Superbock! Fresquinha! #28

Tudo ao Molho ! –

O que está a acontecer no dia de hoje em Olhão faz-me ter a certeza do que tenho constatado ultimamente sobre o clube presidido pelo patranho Isidoro Sousa.

Isto porque o que está a acontecer em Olhão no percurso actual do Olhanense faz-me voltar atrás para traçar um paralelismo que se pode fazer com a história recente do meu Beira-Mar. A vários níveis.

Recuando no tempo:

1. Estávamos a meio de 2011 quando Leonardo Jardim bateu com a porta. Antes de sair, aquele que considero o melhor treinador da história do Beira-Mar deixou a casa arrumada – uma equipa consolidada, manutenção praticamente garantida e um futebol muito interessante. Antes de sair, Leonardo Jardim perdoou uma dívida respeitante aos seus salários à direcção na altura presidida por António Regala. A precisa direcção presidida por António Regala, haveria, posteriormente, devido às débeis condições financeiras do clube de se seduzir ao dinheiro fresco que o sr. Majid Pishyar prometia trazer para Aveiro.

2. Jardim saiu. Entrou Rui Bento. Nada de mais. Treinador jovem sem experiência de primeira liga com ambição de solidificar a sua posição entre os melhores do futebol português. Com a entrada do antigo internacional chegou Majid Pishyar. Iraniano. 2 clubes falidos no historial – Admira Wacker e Servette – deserto de investir, palavras do próprio, num clube cronicamente mal-parado em virtude de sucessivas crises financeiras – Sportius, Inverfutebol – para criar um projecto capaz de transformar o Beira-Mar num clube europeu. Antes de Aveiro, Pishyar tentara, através dos seus raiders em Portugal (Nuno Patrão e Ulisses Santos) avançar para a aquisição e consequente constituição de SAD na Académica e na Naval. José Eduardo Simões e Aprígio Santos acabariam por dizer não às pretensões do proprietário da 32 Group.

3. A fogosa entrada do Iraniano em Aveiro deu logo lugar a dúvidas. Primeiro porque de início o investidor adiou sistematicamente a realização de investimentos até concluir a situação financeira do clube. Segundo porque nunca se mostrou interessado em acompanhar directamente a vida do clube. Terceiro porque se veio a descobrir que a aquisição do Servette se poderá ter devido ao interesse que Pishyar tinha em adquirir na Suiça uma joalheira de luxo, a Gilbert Albert. Quarto porque ao mesmo tempo em que Pishya preencheu os requisitos legais para constituir a SAD do Beira-Mar nos moldes actuais que regem a composição das SAD em Portugal e assim adquirir 85% da SAD beiramarista, começaram na Suiça, a sair os primeiros sinais de desinvestimento progressivo de Pishyar no Servette. O clube da bela Genéve acabaria por ser passado para outras mãos pela módica quantia de 1 euro. Denotava-se desde então que o iraniano tinha outros interesses em vista em Portugal que não ser proprietário de um clube, perdõem-me todos os meus amigos beiramaristas, cronicamente problemático, cronicamente despido de público de estádio e como tal de receitas e cronicamente votado a sucessivos bailados entre a 1ª e a 2ª liga.

(Não me atirem calhaus quando me virem no estádio, por favor…)

4. O resto da história todos conhecemos: Rui Bento confirmou que não é treinador em lado algum, o investimento que Pishyar prometeu nunca apareceu, as equipas do Beira-Mar serviram como montras de jogadores para os raiders-empresários Patrão e Santos, Bento bazou, para o seu lugar foi contratado o “labrego” Ulisses Morais, Morais bazou e para o seu lugar foi contratado o azelha Costinha – erro atrás de erro, incompetência atrás de incompetência, activo vendido atrás de activo vendido, merda atrás de merda. 2ª liga. Plano Especial de Revitalização. Fome entre o plantel. Guerra entre a direcção de Antonio Regala e a família Pishyar. Clube com o nome na lama e na boca dos oficiais de justiça do Tribunal de Comércio de Aveiro. Outras avarias que envolvem apostas ilegais e a Liga a aceitar inscrições contra os arrestos promovidos por credores. Viagens a serem pagas por adjuntos. Família Pieralisi. Sossego.

5. O que se passa em Olhão é um pouco isso. Não sendo o clube mais representativo da região onde se encontra à semelhança do que o Beira-Mar é para a região de Aveiro – o clube mais representativo do Algarve é o Farense e será sempre o Farense – a Olhanense é um clube com alguns pergaminhos no futebol português. Contudo, a analogia que traço com o Beira-Mar é simples: a Olhanense é um clube financeiramente débil, ao nível de receitas dependente da presença na 1ª liga (uma descida de divisão acaba com o clube ou fica perto disso) em virtude de ser mais um em Portugal com uma pequena massa associativa, sem grandes apoios da região, sem grande histórico de receita vinda de vendas de jogadores.

6. O que começa torto jamais se endireita: A Olhanense inicia a época com 3 problemas de fundo:

6.1 – Problemas financeiros. Plano Especial de Revitalização iniciado no passado mês de Agosto constituído pela cedência de direitos desportivos e 80% da SAD a um grupo de empresários italianos, pouco interessados nos resultados desportivos da equipa. Interessados sim em fazer rodar os jogadores que tinham espalhados aí pelos 4 cantos do mundo sem colocação. O mesmo que tinha acontecido no Beira-Mar com a dupla Patrão-Ulisses Santos.

6.2 – Um treinador a viver a sua experiência como tal num clube a ferro e fogo – Abel Xavier.

6.3 – Intermináveis obras no seu Estádio que levaram a equipa a ter que jogar as partidas em casa no Estádio do Algarve. Isidoro Sousa repetiu vezes sem conta no verão que as obras eram rápidas. Até hoje.

Os sócios da Olhanense, insatisfeitos com as sucessivas mentiras do seu presidente, tentaram puxar-lhe o alçapão. Várias vezes. Aqui, por exemplo.

7. Treinadores: Conceição a realizar uma das melhores épocas do clube na Liga. Despedido. Manuel Cajuda salva o clube da despromoção. Despedido numa altura crítica quando faltavam 2 jornadas para terminar o campeonato. Abel Xavier. Despedido quando os Italianos e Isidoro Sousa, tentaram, com aquela sociedade das nações que constitui o plantel dos algarvios, pedir a Liga Europa ao precoce treinador. Paulo Alves. Muita experiência de 1ª Liga. A sociedade das nações dos Mehmetis e Fatis e Bigazzis e Dionisis que nenhuma Salernitana deste mundo quer no seu plantel sem jogar um grosso. Perdão. Sem jogar um caralho. Despedido. Solução? Ah, sim. Um italiano. Giuseppe Galderisi. Passado interessante enquanto jogador com passagens por grandes do futebol italiano e 10 internacionalizações pela squadra azzura nas pernas Empresário? Sim. Um dos detentores da SAD algarvia. Passado como treinador? Sim, um passado MUITA NICE por COLOSSOS de Itália como o Mestre, a Cremonese, o Giulianova 1924, o Gubbio 1910, o Viterbese e precisamente a Salernitana. Entre muitos outros que não são melhores que a Cultural Leonesa.

Com muito respeito pela mítica Cultural Leonesa, o meu clube fetiche da 3ª Divisão Espanhola!

8. Plantel – aquilo que se vê. No Beira-Mar, na era Pishyar passaram portentos como Nazmi Faiz, Cedric Collet, Ruben Ribeiro, Saleh, Dudu, Tozé Marreco, Felipe Desco – tudo grandes máquinas deste futebol! E do outro. Em contraste com o actual plantel do Olhanense – Karamatic, Sebastien Mladen, Anthony Seric, o Jean que até tem um apelido engraçado (o Coubronne), Tibor Cica, Balogun (sempre que leio este nome dá-me vontade de ver um Brookliniano com uma arma na mão apontada a outro a dizer “Bala ou Gun?) Mor Pouye, Lucas Souza (chiça que o baú desta equipa é fundo) – resumindo, ao todo 12 nacionalidades no plantel! Se não fosse uma equipa de futebol diria que é um campo de refugiados. Como nem tudo é mau salvam-se Jander, Koldrup e os italianos que apesar de não ser matadores natos são gajos que suam a camisola numa equipa cuja táctica é “chuta para a frente para os italianos correrem atrás dela”

Moral da história – Porque é que o futebol mudou tanto em tão pouco tempo? Não há, neste momento, palco tão privilegiado no desporto como o futebol para o aparecimento destes fenómenos. Oligarcas desertos de lavar algum que não conseguem explicar ou entulhar nas sgps e holdings que possuem nos mais diversos paraísos fiscais. Clubes desesperados desses oligarcas e do dinheiro fresco que trazem. Empresários com capital suficiente para se tornarem proprietários de clubes com o objectivo puro de meter a rondar a carne que possuem nas suas carteiras de negócio. Se não dá aqui, dá noutro lado. Se este clube desceu, manda-se a SAD aos tojos e abre-se outra na Roménia. E por aí adiante.

É nesta crença que afirmo aqui sem pejo que não vejo este Galdarisi a dar a volta à situação. A sua chegada a Olhão faz-me lembrar a chegada de Franky Vercauteren ao Sporting. Sem qualquer conhecimento do futebol português e da tortura que lhe espera até ao final da época. Vercauteren saiu pelo meio. Ninguém o avisou que só seria treinador do Sporting até ao Professor Pardal ser despedido do Panathinaikos. O mais triste disto tudo é que o Olhanense vai descer de divisão. Quando descer, não existe mão que lhe pegue. Não será o único e o último a cair a pique. Na 1ª liga existe mais quem lhe siga os passos e os tombos. Garanto.

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4 thoughts on “Superbock! Fresquinha! #28

  1. quando disse isto num fórum que participa no início do ano, todos ficaram escandalizados, e disseram que ia sobreviver porque alguns jogadores tinham valor e o Abel Xavier até podia surpreender.
    Afinal de contas, assim se vê que além de ter o pior plantel da Liga, tem a pior estrutura da Liga, liderada por um homem que deve gerir aquilo como quem gere uma tasca de bifanas.

    Se houvessem mercados na betfair, tinha metido dinheiro que desciam.

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