O que eu ando a ver #7

portugal

Teste muito ambicioso para a selecção nacional de rugby nas vésperas da segunda volta do Torneio Europeu das Nações\Qualificação para o Campeonato do Mundo de 2015. Na antecamara do que considero “muito difícil”, ou seja, recuperar em 5 jogos (a disputar em Fevereiro\Março com 2 jogos fora na Rússia e na Roménia, esta última onde a selecção nacional apenas venceu 1 vez) os 7 pontos de desvantagem para a Rússia (para garantir um lugar no playoff final de acesso para o mundial contra a 2ª classificada da zona africana e 1ª da zona sul-americana) e os 12 de desvantagem para Geórgia e Roménia, a jovem selecção nacional de Rugby (recheada de caras novas e a trabalhar há poucos meses sob a liderança de Frederico Sousa depois da demissão do neozelandês Errol Brain) recebeu a selecção 15ª do ranking IRB (Canadá) no Estádio Universitário de Lisboa.

Portugal veio de uma vitória esmagadora na Arena Barueri em São Paulo contra o Brasil (no primeiro jogo disputado entre as duas selecções) por 68-0 num jogo em que a selecção brasileira, como se previa, não apresentou o nível adequado para dar alguma competição à nossa selecção. Não querendo ser crítico em relação ao trabalho dos responsáveis da Federação Portuguesa de Rugby, a ida dos Lobos a São Paulo nesta janela da IRB acabou por ser, na minha modesta opinião, contrasensual com o trabalho de evolução que se pretende para estes novos internacionais que Frederico Sousa inseriu na equipa visto que não é a jogar contra o Brasil que estes jovens irão ter a evolução necessária para encarar os próximos 5 jogos oficiais da equipa. A ida ao Brasil acaba até por chocar com a estratégia de “back on track” que a FIRA\AER traçou para o Rugby Português de forma a colmatar o défice competitivo que este sofreu nos últimos anos. Falo portanto da vaga na Amlin Cup (para os menos entendidos, a Amlin Cup é uma espécie de Liga Europa do Rugby) que a Federação Europeia granjeou esta época aos Lusitanos, equipa formada por jogadores da espinha dorsal da selecção, com o intuito de dar uma maior experiência aos jovens jogadores das equipas portuguesas com vista ao desenvolvimento da selecção portugal em particular e do jogo em Portugal.

O Canadá veio a Lisboa depois de 3 derrotas consecutivas contra os All-Blacks, Roménia e Geórgia. Contudo, o jogo contra os Georgianos em Tiblissi haveria de ser marcado (pela negativa) por uma vergonhosa batalha campal protagonizada em sonância pelos jogadores, dirigentes e público georgiano. Nada que espante um conaisseur dos habituais mimos que os homens de Tiblissi brindam a todas as selecções que os visitam.

O histórico de jogos entre a selecção portuguesa e a selecção canadiana prometiam um jogo equilibrado. Das últimas vezes que se tinham defrontado, os canadianos levaram a melhor por 3 e 8 pontos, sendo que numa dessas partidas a selecção Portuguesa esteve empatada até 4 minutos do fim da partida.

Confesso que só apanhei o directo aos 13″ com o Canadá a liderar por 7-0. Desde logo consegui apanhar o fio à meada. A Selecção Portuguesa apresentou ao longo de todo o jogo (excepto no lance do ensaio obtido por Pedro Ávila) uma grande dificuldade na montagem de fases ofensivas perante uma defesa canadiana muito experiente, muito equilibrada e muito coordenada tanto a deslizar para os flancos como a fechar todos os canais, não permitindo portanto grandes veleidades aos jogadores Portugueses. Tal facto obrigava invariavelmente os jogadores das linhas atrasadas portuguesas a pontapear bolas para os seus congéneres do lado oposto. Nesta estratégia, os canadianos sentiram-se em casa. Em duas três fases, colocavam os seus homens recuados a galopar com muito à-vontade nas linhas portugueses sem que em 2 ou 3 placadores as jogadas fossem travadas. Aí residiu outro dos problemas que a defensiva portuguesa não conseguiu executar ao longo do jogo. Aproveitando a organização (e o pontapé certeiro) do australiano naturalizado canadiano 15 James Pritchard (o mais experiente dos canadianos; jogou em clubes de topo como o Perpignan ou os Northampton Saints; a besta negra dos portugueses pelo número de pontos marcados sempre que actuou contra a selecção portuguesa), o poder de aceleração do ponta Taylor Paris e o enorme jogo do asa Moonlight que anulou por completo os portugueses nos rucks, rapidamente os canadianos chegaram a uma vantagem de 17-0 a meio do 1º tempo. Para travar Moonlight sentiu-se a falta de Julien Bardy. Portugal haveria de responder apenas com um pontapé de penalidade de Pedro Leal, reduzindo a vantagem canadiana de 17-0 para 17-3.

À excepção de Pedro Ávila que ao longo de todo o jogo tentou várias perfurações na defesa canadiana, a linha de 3\4 de Portugal foi uma sombra daquilo que costuma ser e alguns jogadores (como Miguel Leal) acabaram a primeira parte em enormes dificuldades físicas.

Nos descontos de tempo, depois de um turnover, James Pritchard ganha a bola de um dos pontas e num 2 para 1 contra Pedro Leal  assassina mais uma vez a selecção portuguesa sem grande oposição. 3-25. Péssima primeira parte portuguesa do ponto de vista defensivo. Grande primeira parte do veterano e mais experiente jogador canadiano james pritchard (20 pontos). Falha a conversão atirando aos postes.
Portugal tinha obrigatoriamente que melhorar certos aspectos na 2ª parte para se manter na partida: na parte defensiva teria que placar mais alto e com mais efectividade); na parte ofensiva, necessitava-se mais paciencia e organização na montagem das fases e mais bolas nas linhas atrasadas que não tiveram no primeiro tempo jogo à mão.

O descalabro.

Se no primeiro tempo, estes departamentos do jogo não foram vistos na exibição da selecção portuguesa, o pior haveria de vir no 2º tempo.

Com algumas alterações nas linhas recuadas da selecção, Frederico Sousa tentou colocar alguma paciência na organização do jogo ofensivo de Portugal com as 3 substituições ao intervalo. Das substituições resultou por exemplo a passagem de Pedro Leal de centro para a sua posição de origem a médio de formação. Nuno Penha e Costa entrou para 15 e Francisco Appletton entrou para o lugar do lesionado Miguel Leal.

Os primeiros 5 minutos da 2ª parte mascararam bem aquilo que veio a ser o compto geral dos 40 minutos. A selecção teve mais tempo com bola, mais paciencia para organização de fases e mais posse terrotorial. Muita batalha no meio-campo canadiano. Portugal perde a bola e o 6 canadiano Moonlight consegue receber bem um pontapé para as costas da defensiva portuguesa. É Vasco Uva quem o placa e quem evita o ensaio canadiano. Contudo, a aceleração do asa canadiano é superior à dos jogadores portugueses que se encontram nas imediações. Moonlight não consegue dar sequência à jogada e passa para a frente. Ficou a sensação que o ensaio canadiano ficou muito perto. Valeu Vasco Uva.

Aos 7″ falta portuguesa na introdução por derrube da melée, garante a pritchard mais um pontapé de penalidade facil em zona central dentro dos 22″. Pritchard converte e coloca o jogo em 3-28. Portugal entra melhor mas é o canadá quem aproveita todas as oportunidades de somar pontos.

11″ – O ponta canadiano Taylor Periss passa por um molho de jogadores portugueses (sem que alguém esboçasse uma placagem) e entra dentro dos 22″ onde é placado por Vasco Uva. Os canadianos colocam a bola perto da linha de ensaios mas acabam por perdê-la com uma grande intervenção ao pé de Erick dos Santos. O jogador de 20 anos do Biarritz (1ª liga francesa) parece um jogador de outro nível Na sequencia da jogada, o ponta Taylor Periss faz uma investida à mão e arruma 3 jogadores portugueses com alguns sidesteps até à linha de ensaio fazendo o 3-33. Com um pontapé facil dentro dos 22 em zona central James Pritchard eleva a conta pessoal e coloca o jogo num frustrante 3-35. Pritchard consegue o seu 25º ponto.

Os ensaios sucederam-se até ao resultado final de 8-52. – 22″ apareceu a melhor jogada do desafio para a selecção portuguesa que ali conseguiu sacar o seu ensaio de honra no meio do pesadelo tortuoso que foi o test-match contra os canadianos. Grande incursão de Vasco Uva que embalado no meio campo pelo canal central e depois de escapar a tres placagens transmite para o centro Pedro Avila que, com um hand-off afasta um jogador canadiano e marca o primeiro ensaio para Portugal. Pedro Leal não consegue converter o ensaio. 8-42 no marcador. Bom prémio para o esforço leonino de Vasco Uva, o unico jogador que conseguiu furar a bem armada defensiva canadiana e para Pedro Ávila, em conjunto com o mítico capitão nacional nunca se conformou com a péssima exibição dos seus colegas.
8-52 para os canadianos numa exibição muito triste da selecção nacional. Frederico Sousa afirmou no final à Sporttv que estes jovens vem de campeonatos pouco competitivos necessitando de evoluir com mais competição contra selecções deste nível, pelo que, não se pode esperar que estes jovens consigam jogar ao nível de selecções como o Canadá de um dia para o outro. Estas declarações a meu ver são, mais uma vez, indicadoras do puro contrasenso que acima afirmei em relação ao jogo que a selecção foi fazer a São Paulo. Sinceramente, creio que mais valia ter aproveitado bem esta janela para dar ritmo internacional a estes jovens atletas, coisa que não se vai adquirir contra uma selecção que não é mais forte do que qualquer selecção do Grupo C do Torneio Europeu das Nações. Mal por mal mais valia termos feito um jogo contra a selecção espanhola.

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