cenas de um futebol doente

Não venham dizer que são os valores de mercado ou que empresários mexem-se bem junto de clubes para conseguir tais valores de transferência. Os 95 milhões que alegadamente o Barcelona terá pago por Neymar (segundo o relatório apresentado pelo sócio do Barcelona que motivou a abertura de um processo de investigação por parte das autoridades espanholas à transferência) são imorais. A imprensa espanhola afirma que Sandro Rosell deverá ter pedido a sua demissão durante o dia de hoje.

Rosell cai vítima do seu próprio veneno. Quando Juan Laporta ainda era presidente do clube, na campanha eleitoral para a presidência do clube em 2010, perante um cenário catastrófico de perdas financeiras previstas nesse exercício económico de 79.6 milhões de euros, valor que se veio a confirmar em Outubro desse ano, o então candidato à presidência do clube afirmou publicamente que o Barcelona não tinha um euro que se pudesse dizer seu. Uma das primeiras medidas de Rosell enquanto presidente foi cancelar o patrocínio não-oneroso que a UNICEF tinha nas camisolas do clube catalão, procurar dinheiro nas árabias (Qatar Foundation – 35 milhões\anuais) e adjudicar um empréstimo para o clube aos bancos Santander e La Caixa no valor de 150 milhões de euros para o clube fazer face às despesas estruturais do clube (salários, pagamento a fornecedores, manutenção do Nou Camp, da Academia do clube e do mini-estadio). Ironia das ironias, para quem advogava enquanto candidato a catástrofe financeira do mandato Laporta, Rosell não se coibiu de dispender de uma assentada a módica quantia de 60 milhões de euros pelos passes de Cesc Fabrègas e Alexis Sanchez.

O esforço de amortização do passivo do clube tornou-se eficaz. O clube tem vindo a verificar uma diminuição da receita ano após ano, culminada na última época com uma descida de 1% em relação à receita verificada em 2012. Vejamos portanto este gráfico:

barcelona

despesas:

barça 2

Em tendência inversa, o relatório de contas do clube em 2013, revelou um aumento de 2 milhões de euros de euros nos custos estruturais a suportar pelo clube. Nesta rúbrica, os custos com salários de jogadores subiram 8 milhões de euros enquanto os custos com staff técnico desceram 5 milhões. Curiosa é a gestão do presidente do Barcelona neste cenário: com um esforço tremendo do clube para fazer descerem as despesas e fazer aumentar as receitas, com os limites do fair play financeiro da UEFA cumpridos a ferro e fogo (491 milhões de receita, 491 milhões de despesa), com o pesado empréstimo que o clube começou a pagar em 2012 ao La Caixa e ao Santander (11 milhões anuais) Rosell avançou para a contratação de Neymar por 57 milhões de euros, 95 segundo o relatório apresentado à justiça espanhola pelo sócio do clube.

A 30 de Junho, o vice-presidente para a área financeira Juan Faus afirmou: ““For the first time in the club’s history we are following a path of stabilizing revenue against total sporting wages. From an economical point of view, it’s much more important to control and stabilize wages as opposed to transfer fees”.  – Perante estas palavras onde é que se encaixa a transferência de Neymar?

As interrogações que meia Espanha faz hoje são: para onde foram os 38 milhões da diferença entre o que foi declarado pelo Barça e o que realmente poderá ter sido pago pela contratação do internacional brasileiro? Rosell lucrou pessoalmente com a transferência? Se não lucrou, quem lucrou com essa transferência? – o mais provável é termos que esperar pelo desenrolar dos próximos capítulos (na justiça espanhola) para perceber os meandros da coisa.

Parece-me também claro que este incidente irá reabrir novamente o dossier do acontecimento protagonizado pelos Messi no caso dos direitos de imagem onde pai e filho deverão ter fugido ao fisco espanhol.

Noutro prisma, mais uma vez, a banca espanhola é apanhada em fora-de-jogo. Depois do Bankia (banco nacionalizado com 23 mil milhões de euros, credor em cerca de 400 milhões do Valência) é o La Caixa (outro dos bancos nacionalizados em espanha) que se vê a braços com mais um possível escândalo em virtude de ser o maior credor do Barcelona.

Meanwhile,

Em Inglaterra, os 45 milhões que serão pagos pelo Manchester United pelo passe de Juan Mata ao Chelsea são super inflaccionados. Não vejo mais talento em Juan Mata do que a capacidade que o espanhol tem em centrar bolas para a área e bater bolas paradas. O que é, na minha opinião, muito escasso para os 45 milhões que clube da cidade de manchester vai pagar ao clube da capital. Por outro lado, creio que o United deveria procurar gastar esses 45 milhões de euros nas posições onde realmente tem carência de talento, caso do eixo da defesa, da lateral-direita e da posição 6, posição onde Michael Carrick não dá conta do recado (há anos) e onde a contratação de verão do clube (Marrouane Fellaini) pura e simplesmente não encaixa porque o Belga não é trinco sim um 8.

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