Campeonato da Europa de Andebol #4

Apresentação dos dois grupos e respectiva pontuação trazida para a 2ª fase:

Grupo 1: Dinamarca, Espanha, Islândia, Hungria, Macedónia e Áustria.

Grupo 2: França, Croácia, Polónia, Sérvia, Suécia, Rússia e Bielorússia.

Como calendário para esta 2ª fase, as equipas do grupo A iriam bater-se contra as equipas apuradas do grupo B, enquanto as apuradas do grupo C teriam que medir forças contra as apuradas do grupo D.

1ª jornada

Grupo 1

Jogo alto desta 2ª fase de grupos. As duas selecções transitaram para esta 2ª fase com pontuação máxima (4 pontos). Com uma arena de Herning esgotada (14000 pessoas) a selecção dinamarquesa levou a melhor sobre a selecção espanhola por 31-28 num jogo muito equilibrado em que as duas selecções apresentaram muita colectividade no seu jogo. Os Dinamarqueses conseguiram espantar todos os receios que ainda restavam desde a copiosa derrota na final do mundial de 2013 aos pés dos espanhóis. Para isso também deve ter contribuído a ausência de Arpad Sterbik, o sérvio naturalizado espanhol que defendeu tudo nessa partida aos jogadores dinamarqueses. Com esta vitória, a dinamarca colocou em xeque a Espanha que mesmo apesar de ter vencido a Áustria na 2ª jornada, teve que discutir o apuramento para as meias-finais no jogo contra a Macedónia.

Nos outros jogos da jornada 1 do grupo 1, como se esperava, a Húngria bateu a Macedónia por 31-25. Em destaque esteve Gabor Császar, central do PSG Handball com 7 golos. A Islândia bateu a Áustria por 33-27 com mais uma grande performance do veterano Valur Sigurdsson com 7 golos a confirmar novamente o grande europeu que realizou.

2ª jornada

austria 2

A 2ª jornada deste grupo provou porque é que a jovem selecção Austríaca chegou tão longe neste europeu com uma selecção tão jovem. Os Austríacos causaram muitos problemas à Espanha e na ponta final chegaram a ameaçar o apuramento espanhol para as meias-finais. Já com o pivot Julen Aguinagalde, considerado por muitos (eu, inclusive) o melhor pivot do mundo (Aguinagalde não jogou a fase de grupos devido a lesão e como as regras assim o permitem, foi inscrito para a 2ª fase) foi o pivot dos polacos do Tarje Vive Kielce, finalista vencido da última edição da Champions League, a ter o merecido destaque individual do jogo. Primeira parte fantástica do pivot com 6 golos em 6 remates, dois deles com duas fantásticas recepções a uma mão aos 6 metros. A jovem selecção austríaca, com bons talentos individuais que deverá evoluir para o futuro, casos do dominicano naturalizado Raúl Santos ou do lateral Maximilian Hermann entrou mal na partida mas chegou a estar a vencer a Espanha por 11-10 e 12-11 a meio do primeiro tempo, facto que motivou o seleccionador espanhol a usar de 2 timeouts nos primeiros 20 minutos. Na 2ª parte haveria de triunfar a maior experiência e a maior circulação de jogo dos espanhóis, ao dilatarem a vantagem para a diferença de 3 e 4 golos durante o segundo tempo. A selecção austríaca conseguiu nos últimos 10 minutos recuperar a desvantagem e ainda encostou os espanhóis às cordas nos últimos 30 segundos. Seria o hungaro naturalizado austríaco Viktor Szilagyi, experiente lateral-direito de 34 anos que alinhou durante a sua carreira em grandes clubes como o Kiel, o Gummersbach e o Flensburg (equipas de topo da Bundesliga Alemã) a decidir a vitória espanhola ao não conseguir concretizar um livre de 9 metros com barreira já depois de expirados os 60 minutos de jogo. Esta Austria promete…

Nos outros jogos, a Islândia manteve a toada vencedora ao bater a Macedónia por difíceis 29-27 e a Dinamarca bateu a Húngria por 28-24 (5 golos de Mikkel Hansen) retirando assim quaisquer hipóteses que os Hungaros tinham de disputar na última jornada o apuramento para as meias-finais.

3ª jornada

Ontem, a depender de si própria para o apuramento, a Espanha bateu confortavelmente a Macedónia por 33-22 e apurou-se no 2º lugar do grupo para as meias-finais da prova que se irão realizar amanhã. A Dinamarca cumpriu calendário frente à Islândia, selecção que ainda poderia sonhar com as meias-finais caso batessem os seus congéneres nórdicos e a Espanha perdesse a sua partida, vencendo também confortavelmente por 32-23.

austria 43

A equipa revelação deste europeu, a Áustria, despediu-se da Dinamarca com uma espectacular vitória sobre a Húngria num jogo em que Raúl Santos brindou Roland Mikler, guardião austríaco, com sensacionais finalização em rosca da ponta. Fica a sensação que os austríacos com uma pontinha de sorte e maturidade no final do jogo frente à Espanha poderiam ter causado maior estragos daquilo que causaram. Caso tivessem vencidos os espanhóis, entregavam de bandeja o apuramento aos Islandeses, apuramento esse que de resto, na minha óptica, era merecido pelas grandes exibições individuais protagonizadas pelo guarda-redes Edvalsson, pelo lateral Aron Palmarsson e pela estrela dos islandeses Valur Sigurdsson durante a competição. Contudo, só 2 poderiam passar às meias-finais da prova. Relembro que os austríacos eliminaram sem espinhas a República Checa de Philip Jicha na primeira fase-de-grupos.

Grupo 2

1ª jornada

frança 3

Duas velhas conhecidas das competições internacionais da última década defrontaram-se em Aarhus para aquele que foi o maior espectáculo protagonizado para já na prova. Pelo menos no que toca ao primeiro tempo, com uma ligeira vantagem no marcador para os franceses (18-17). Já com o mítico Thierry Omeyer na baliza dos franceses (à semelhança de Julen Aguinagalde, o guardião francês só foi inscrito para a 2ª fase da prova) assistimos à primeira grande exibição do lateral-direito croata Marko Kopljar na prova com 7 golos. Num jogo muito equilibrado a todos os níveis, o croata haveria de pontuar na primeira parte da partida. Na 2ª parte, aquele que é considerado por muitos o melhor guarda-redes da história do andebol Thierry Omeyer, fez uma exibição soberba ao defender ataque sim, ataque não, facto que invalidou qualquer hipótese dos croatas em discutir a vitória. No ataque, apareceu a maior sobriedade de finalização do inigualável Nikola Karabatic com 7 golos.

Nos outros jogos da 1ª jornada, a Polónia bateu a Bielorrussia por 31-30 e a Suécia bateu a Rússia por 29-27. A vitória dos Suecos permitiria no momento lutar pelo apuramento nos jogos seguintes frente aos polacos e franceses.

2ª jornada

wyzomirski

Com a França e a Croácia a cumprirem as respectivas obrigações frente a Rússos e Bielorussos, o jogo entre Polacos e Suecos iria servir para excluir à 2ª jornada uma das selecções do apuramento para a 2ª fase. Numa segunda parte péssima dos suecos a todos os níveis em que os comandados de Ola Lindgren e Staffan Olsson ora cometeram muitos turnovers no ataque, ora esbarraram contra uma fantástica exibição do guarda-redes suplente da Polónia (na imagem) Piotr Wyzormirski (guarda-redes do modesto Csurgoi da Hungria, quase sempre tapado na selecção por outro dos colossos das balizas de andebol, o grande Slawomir Szmal), os polacos tiveram tarefa facilitada no ataque e não perdoaram as falhas dos suecos. A Polónia despachou a Suécia para casa com um fantástico 35-25 e manteve intactas as possibilidades de causar uma surpresa no grupo.

Wyzormirski protagonizou aquela que considero a melhor exibição de um guarda-redes até ao momento. Certo é que a exibição de Omeyer frente aos Croatas e a exibição de Niklas Landin frente aos Macedónios na 1ª fase estiveram muito próximas da exibição deste guarda-redes frente aos Suecos.  Neste jogo veio-se a revelar mais uma vez aquilo que tenho escrito sobre a equipa sueca. Na 2ª parte, a falta de maturidade dos jovens suecos ditou claramente o resultado. No entanto, como estes erros servem para os jogadores retirarem ilações da sua prestação e assim modificarem o que está mal para eventos futuros, creio que os jogadores suecos irão aparecer muito mais fortes no próximo evento internacional que é o mundial do qatar dentro de precisamente 1 ano.

Jornada 3

Na 3ª jornada da prova, não consegui ver nenhum dos jogos. A Croácia apurou-se ao vencer a Polónia por 31-28. Cuidado com esta selecção croata. Nas meias-finais poderá surpreender a invicta dinamarca em casa. Tem mais que talento para isso. Nos outros jogos, os Suecos limparam a imagem dada no dia anterior ao bater a França por 30-28 enquanto a Rússia despediu-se do europeu com 39 golos na vitória por 39-33 frente à Bielorussia de Siarhei Rutenka com 12 golos de Dimitry Kovalev. Confesso que não vi qualquer jogo da equipa Bielorussia mas pelo pouco que vi nos resumos pareceu-me que Siarhei Rutenka continuou a padecer do vício orgânico de não pertencer a uma selecção com estaleca para estes momentos. Facto que já tinha constatado para outros jogadores como Philip Jicha ou Kiril Lazarov (Macedónia). Enquanto nas suas selecções, tanto Rutenka como os outros dois são estrelas, mas não tem estrutura para vencer grandes provas internacionais, enquadrados noutras selecções em prova ou enquadrados juntos na mesma selecção seriam capazes de formar uma equipa capaz de ir bem longe nas competições internacionais.

O espectáculo sobe de nível.

Sexta-feira chegam finalmente as meias-finais. Finalmente vamos perceber quem tem unhas para tocar guitarra. A invicta Dinamarca recebe a Croácia numa eliminatória que prevejo ser discutida ao milímetro. Espanha e França medem forças naquele que será provavelmente o confronto da década. Ambas as selecções estão no auge do seu andebol, não se podendo para o efeito apontar de ânimo leve favoritismo para nenhuma das selecções.

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