Bidone D´oro #7

No jogo grande da jornada 18 da Lega Calcio, a Juventus bateu a AS Roma por claros 3-0 no Dell´Alpi. Qual peça teatral, permito-me a afirmar que os jogadores da Vecchia Signora desempenharam na perfeição a encenação prevista por António Conte para o espectáculo que assistimos hoje no seu novíssimo estádio.

À partida para o jogo em Turim, a Juventus, líder do campeonato com 46 pontos, recebeu uma invicta Roma, 2ª classificada com 41 pontos, com a possibilidade de cavar ainda mais o fosso classificativo entre as duas equipas. Se do lado da Juve, a equipa de António Conte procurava a 10ª vitória consecutiva para a Série A, do lado da equipa de Rudy Garcia, estava também em causa a invencibilidade na Série A, fruto de 12 vitórias e 5 empates. A Roma era de resto à partida para este desafio, em conjunto com o Bayern de Munique, uma das equipas que não tinha perdido qualquer jogo para o campeonato.

Dell´Alpi ao rubro na entrada das equipas. Onzes na máxima força para Antonio Conte e Rudy Garcia. O habitua 3x5x2 de Conte frente ao 4x3x3 de Garcia. Lichsteiner bem aberto no flanco da Juventus frente a Dodô no lado esquerdo da Roma. Maicon na direita dos romanos frente-a-frente com Kwadwo Asamoah no flanco esquerdo da Roma. Batalha de meio-campo entre o triângulo bianconero composto por Pirlo, Pogba e Vidal e o triângulo gialorossi composto por Daniele De Rossi, Miralém Pjanic e Kevin Strootman. Tevez ávido na frente a tentar desequilibrar em perímetros curtos para oferecer jogo a Llorente. Trio de ataque regular de Garcia com Gervinho e Ljajic nas alas e Totti como falso ponta-de-lança.

A Roma tentou pegar no jogo desde cedo e desde cedo se verificou que a Juventus iria encarar o jogo de forma inteligente e cínica, fechada lá atrás. Nos primeiros 12\13 minutos de jogo assistimos a um jogo maçudo, afunilado no centro do terreno, algo quezilento, em que o trio do meio-campo dos romanos tinha bola nos pés mas não conseguia chegar ao último terço do terreno, fruto dos blocos baixos da Juve nos últimos 30 metros. Durante toda a primeira parte, vimos por diversas vezes Tevez e Llorente defender atrás da linha da bola e participarem activamente nos processos defensivos da equipa. Aos 6″ iria aparecer a primeira oportunidade de golo para a Roma: Totti recupera uma bola no meio-campo da Juve, galga alguns metros com a bola nos pés e serve o sérvio Adem Ljajic já dentro da área para brilhante parada de Gigi Buffon à tentativa de picadinho que o antigo jogador da Fiorentina tentou executar com mestria.

Com o jogo em banho maria fruto do bloco baixo da Juve e da dificuldade que a Roma tinha em criar jogo pela falta de espaços criada pelos torinese, a Juve iria aproveitar a sua primeira jogada de ataque aos 14″ numa jogada em que Carlitos Tevez conseguiu criar um desiquilibrio num pequeno pedaço de terreno antes de endossar a bola a Artur “Celia” Vidal para o primeiro golo da partida. Cínica e pragmática como mandam os bons costumes do futebol italiano, a Juventus capitalizava na sua primeira manobra ofensiva. Voltaria rapidamente a fechar-se e a dar a iniciativa de jogo aos homens orientados por Rudy Garcia.

A Roma tentou responder como lhe competia. Aos 18″ à entrada da área, Pjanic rematou em jeito para defesa fácil de Buffon. O mesmo Pjanic ia coordenando todo o ataque dos Romanos, ora flanqueando sistematicamente a bola para a entrada dos laterais (Dodô e Maicon) ora tentando tabelar com estes, ora tentando tabelar com Totti e Ljajic. Contudo, todos os esforços do Bósnio esbarravam contra um muro de jogadores da equipa da casa. Pode-se dizer que após o primeiro golo da partida, os homens de Conte tiveram a virtude táctica de inverter por completo o 3x5x2 para 5x3x2, modelo em que os laterais raramente passaram o meio-campo para conseguir conter com maior eficácia as investidas dos irrequietos laterais da Roma. Aos 21″ seria o Holandês Strootman a rematar para defesa fácil de Buffon. Não tão fácil seria a defesa do histórico azzurro a um remate cruzado de Dodô. A dois tempos, Buffon deu conta do poderoso remate do brasileiro.

Perante a superioridade da Roma ao nível de posse de bola, respondia a Juve em contra-ataque. As transições rápidas de Pogba e Vidal, quase sempre à procura de um solto Tevez iam causando alguns calafrios à dupla de centrais da Roma, composta hoje por Benatia e por Leandro Castán.

A inteligência dos jogadores da Juve nesta 2ª parte não se esgotou pela fantástica organização táctica armada lá atrás. Sempre que os seus jogadores não conseguiam anular as investidas dos romanos, os homens de Conte não tiveram qualquer pudor em recorrer à falta. Exemplos disso foram os cartões amarelos que Chiellini levou aos 33″ quando entrou a varrer Ljajic no flanco direito numa jogada em que o Sérvio preparava-se para limpar 3 de uma vez ou a duríssima entrada que Bonucci executou sobre Totti no meio-campo minutos mais tarde que Nicola Rizzoli, árbitro deste encontro, fingiu não ver.

A ansiedade crescia nos jogadores romanos. É certo que para isso também contribuiu uma tímida ascenção da Juventus no final da primeira parte, subindo ligeiramente os blocos. Com o intuito de sacar o 2-o antes do intervalo, os homens de Conte tentariam por 3 vezes obter o 2º golo: primeiro aos 37″ num remate de Paul Pogba contra a muralha defensiva da Roma na área após passe de Pirlo na cobrança de um livre à entrada da área, a0s 39″ num remate de Llorente à entrada da área que iria sair por cima da baliza romana e aos 41″ quando o internacional Suiço Stephen Lichsteiner apareceu solto na direita e executou um cruzamento que foi embater no cotovelo de Dodô (dentro da àrea), lance ao qual o suiço protestou (e bem) a marcação de uma grande penalidade. Este lance acabaria por ser um dos únicos erros de Nicola Rizzoli numa partida em que o experiente árbitro internacional teve que controlar a agressividade da partida em várias ocasiões.

Ao intervalo, 1-o para a Juve. A táctica da Juve não facilitava a existência de espaço para a Roma jogar. Totti e Ljajic não estavam a conseguir envolver-se no jogo ofensivo da equipa. Gervinho estava a ser demasiado individualista até então. Mal recebia a bola, o extremo costa-marfinense via-se envolvido por autênticas paredes listadas de preto e branco. Cabia então a Rudy Garcia desbloquear o jogo com a colocação em campo de um homem de área, facto que viria a acontecer quando a Roma já perdia por 2-0 com a entrada de Mattia Destro. Foi precisamente o nome Destro que escrevi nas minhas anotações ao intervalo.

Na 2ª parte a equipa de Conte subiu ligeiramente as linhas de pressão. Retirou posse de bola ao adversário. Obteve mais posse de bola. Rapidamente chegaria ao 2-0. Outro conforto. Aos 47″ Pirlo bate um livre da esquerda. Qual lance estudado, coloca a bola com precisão ao segundo poste onde aparece o central Bonucci solto de marcação a empurrar para o fundo das redes defendidas por Morgan De Sanctis. Quem tem Pirlo, tem tudo! Os jogadores da Roma teriam que aproveitar a subida das linhas da Juve para construir mais jogo no espaço existente em virtude dessa alteração táctica. Não o fizeram. Como tal, nunca conseguiram responder à altura daquilo que se lhes exigia enquanto directos perseguidores dos homens de Turim. Entram Destro e Torosidis para as saídas de Pjanic e Dodô. Este último por problemas físicos. Garcia comete o pecado capital. Tira o seu organizador de jogo. Deixa Strootman em campo quando o Holandês pouco ou nada fez. Baixa Totti para a posição que era ocupada pelo Bósnio. A partir desse momento, se a Roma já tinha sérias dificuldades em entrar no jogo, mais dificuldades teve. O terceiro golo da Juve viria naturalmente por intermédio de Vucinic de grande penalidade a castigar um golo cortado pela mão por Leandro Castán. O montenegrino havia entrado aos 58″ para o lugar do lesionado Tevez.

Até ao final do jogo, pouco haverá por contar. A invicta Roma caiu no Dell´Alpi e está neste momento a 8 pontos da Juventus. Prevê-se uma passeata da Juve na Série A na 2ª volta, facto que até interessará aos Agnellis visto que a final da Liga Europa irá disputar-se em sua casa. A equipa de Rudy Garcia, terá, a meu ver de continuar a lutar para voltar às competições europeias. Napoli, Fiorentina e Inter irão apertar a malha aos primeiros lugares de modo a conseguirem uma vaga na champions na próxima época. A série vitoriosa de 12 jogos a abrir foi muito bonita mas a equipa de Garcia acusou a pressão no último mês. Ainda não tem estofo de campeã. Falta-lhe banco. Falta-lhe calo quando joga contra equipas grandes. Falta-lhe capacidade de resposta quando está a perder ou quando joga contra equipas bem organizadas defensivamente.

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