Será Nadal o melhor jogador de todos os tempos?

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A rivalidade entre Nadal e Federer protagonizou hoje mais um episódio, com mais uma vitória para o espanhol Rafael Nadal pelos parciais 76(5) 63 63. Havia uma expectativa crescente relativamente ao que poderia suceder-se nos courts de Melbourne devido a algumas dificuldades físicas de Rafael Nadal e pelo facto de Roger Federer estar num excelente momento de forma e já tendo eliminado Tsonga e Murray nas rondas anteriores. Foi uma exibição imperial de Rafael Nadal em certos aspectos

Roger Federer esteve em bom plano no primeiro e terceiro set, mas apresentou imensas dificuldades em certos aspectos do jogo. O mais importante foi as abordagens à rede. Roger Federer usou e abusou do serve-and-volley frente a Murray e Tsonga, principalmente nos primeiros dois sets. Contudo, frente a Nadal, as coisas não resultaram tão bem, muito por mérito do Maiorquino. Rafael Nadal é conhecido por ser o melhor executante de passing shots de sempre, e foi isso que demonstrou. Devido a isso, Federer consegui uma percentagem de pontos na rede bem inferior aos jogos frente a Tsonga e Murray (55% hoje contra 83% e 74%, respetivamente). O facto de Nadal conseguir contrariar com eficácia Federer na rede obrigou-o a procurar alternativas, uma vez mais. E de facto, enquanto a partida se prolonga em qualquer Nadal x Federer onde o Nadal se encontra num nível razoavelmente consistente, acaba por ser deprimente ver Federer bater contra a mesma parede, uma vez mais. Embora consiga perceber isso. Na cabeça do Federer, o mesmo pensa que se vai para a rede, o Nadal consegue fazer o passing. Se fica atrás e luta contra o Nadal cada um na sua baseline, perde porque o Nadal melhora com o aumento do rally. Se atacar, atacar, atacar, o Nadal consegue provocar pelo menos mais 1 pancada por ponto devido à sua capacidade defensiva, até que Federer eventualmente comete um erro não-forçado. Se procurar a esquerda cruzada para procurar a direita do Nadal que invariavelmente vai ao longo naquela zona, falha porque a esquerda cruzada é o seu ponto fraco (fez imensos erros de esquerda cruzada no primeiro set), até chegar a um desgaste físico e mental sem qualquer solução possível para derrotar Rafael Nadal.

Já Rafael Nadal fez o seu jogo comum frente a Federer: consistente da linha de fundo, e eficaz frente a um plano de jogo de Roger Federer pouco flexível. Nadal sente-se muito confortável a jogar contra Federer, porque os seus pontos fortes acabam por encaixar perfeitamente nos pontos mais fracos do suiço. Para Federer vencer qualquer batalha frente a Rafael Nadal em outdoor hard court ou terra batida, terá de fazer invariavelmente um dos melhores jogos da carreira e/ou esperar que Nadal esteja um pouco abaixo das suas capacidades. Outra atenuante que pode jogar a favor de Federer será se os encontros forem disputados em indoor hard court ou relva. Superfícies mais rápidas beneficiam muito o jogo de Federer em termos de pancadas, embora Nadal também aprecie as superfícies rápidas por ter maior endurance e saber variar o seu serviço com efeitos de slice e kick. Num dia onde esteja bem, Rafael Nadal é praticamente impenetrável frente a qualquer opositor, neste momento, e por mais que custe admitir isso até a quem não gosta muito do espanhol.

Tendo em conta que Rafael Nadal tem um Head-to-Head de 25-10 frente a Roger Federer, considerado por muitos como o melhor jogador de todos os tempos, poder-se-á então perguntar: será Rafael Nadal o melhor jogador de todos os tempos?

É difícil responder de uma forma concreta e capaz de juntar uma total bipolaridade de opiniões, dividida entre fãs do Nadal e fãs do Federer. Eu assumo, pessoalmente, que sou um grande fã do Roger Federer e que ele foi uma das razões pelas quais comecei a apreciar a modalidade. O suiço viveu uma verdadeira era de ouro entre 2004 e 2009, onde venceu 14 dos seus 17 títulos de GS. Até à data, Roger Federer quebrou sucessivos recordes de lendas de outros tempos, e a sua história é e será intemporal. Alguns recordes deverão ser mesmo imortalizados (23 semi-finais de GS consecutivas, ou 37 quartos-de-final de GS consecutivos). O seu estilo de jogo é um mimo para qualquer apreciador de ténis, já que sabe jogar de qualquer forma, seja como baseliner agressivo, serve-and-volley (como fez muito neste torneio), seja como counter-puncher (com o seu delicioso slice cross-court de esquerda que tem utilizado cada vez menos). Não deixa de ser notável que Federer, com 32 anos, ainda procure vencer e novas formas de vencer, e a contratação de Stefan Edberg para a nova temporada não foi por acaso. Stefan Edberg é um dos responsáveis pela subida de forma de Federer no início de 2014, ajudando Federer a ter uma esquerda mais consistente (mas ainda não está como devia) e de usar o serve-and-volley com mais frequência. Parece-me claro, que até Junho, Federer terá oportunidade de melhorar estes aspectos, e concentrará todo o seu foco em Wimbledon, onde tem maiores probabilidades de vencer um GS. Penso que poderemos estar próximo de um ano onde Federer voltará a ter bons resultados, e até arrisco dizer que vencerá Wimbledon.

Pese toda a história e grandeza de Federer, é fácil verificar que, atualmente, Rafael Nadal é melhor jogador do que Roger Federer. É mais forte fisicamente e mentalmente, tem mais soluções no seu jogo do que há uns anos atrás (apesar de ainda não possuir o arsenal em toda a extensão do court que Roger Federer ou Andy Murray possuem, por exemplo) e, mais importante que tudo, sabe manter uma consistência de jogo. Existam os rumores de doping e métodos fora do comum e até ilegais para Nadal superar as suas lesões, a verdade é que ele continua a ser o melhor da atualidade. E hoje ainda é mais, com o decréscimo de forma de Novak Djokovic, que está próximo de uma travessia no deserto (em minha opinião). Rafael Nadal já contabiliza 13 títulos do GS, e provavelmente vencerá no domingo para elevar para 14. E em Roland Garros, se estiver numa forma razoável (basta-lhe isso), vencerá Roland Garros tendo apenas como possível sucessor ao trono Novak Djokovic (que até poderia ter ganho no ano passado não fosse ter tido um choke mental que ainda hoje o afeta), elevando para 15. Poder-se-á dizer até que Nadal irá ultrapassar Roger Federer em GS, se tudo correr bem para o espanhol. E se isso acontecer, não faltará quem ache Nadal o melhor de sempre.

Será uma discussão para aprofundar ao longo dos tempos. Cada um teve as suas eras, cada um tem a sua superfície preferida e o seu estilo de jogo que bipolariza os fãs do ténis. A força da técnica contra a técnica da força. É um privilégio partilhar da mesma era que estes 2 monstros do ténis. Um dia mais tarde, os nossos netos vão perguntar por Nadal e por Federer, a não que apareçam novos monstros que saibam bater todos os recordes. Algo que duvido muito que aconteça a curto-prazo.

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