Rescaldo do Suécia 2 – Portugal 3 (2-4 agg) (2ª mão do play-off de qualificação para o Mundial ’14)

Num jogo impróprio para cardíacos, a Nossa Selecção qualificou-se para o Mundial ’14 após uma vitória por 3-2 em Estocolmo (agregado de 4-2 a juntar a vitória por 1-0 em casa). Custou, mas foi, e estamos presente no quarto Mundial consecutivo.

A Suécia apresentou-se com o mesmo onze do primeiro jogo. Era esperado que Wernbloom fosse titular de forma a dar mais músculo e capacidade de recuperação de bola ao meio-campo da Suécia, mas o treinador sueco manteve a confiança em Elm. Já Portugal apresentou uma surpresa: Hugo Almeida no lugar de Hélder Postiga.

A primeira parte foi estranha, e algo contra a corrente do expectável da minha parte. Esperava uma Suécia a entrar ‘a matar’, de forma a garantir um golo rápido, empatar a eliminatória e passar a pressão imediatamente para Portugal. No entanto, o que se verificou foi uma Suécia que entrou com algum receio e respeito de Portugal. Apesar dos laterais (principalmente Olsson) terem oferecido mais profundidade e apoio ao processo atacante em relação a sexta, a selecção Sueca continuava com o bloco central muito recuado. Tanto os centrais como os médios centro da Suécia são jogadores bastante lentos e incapazes de lutarem contra a velocidade de ponta dos jogadores portugueses caso optassem por jogar num bloco mais alto e com a equipa mais esticada no terreno. Portanto, Erik Hamren tentou conquistar o jogo pelos flancos. Sem sucesso. Portugal esteve bastante coeso na primeira parte, e até dispôs das melhores oportunidades para se colocar em vantagem, num cabeceamento de Bruno Alves para uma bela intervenção de Isaksson e num cabeceamento de Hugo Almeida completamente isolado após um passe de Ronaldo. Ronaldo também falhou 2 remates que podia ter concretizado com facilidade, noutro dia e noutra altura.

Para a segunda parte, Erik Hamren decidiu assumir o risco e a ambição de derrotar Portugal. Fez entrar Svensson, um jogador com maior capacidade de passe e experiência internacional e retirou Elm (fracas exibições em ambas as mãos). Assumiu uma linha defensiva mais alta, esticou a distância entre os jogadores mas encurtou a distância entre os sectores. Ainda recuou Ibrahimovic para actuar como uma espécie de trequartista, deixando Elmander mais sozinho na frente, mas mais apoiado por Kallstrom à entrada da área. E quando isso aconteceu, as comportas abriram. Começou a haver espaço para os passes diagonais e verticais para as costas da linha defensiva da Suécia. Com uma linha defensiva tão lenta, seria difícil parar os contra-ataques de Portugal com passes a rasgar, caso existissem. E aos 49′, após um bela defesa de Rui Patrício a uma carambola na grande área, um (grande) passe a rasgar de João Moutinho encontra Ronaldo que, completamente isolado frente a Isaksson, não perdoou. Estava dado mais um grande passo de gigante.

No entanto, esta selecção Sueca já deu belos exemplos de nunca desistir durante a fase de qualificação, principalmente nos jogos frente à Alemanha. A equipa Sueca continuou a acreditar e veio para com tudo, literalmente. Após cerca de 15 minutos, empataram através da estrela Zlatan Ibrahimovic, num canto onde Rui Patrício deveria ter atacado a bola. Aos 71′, sem dar tempo para Portugal respirar, Zlatan voltou a marcar, desta feita num livre marcado em força para o lado do Rui Patrício. 2-1, e o jogo estava completamente relançado, e desta vez a Suécia tinha a “upper hand” em termos mentais.

Paulo Bento responde imediatamente, com a entrada de William Carvalho para estancar as investidas adversárias. Dito e feito, com William Carvalho a equipa melhorou substancialmente no centro do terreno, e obrigou a Suécia a mandar mais bolas pelo ar para o flanco contrário. E enquanto a Suécia pressionava ainda mais, Cristiano Ronaldo voltou a marcar num contra-golpe após um grande passe de Hugo Almeida (!). 2 minutos depois, Ronaldo volta a surpreender as costas da linha defensiva sueca, e faz o 3-2 final, que matou em definitivo as hipóteses da Suécia qualificar-se para o Mundial. Uma segunda parte épica, digna de qualquer filme de Alfred Hitchcock. Mas com um final feliz para nós.

Em termos de destaques na selecção Portuguesa, é difícil não falar de Cristiano Ronaldo. Com estes 3 golos sem resposta (e poderiam ter sido 4 ou 5, à vontade), Cristiano Ronaldo voltou a cimentar o seu lugar no topo do futebol mundial, e gerou uma onda de revolta “positiva” em torno da polémica Bola de Ouro. Se não é o melhor jogador da actualidade, não sei quem será. Destaco também João Moutinho, uma vez mais. Da próxima, quando vir uma fotografia do Moutinho e do Ronaldo, direi: “olha o melhor do mundo e o Ronaldo”. João Moutinho é, definitivamente, um dos melhores médios centros da actualidade. Esteve sublime nas transições e em tapar os caminhos no centro do terreno, principalmente durante a primeira parte. O passe para o primeiro golo do Ronaldo é de “textbook”, para futura referência. Outros destaques positivos são Hugo Almeida (péssimo a finalizar, mas importante em ganhar o confronto físico e pelo passe para o segundo golo de CR7), João Pereira (esteve excelente frente ao complicado Kačaniklić) e William Carvalho (entrou bem e ajudou a estancar a pressão sueca após o 2-1). Em termos negativos, Nani (continua muito apagado e com falta de confiança, apesar de ter feito uma bela combinação com Ronaldo na segunda parte), Meireles (bem a posicionar-se defensivamente, péssimo no capítulo do passe) e Miguel Veloso (perdeu o norte quando Ibrahimovic caiu na sua zona).

Também gostaria de destacar Paulo Bento. Mais uma participação numa grande competição para Portugal, apesar de mais uma vez (para continuar a tradição), a adquirir o bilhete em última chamada. A equipa apresenta algumas debilidades em certos sectores e não parece apresentar alternativas suficientes no banco que mantenham a qualidade do 11 tipo. Há certos jogadores que têm lugar cativo sem o merecerem (Ruben Micael é o caso mais evidente), outros deviam ser chamados e não são (Adrien). Perante adversários fáceis ou momentos de pouca pressão, a equipa apresenta-se desmotivada e pouco coesa. Contudo, quando a tensão cresce e o momento chama pela equipa, esta sabe reagir a momentos de alta pressão, e Paulo Bento também tem mérito nisso. A equipa nem sempre apresenta o melhor futebol, está demasiado presa ao melhor jogador do mundo (o que é normal acontecer em qualquer equipa que tenha um jogador 10 níveis acima de todos), mas atinge os seus objectivos.

Para finalizar, deixo-vos com o relato dos golos do Nuno Matos (Antena 1). Vale a pena ouvir.

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