assumiu uma posição central no apoio a Ilicic. Aos 75″, um canto batido na direita pelo esloveno resgatado ao Palermo no verão haveria de selar a eliminatória. Marvin Compper fugiu à marcação e com uma cabeçada triunfal deu a vitória aos homens de Firenze. No minuto seguinte, à entrada da área David Pizarro rematou ao poste. 4 minutos depois, seria Joaquin, do mesmo sítio a atirar novamente a bola aos ferros. O resultado poderia ter sido mais dilatado para os homens de Firenze.

Até ao final da partida, a equipa de Montella controlou a partida mesmo apesar de aos 91″ Alessandro Rosina ter obrigado Norberto Neto a mais uma defesa apertada. Pelo meio, Josip Ilicic lesionou-se com alguma gravidade depois de chocar com o central argentino Carlos Matheu, obrigando os dois treinadores a duas alterações forçadas. Ilicic junta-se à  lista de lesionados no plantel fiorentino (Mario Gomez, Giuseppe Rossi, Ahmed Hegazy, Nenad Tomovic). Vitória justa da equipa de Florença pelo que fez nos primeiros 20 minutos da primeira parte e nos últimos 20 minutos do jogo. Segue em frente na Taça de Itália em conjunto com a Roma e a Udinese, ficando à espera do último semi-finalista, equipa que será encontrada na quarta-feira no duelo que irá opor Napoli e Lázio.

Em Milão:

essien

Segundo a imprensa italiana, a contratação de Michael Essien por parte do Milan foi um desejo de Clarence Seedorf. Pontuando num meio-campo caduco em que Nocerino joga por favor na equipa (está longe da máquina que ajudou o Milan a conquistar o título em 2010\2011) e em que De Jong e Muntari são duas unidades a menos no ataque e não cumprem os seus papeis defensivos, a contratação do ganês antecipa aquilo que se acho bastante provável na equipa de Milão, a inscrição do próprio Seedorf na equipa milanese cumprindo a lógica “quando eles já não tem pernas para obedecer às tuas ordens, vai pró campo e faz tu mesmo”.

Inter

mazzarri

O catecismo de Mazzarri. Confesso que já vi demasiados jogos do Inter esta época. Não pelo espectáculo em si mas para perceber que raio de táctica é o que Andy Garcia de Milão mete em campo e que tipo de evolução é que esta equipa poderá trilhar no futuro. Fico sem perceber nada. Niente. Não é um 3x5x2 porque tem só um homem na frente, que só assim por acaso nem é homem de área (Palácio). Não é um 3x4x3 porque Ricky Alvarez, Fredy Guarin, Matteo Kovacic ou Saphir Taider não são extremos mas sim médios interiores que jogam no apoio a Palácio, com os alas Jonathan e Nagatomo bem subidos no terreno e devidamente compensados por Cambiasso. Em certos jogos, olho para o miolo e parece que se dá em mim um efeito qualquer de multiplicação de camisolas no meio-campo do Inter, tal é a quantidade de gente que pisa os mesmos terrenos. O mais óbvio é pensar que Mazzarri é um futurista que coloca a equipa a jogar num 3x4x2x1 com os 3 centrais, os dois trincos e os dois alas (Cambiasso e Kuzmanovic; Nagatomo e Jonathan), os dois homens em posição mais interior (Alvarez à esquerda e Guarin à direita) e um ineficaz Rodrigo Palácio, com aquela trancinha merdosa que se constitui como imagem de marca, lá na frente a arrastar defesas para os colegas entrarem na área.

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