frases da semana

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1. O prémio é merecido mas não é disso que venho escrever.

Por diversas vezes nos últimos meses tenho visto vários agentes da imprensa especializada vender como um dos grandes sucessos da carreira de Cristiano Ronaldo o excelente trabalho que é feito por trás pela equipa da Gestifute de Jorge Mendes.

Jorge Mendes e seus pares estão efectivamente a tirar todo o rendimento possível da Marca Ronaldo sem a esgotar. É certo que o rendimento do atleta no campo também fez com que a sua marca ainda não se tenha esgotado. Contudo, ao analisar o trabalho de comunicação que tem sido feito com o jogador, posso afirmar que a empresa de Jorge Mendes não tem gente adequada para estas coisas.

Só um péssimo assessor de imprensa deixa o jogador fazer a figura ridícula que fez em palco na passada segunda-feira. A choradeira e tal já é a parolice do costume, típica do tuga neste tipo de cerimónias. A parvoíce\falta de cultura surge quando Ronaldo agradece o prémio a uma “figura muito importante na vida dele”, um tal “de Mandiba” – CR7 não só não é capaz de dizer bem a alcunha do histórico líder sul-africano como atira para o ar o seu nome como uma figura “muito importante na sua vida”, ditame que faz supor ao mais alarve dos seres humanos, por norma, gente que devora este tipo de galas, que Nelson Mandela era um amigo íntimo, unha com carne. Ronaldo tentou ficar bem na foto e acabou novamente abaixo da sarjeta.

Como se o episódio de Zurique não bastasse, o inflamado Jorge Mendes vem logo a seguir brindar-nos com mais uma das suas fantásticas pérolas –Ficará até aos 40 anos. Conheço Cristiano, foi uma alegria muito grande para ele ganhar a Bola de Ouro, é algo que nunca esqueceremos” – sim, até aos 40, até aos 50, porque é que não assina um vitalício com o Real Madrid como aquele que o JVP assinou nos 90 com o Vale e Azevedo?

Jorge Mendes pode ser excelente a vender jogadores, mas a falar é provavelmente uma das maiores cavalgaduras do futebol actual.

2. Para além da barreira de tradução:

O coach Pereira protagonizou na Arábia uma cena à la Toni (I love you, Tony Olivera I love you)

Mais uma evidência da facilidade tida pelos treinadores portugueses na expressão de tudo o que lhes vai na alma.

André Villas-Boas era o mestre da comunicação segundo o Guardian. AVB conseguiu na sua passagem por Londres surpreender os ingleses com novos termos linguísticos nunca antes conhecidos no diccionário futebolístico: “I couldn´t put my hand on game” ou “Defoe can smell crosses from everywhere”

Já Vitor Pereira, impedido de falar de pormenores técnicos do jogo pelo tradutor, conseguiu cometer a proeza de mentir aos sauditas quando afirmou que tudo o que “fala vem do coração” como se nas conferências de imprensa do Porto qualquer treinador fosse encorajado a dizer aquilo que sente…. sem contar com o súbito respeito que adquiriu naquele preciso momento para com a classe jornalística, facto contrário aquilo que experienciámos nos dois anos de FCP.

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