O que eu ando a ver #17

Sporting 0-0 Nacional (em Alvalade)

Resumo do jogo.

1. Alvalade em estado de graça procurava ser o 12º jogador numa noite que previa vitoriosa. Obrigado a vencer para manter a liderança isolada do campeonato, a noite começou bastante animada em Alvalade. William Carvalho recebeu o prémio de jogador do mês de Novembro do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol, uma criança de 10 anos teve direito aos parabéns em pleno relvado e ao intervalo, o adepto nº 7 milhões Salvador Correia de 74 anos teve direito a uma camisola oferecida pelo guarda-redes suplente Marcelo Boeck. O mesmo fez um discurso emocionado que recolheu milhares de aplusos no estádio ao afirmar “sei que não sou eterno, mas também sei que o Sporting será uma instituição que se eternizará no tempo”.

2. Condição sem arbitragem. O jogo de ontem foi quanto a mim a pior exibição do Sporting na época. Jardim repetiu o onze mas decidiu colocar Carrillo na esquerda e Capel na direita. O Sporting foi incapaz de produzir o caudal ofensivamente que tem vindo a produzir até aqui. O peruano esteve outra vez na sombra. Teve 2 ou 3 anotamentos artísticos nos primeiros 15 minutos onde trocou as voltinhas ao lateral-esquerdo do Nacional Marçal mas ficou-se por ali não tendo sido capaz de combinar com Jefferson de modo a criar superioridade pelas alas. Na direita, o espanhol tentou por várias vezes a flexão para o centro do terreno de forma a aplicar o seu fantástico remate mas não causou grande perigo. Na 2ª parte, Jardim trocou os extremos mas a troca haveria por não causar danos de maior à baliza do Nacional pois Capel complicou em demasia o seu jogo. Haveriam de ser rendidos por Wilson Eduardo e Carlos Mané na 2ª parte. No meio William Carvalho voltou a demonstrar a sua qualidade: eficaz no desarme, efectivo no passe. Adrien fez uma 2ª parte de sonho na qual recuperou muitas bolas a meio-campo e no papel de criativo no 4x4x2 improvisado por Jardim depois da lesão de André Martins, pegou na batuta que pertenceu ao 8 do Sporting no primeiro tempo e tentou organizar e desiquilibrar pelo centro do terreno. No ataque Fredy Montero teve um jogo desinpirado e nunca se conseguiu impor no meio dos centrais do Nacional. Na 2ª parte, o colombiano serviu de apoio ao ponta-de-lança de referência (Islam Slimani) tendo efectivamente servido o argelino em duas situações, uma das quais no cabeceamento que Gottardi defendeu aos 58″. Defensivamente, Cedric apareceu diversas vezes a centrar no lado direito sem efeito e teve que se preocupar com o irrequieto Candeias no seu flanco. Recebeu diversas vezes a ajuda de William Carvalho e Adrien Silva.

3. Com a lesão de André Martins ao intervalo, Jardim, mudou novamente o sistema táctico para 4x4x2 como costuma ser apanágio com a entrada do internacional argelino, perdeu o principal criativo da equipa e ganhou mais poder de choque no último terço. O argelino mostrou mais uma vez que não é um típico homem de área, ganhando diversas bolas a meio-campo e quando solicitado de costas para a baliza, conseguiu participar várias vezes na manobra ofensiva da equipa recebendo a bola e encaminhando de primeira ou para os flancos ou para Adrien Silva. Bom de pés este argelino.

4. Como se previa, o Nacional veio a Lisboa aplicar a mesma receita que já tinha aplicado no empate no estádio do Dragão. Manuel Machado disse na conferência de imprensa estar agradado com a “competência da sua defesa” e com a “competência dos blocos de pressão que actuam mais à frente” – o treinador do Nacional não poderia ser mais assertivo na sua análise ao jogo. O Nacional foi uma equipa que estacionou o autocarro no seu meio-campo e não permitiu o Sporting jogar. Foi uma equipa que não se coibiu de aplicar em campo um jogo agressivo, impetuoso, recorrendo por diversas vezes à falta para travar o meio-campo do Sporting. No ataque, a equipa lançou-se no contragolpe de forma cautelosa, quase sempre com 3 unidades: os extremos Rondón e Candeias e o ponta-de-lança Diego Barcelos, que, na 2ª parte dispôs na cara de Rui Patrício a maior oportunidade de golo da partida. O brasileiro acabaria por rematar de forma escandalosa para fora.

No final da partida, quando o Sporting já jogava em desespero, os entrados Jota e João Aurélio (renderam Candeias e Rondón) tiveram diversas bolas no pé em contra-ataque, ficando a pairar a ideia que se tivessem demonstrado mais ambição poderiam sair de Alvalade com os 3 pontos.

5. O jogo contra o Nacional demonstrou a meu ver uma das fragilidades deste Sporting: com um banco composto por Marcelo Boeck, Vitor Silva, Eric Dier, Gerson Magrão, Wilson Eduardo, Carlos Mané e Islam Slimani, ficou visível a necessidade que Jardim tem de ter um jogador “abre-latas” para este tipo de jogos. Se Wilson Eduardo é capaz de criar desiquílibrios pelo flanco direito e o avançado argelino é um homem-golo, o resto do banco é muito escasso pois Vitor é um substituto natural para Adrien (um jogador capaz de pautar o jogo com algum esclarecimento e com muita capacidade de circular bola quando a equipa está a ganhar e como tal necessita de retirar posse ao adversário) Gerson Magrão ainda não fez nada que justificasse a sua contratação e permanência no plantel e o jovem Carlos Mané, apesar do talento que demonstra, ainda é muito tenro para ser colocado em situações de pressão. Justifica-se por exemplo a contratação de Leocísio Sami do Marítimo, por exemplo.

Manuel Mota

6. Depois do que vi, é-me impossível não escrever sobre a arbitragem, a cargo de Manuel Mota da Silva da AF de Braga. Este árbitro natural de Vila Verde veio a Alvalade apitar o seu 4º jogo na Primeira Liga na presente temporada. O que fez no relvado de Alvalade justifica o porquê de não ter sido nomeado mais vezes para jogos do principal escalão do futebol português. Este empresário de 36 anos, que na declaração anual entregue à FPF assumiu-se como adepto do Benfica, fez uma péssima arbitragem em Alvalade a todos os níveis.

No plano técnico deixou o Nacional fazer um jogo faltoso durante toda a partida, não assinalando no primeiro tempo uma falta claríssima do moçambicano Zainedine Jr. sobre Jefferson à entrada da área cuja marca do carrinho do jogador do Nacional permaneceu visível no relvado de Alvalade. O egípcio Aly Ghezzal deu porrada q.b em Adrien durante toda a partida e o lateral Marçal abusou do jogo de braços nos duelos com Diego Capel. No capítulo disciplinar, Manuel Mota poupou diversos cartões amarelos aos jogadores do Nacional, não poupando 3 a jogadores do Sporting na 2ª parte (Jefferson, Montero e Mané). Não se preocupou sequer em por cobro ao anti-jogo praticado pelos nacionalistas durante todo o jogo.

O lance do golo. Como as imagens mostram, o golo é limpo. Tanto o lance que Montero com Marçal como o sequente lance de Slimani são lances absolutamente normais no jogo de área. Manuel Mota viu o lance com o colombiano e deixou o jogo seguir, Slimani marcou golo, deixou o argelino ir festejar o golo com a claque e 30 segundos depois quando o Argelino já regressava ao seu meio-campo decidiu apontar a falta. Perante isto: ou Manuel Mota (por decisão própria ou por decisão dos seus assistentes) decidiu sancionar uma falta de 38800 pessoas não viram ou então estamos perante um erro propositado. Acredito que o erro foi propositado com o intuito de provocar dolo nas aspirações do Sporting Clube de Portugal.

No flash-interview, o central Miguel Rodrigues afirmou: “senti o toque e deixei-me cair” – gostaria de perguntar ao futebolista Miguel, futebolista que já passou por milhares de lances iguais ao que ontem foi assinalado, quantos jogos é que disputou sem tocar ou puxar os adversários contrários?

Continuo a dizer que na arbitragem portuguesa há muita falta de qualidade. Existem tipos que são colocados nos jogos de primeira liga que pura e simplesmente não sabem o que fazem. Pior que isso é assistirmos a arbitragens onde os referidos senhores usam e abusam de critérios distintos para lances semelhantes (caso do Marítimo-Braga da passada quinta-feira) e tentam remediar erros com influência directa no decorrer do jogo com outros erros. Não se justificam erros que prejudicam uma equipa com o benefício dessa mesma equipa noutros lances dos jogos.

Vitor Pereira

É incrível como em 14 jornadas desta liga, não podemos afirmar que existe uma jornada pacífica ao nível de arbitragens. Este ano está a ser por demais nesse capítulo. Da espuma do prejuízo e do benefício de todos os grandes em vários jogos, fica a verdade desportiva em causa. Não tenho qualquer renitência em afirmar que esta liga está a ser completamente manipulada a bel-prazer dos interesses de alguns clubes. Já vi dezenas de jogos de outras competições nesta temporada e que me lembre, só vi um ou dois jogos cujas arbitragens agissem de forma decisiva no desfecho final dos jogos. Lembro-me apenas da actuação dolosa de Gianpaolo Cavarese no Fiorentina 1-2 Napoli, do jogo entre Franceses e Ucranianos e precisamente, do Ajax vs Milan da champions, e de Pedro Proença, essa transcedência da arbitragem mundial no jogo de Atenas entre Gregos e Romenos a contar para o playoff de apuramento para o mundial. Fico portanto estupefacto em saber que, perante todo este churrilho de incompetência no que à arbitragem portuguesa diz respeito, este senhor que acima aparece na imagem, de nome Vitor Pereira, um excelente árbitro na história do futebol português, actual presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, responsável por todas as nomeações dos jogos profissionais de futebol, ja revelou maior incompetência que os seus nomeados na medida em que não é capaz de por mão nesta pouca vergonha. Está a ser a pior época da arbitragem portuguesa. De Vitor Pereira temos o silêncio. Não existe um colocado na jarra. Não existe um procedimento disciplinar. Nada. Puro silêncio, pura desordem, pura incompetência, erros atrás de erros, jornadas polémicas atrás de jornadas polémicas. Estou certo que em Inglaterra ou Itália, este senhor já estaria demitido.

Baila-me na cabeça a ideia de profissionalização da arbitragem em portugal. Tendo em conta que os felizes contemplados irão receber 25 mil euros de salário (x9 dá qualquer coisa como 225 mil euros anuais/ quantos profissionais em Portugal podem gabar-se que recebem este salário ao final do mês) mais bónus por jogo na tarifa designada pela FPF\Liga na ordem dos mil e picos euros por jogo efectuado (por ano civil um árbitro faz em média entre 35 a 37 jogos por temporada, logo, encaixa perto de 40 mil euros/volto a perguntar desta vez qual é o profissional em portugal que recebe 1000 e picos euros por dia de trabalho) e que esse salário vai ser pago com dinheiros públicos e capitais arrecados pela FPF junto de receitas que os clubes fazem em virtude da cobrança de ingressos a pessoas que querem ver espectáculos justos, leais e isentos de actos manipulados ou clubisticamente tendenciosos, começo a perguntar se vale a pena avançar com um projecto de modernização corporativista com profissionais cheios de vícios, clubites e manhas acumuladas durante uma ou duas décadas de arbitragem. Pessoalmente continuo a defender que a profissionalização da arbitragem deveria funcionar no mesmo modelo em que funciona a formação de um clube de futebol: a FPF deveria iniciar a profissionalização com jovens talentos a iniciar carreira na arbitragem e criar um sistema de formação profissional na estaca zero de forma a que esses talentos pudessem desempenhar a sua função com todo o conhecimento e competências profissionais que a profissão exige. Tenho dito.

8. As declarações do presidente do Sporting Bruno de Carvalho: a quente. O meu presidente (não uso máscara clubística, nem sou obrigado a ser imparcial neste blog porque não tenho que seguir a deontologia jornalística) voltou a pecar por defeito. Toda a gente sabe que o Sporting já foi longe demais. Toda a gente sabe que neste momento, o Sporting está a imiscuir-se na luta dos milhões. Ou seja, perante plantéis que custaram os olhos da cara a Benfica e Porto, afirmar que se pretende ir à liga dos campeões é neste momento soar um botão de alarme na Luz e no Dragão. Porquê? Óbvio. Como quase tudo na vida, o futebol é dinheiro. Se Benfica ou Porto não conseguirem o apuramento para a próxima edição da Champions, grande parte do investimento feito nesta e na próxima temporada não terá o seu retorno e como ambas as equipas gastam com previsão no retorno que só a champions dá no futebol mundial, isso provocará um efeito dominó na gestão de ambos obrigando a uma maior retracção orçamental.

Já tive oportunidade de dizer pessoalmente ao presidente que o admiro por ser o primeiro presidente do Sporting Clube de Portugal que vejo defender de forma intransigente os interesses da grandiosa instituição que é o Sporting Clube de Portugal e transportar de viv´alma os valores que sempre pautaram a actuação da instituição ao longo da sua história. Se por um lado considero que Bruno de Carvalho fez muito bem em ir à sala de imprensa defender os interesses do clube perante aquilo que foi uma pouca vergonha, também considero que o meu presidente deveria fazer o mesmo quando a equipa é beneficiada pela arbitragem. Será portanto do meu agrado que a instituição continue, pela voz dos seus dirigentes, a apresentar a dignidade que sempre apresentou ao longo da sua história.

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2 thoughts on “O que eu ando a ver #17

  1. Golo do Sporting mal anulado, concordo em absoluto.

    Erros que influenciam decisivamente o resultado final, lembro-me do jogo de Agosto em Alvalade, em que Montero marca fora de jogo e o Maurício faz de mochila ao Cardozo dentro da área.
    Com isto não quero dizer que o Benfica tenha merecido ganhar esse jogo, nem que tenha jogado para tal. Mas se vamos ser virgens ofendidas, temos de ter memória suficiente para esses casos. Temos de nos lembrar do penalty sobre o Cedric contra o Belenenses, em que estava 0-0 e o Sporting tinha tido 0 oportunidades. Temos que nos lembrar dos inúmeros golos fora de jogo do Montero.

    Sou grande defensor da punição da corrupção. Isso não implica que não reconheça que os grandes são os mais favorecidos pelos árbitros.
    Abraço.

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