O que eu ando a ver #19

Belenenses vs Beira-Mar, 1ª jornada da fase-de-grupos da Taça da Liga.

Estádio do Restelo, 30 de Dezembro de 2013, 18 horas.

danielsson

O Sueco Helgi Danielsson marcou o único golo no jogo de ontem disputado em Belém, estreando-se assim a marca com as cores do clube da Cruz de Cristo.

Início de noite fria e chuvosa no Estádio do Restelo. Pouco público nas bancadas. De Aveiro, na bancada oposta à que me encostrava, os “sempre presentes” Ultras Auri-Negros vieram com cerca de 20 pessoas a Lisboa. Jogo relativo à 1ª jornada de um grupo que tinha visto no dia anterior o Braga bater o Estoril no António Coimbra da Mota por 1-o num jogo marcado por um grosseiro erro de arbitragem nos minutos finais com um jogador do Braga a cortar com o braço aquele que seria o golo do empate da equipa comandada por Marco Silva.

Na antevisão à partida, o treinador Jorge Neves prometeu um Beira-Mar ambicioso frente um Belenenses que aos solavancos vai andando no 13º lugar da Liga. O treinador aveirense afirmou na conferência de imprensa que antecedeu o jogo de Belém: “pesar dos últimos resultados, (o Belenenses) é uma equipa que tem bastante valor, do meio da tabela para baixo. Joga em casa e é favorita. Vai querer ganhar, até para moralizar. (…) “Pelo nosso lado, vamos com o intuito de lhes complicar ao máximo a vida e lutar pela vitória também”

Na ante-câmara de um jogo que pode ser decisivo a todos os níveis para a época tranquila que o clube está a fazer (domingo frent à Académica no Estádio Municipal de Aveiro para os oitavos-de-final da Taça de Portugal) cumpria ao plantel do Beira-Mar e respectivo staff técnico compreender o nível de preparação e exibição que a equipa iria apresentar contra uma equipa de primeiro escalão.

Na capital, Jorge Neves lançou em campo um 11 perto do melhor 11 que a equipa pode apresentar. Com Dieguinho lesionado e Rafael Batatinha ausente (apresentou rescisão de contrato à SAD na semana passada), Hélder Tavares foi a única novidade nos títulares do clube aveirense. Num habitual 4x3x3, coube a André Sousa a posição mais avançada do vértice do meio-campo e a tarefa de organizar o ataque do Beira-Mar. Na frente, William jogou na direita, Pité na esquerda e Luis Phellype no meio como ponta-de-lança de referência.

O Beira-Mar entrou em campo com uma atitude ambiciosa. Nos primeiros minutos não só conseguiu executar uma pressão efectiva nos jogadores de meio-campo do Belenenses de forma a impedir a construção de jogo como teve as melhores oportunidades do jogo. Sem bola no pé, os 3 homens do meio-campo do Belenenses (Fernando Ferreira, Fredy e Tiago Silva) iam sendo presa fácil para o meio-campo do Beira-Mar. Com uma frente de ataque muito móvel (Miguel Rosa à esquerda, Fabio Sturgeon no centro com muita mobilidade e o veterano Paulo Jorge à direita) todo o jogo criado no primeiro tempo pelo Belenenses pertenceu aos dois últimos. Na primeira parte, o Belenenses não conseguiu criar muito perigo junto da baliza de Renato (substituíu Rui Rego nesta partida) e invariavelmente, todo o jogo que chegou à àrea aveirense foi cortado de forma eficaz pelos centrais Jaime e Luis Gustavo, dois jogadores com sinal mais durante toda a partida.

Muito desapoiado na frente de ataque dos aveirenses, Luis Phellype viu o seu compatriota Willian (emprestado pelo Torino ao Beira-Mar; jogador com capacidade para altos voos no mundo do futebol) ser o maior quebra-cabeças da defensiva azul. Na primeira parte, Willian esteve irrequieto no flanco direito, obrigando os jogadores do Belenenses a cometer muitas faltas. Sacou dois amarelos: um a Tiago Silva (cuja falta haveria de lesionar o internacional sub-21 para o resto do jogo; entrou Danielsson para o seu lugar) e outro aos central Eggert Jonsson. Com um André Sousa q.b no jogo e um duplo pivot eficaz no miolo (Dias e Tavares; este último acrescentou muita força física às batalhas de meio-campo mas foi muito pouco esclarecido no ponto de vista técnico) coube ao Beira-Mar a iniciativa de jogo no primeiro tempo, podendo os aveirenses ter marcado por duas situações de William aos 4″ e 16″.

Na 2ª parte tudo se alterou. O Belenenses entrou com maior disposição para vencer a partida. Os comandados de Marco Paulo entraram com uma pressão muito alta, não deixando o Beira-Mar respirar. O golo adivinhava-se neste início da segunda parte quando o Belenenses ganhou 5 cantos seguidos. Nos primeiros 7 minutos da primeira-parte o Beira-Mar não conseguiu progredir com bola para além do seu meio-campo. Encostada às cordas, a equipa de Jorge Neves acabou por tentar explorar o contra-ataque. Depois dos 5 pontapés-de-canto quase seguidos que a equipa de Marco Paulo ganhou, de um remate de meia distância de Fredy para fora aos 51″ e de um remate de Paulo Jorge no coração da área que seria desviado da baliza por intermédio de um jogador do Beira-Mar, pode-se dizer que os aveirenses poderiam ter marcado em dois lances: o primeiro por intermédio de Pité numa grande jogada individual do jovem formado na cantera do clube em que este, pela esquerda, limpa dois jogadores do Belenenses à entrada do meio-campo, faz uma enorme cavalgada solitária até à area e remata cruzado para defesa de Rafael Veloso e, aos 70″ quando Hélder Tavares aparece sozinho na área a cabecear por cima da baliza defendida pelo jovem guardião luso-espanhol. Entre estas duas oportunidades de golo, aos 62″ Fredy queixou-se de penalty na área aveirense (pude ver em repetição televisiva posterior que Ricardo Dias joga a bola), aos 63″ Marco Paulo tirou o móvel Fabio Sturgeon para colocar em campo um ponta-de-lança de área (Tiago Caeiro) e aos 65″ Paulo Jorge apareceu sem marcação na área a cabecear para defesa fácil de Renato.

Momento do jogo.

O cerco do Belenenses à baliza defendida por Renato deu os seus frutos à passagem do minuto 72. O irrequieto Fredy tentou ultrapassar a marcação de Luis Gustavo tendo sido travado pelo brasileiro de forma irregular, facto que lhe iria valer um justo cartão amarelo. Na sequência do livre cobrado por Miguel Rosa (tentou alterar o rumo dos acontecimentos na 2ª parte através da sua portentosa capacidade de execução de centros para a área; tirando isso esteve apagado na maior parte do jogo) Tiago Caeiro cabeceou para defesa de Renato. Segundos depois, num cruzamento para a área, a defesa do Beira-Mar não foi eficaz no alívio e a bola veio parar aos pés de Danielsson que, de primeira, atirou a contar para o fundo das redes. Sofrido o golo, Jorge Neves tentou refrescar a frente de ataque com Tiago Cintra, 2ª substituição do jogo para o lado da equipa aveirense. Minutos antes, já tinha colocado Nanu numa tentativa de rentabilizar ao máximo a estratégia (de contra-ataque) delineada para este 2º tempo. De Cintra pouco ou nada vi em campo, tendo acabado o jogo com um livre em que o jogador do Beira-Mar não conseguiu bater um livre em condições para os colegas.

Do golo até ao final da partida, o Belenenses controlou a vantagem adquirida no remate do jogador sueco. Jaime aos 80″ cabeceou sem perigo e no minuto seguinte, o Belenenses podia até ter ampliado a vantagem num remate de Miguel Rosa ao travessão da baliza auri-negra. Excelente flecção do antigo jogador dos quadros do Benfica da esquerda para o centro do terreno, rematando em arco com o seu pé-direito.

As estatísticas finais (16 remates para o Belenenses, 9 para o Beira-Mar, 60% de posse para o Belenenses, 40% para o Beira-Mar) provaram um jogo interessante onde o Belenenses fez mais para vencer a partida no 2º tempo.

Boa exibição do Beira-Mar na primeira parte, em particular dos centrais, do lateral-direito André Nogueira, dos 3 homens do meio-campo e de Willian (como disse, merece muito mais do que o Beira-Mar) num jogo que provou que esta equipa não só é capaz de fazer melhor que o 15º lugar na 2ª volta do campeonato da Liga Cabovisão como tem capacidade para provocar uma surpresa na Taça no domingo. Com a entrada do grupo Pieralisi na SAD Aveirense, com a liquidação de passivo que os italianos já efectuaram na semana passada e com a reposição dos salários em atraso que a família Pishyar tinha perante atletas e funcionários, pode-se que esta onda de estabilidade que os investidores italianos pretendem a curto prazo para o futuro do clube possa trazer bons resultados. Esta equipa é jovem, tem talento e necessita de trabalhar sobre pressão para poder sonhar com voos maiores.

No Domingo será importante vencer a Académica e rumar aos quartos-de-final da Taça. Primeiro porque vencer é um rival será sempre vencer um rival. Em segundo lugar porque poderá permitir ao clube a possibilidade de ir mais longe na Taça e de encontrar um grande na próxima ronda, facto que poderá granjear uma receita considerável e assim mostrar os novos investidores que o seu projecto para o clube tem viabilidade financeira no futuro.

Do Belenenses tenho a dizer que a jogar assim, não ganha a ninguém na primeira liga. É para mim, em conjunto com o Olhanense, a equipa mais frágil desta liga. Necessita de reformular o seu plantel em Janeiro para conseguir vencer a batalha da manutenção. A carência que a equipa apresenta ao nível de pontas-de-lança poderá ser satisfeita com Rambé (melhor marcador da 2ª liga pelo Farense sob empréstimo do clube) e com a contratação do conhecido austríaco Roland Linz, avançado de 32 anos que brilhou no Belenenses e Braga há uns anos atrás, jogador que se encontrava a jogar na Tailândia. Marco Paulo necessita a meu ver, dois melhores laterais do que aqueles que apresenta no seu plantel (Filipe Ferreira, Duarte Machado, João Afonso, Victor e André Teixeira) de preferência jogadores com propensão ofensiva, de um organizador de jogo e de um jogador que pode desequílibrar mais pelas alas.

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